Florestas

 

Renda da resina de PINUS

Antonio da Luz Freire Neto, José de Freitas e Claudio Barbosa Monteiro, pesquisadores da Estação Experimental de Itapetininga/SP do Instituto Florestal; Rodrigo Beraldo, tecnólogo em Agronegócios, Fatec Itapetininga, e Leonardo Monteiro, Fazenda Campista, Empreendimentos Santa Judith, São Bento do Sapucaí/SP

A resina de pínus produzida em escala comercial é uma atividade rural e rentável pelo alto valor agregado de seus principais subprodutos: o breu e a terebintina. Coníferas, particularmente o Pinus spp, são mundialmente estimuladas quimicamente para a produção de resina desde a década de 60. No Brasil iniciou- se a partir da década de 80, em florestas de Pinus elliottii, apto ao plantio abaixo do Trópico de Capricórnio, e, na década seguinte, nos pínus tropicais, bem adaptados ao clima quente com déficit hídrico acima dessa linha. São descritos no Brasil, e citando-se os mais comumente plantados, como pínus subtropicais os Pinus elliottii var. elliottii e Pinus taeda e, como pínus tropicais, os Pinus caribaea var. caribaea, Pinus caribaea var. bahamensis, Pinus caribaea var. hondurensis, Pinus patula, Pinus oocarpa, Pinus kesia, Pinus tecunumanii e Pinus maximinoi.

Muito embora o Pinus patula seja descrito como pínus tropical, desenvolve-se muito bem, por exemplo, no clima subtropical da Serra da Mantiqueira (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), onde inclusive atualmente está sob experimentação quanto à viabilidade de sua produção econômica de resina. O Pinus taeda não é explorado face à sua desprezível produção resinífera, enquanto o Pinus tecunumanii e o Pinus maximinoi, pelo alto incremento volumétrico constatado, vêm sendo explorados somente para a produção madeireira.

O Brasil e a Indonésia compõem o segundo lugar em exportação mundial de goma resina, sendo que a China está em primeiro lugar. Os estados que mais produzem resina de Pinus elliottii são São Paulo (45.928 toneladas) e Rio Grande do Sul (19.600 toneladas) (Aresb, apud Rodrigues 2008). A produção anual média de cada árvore varia de 2 a 7 quilos.

Dados da Associação dos Resinadores do Brasil (Aresb) da safra 2012/13 apresenta uma produção de resina no território nacional de Pinus elliottii e de pínus tropicais de 96.301 toneladas. A indústria mundial tem grande demanda pela resina, que é fonte natural de terpenos – metabólitos secundários que constituem a maior família de produtos naturais existentes, com cerca de 30 mil compostos. Apresentam importantes funções na planta, porém são compostos farmacologicamente importantes, empregados na indústria química fina de sabores e fragrâncias, incluindo a produção de borrachas sintéticas, colas, materiais adesivos, tintas de impressora, revestimento de papel, emulsificadores de polimerização, entre outros.

Apresenta-se a atividade de resinagem como significativo setor e formador de emprego e renda na zona rural, haja vista a enorme necessidade de colaboradores na cadeia produtiva enquanto ainda sob as árvores, em função das operações serem totalmente manuais. Fixa o homem e a mulher no campo, e não sazonalmente, mas sim, de forma ininterrupta, o ano todo, por no mínimo oito anos, empregando de uma dois colaboradores a cada 10 mil árvores, ou seja, a cada dez hectares. É notável a presença de mulheres como trabalhadoras na atividade, com grande inclusão delas na operação de colheita, onde são extremamente cuidadosas e produtivas. O mercado internacional tem grande influência no preço da resina produzida no Brasil.

A raspagem do tronco é feita com ferramenta específica para retirar a casca externa mais grossa e de superfície irregular, sem ferir os tecidos vivos, permitindo a execução da estriagem mais facilmente, sem a remoção de lascas. O preparo da área da árvore na qual vai ser coletada a resina inclui a colocação de recipiente coletor (saco plástico) firmemente fixado a mesma por meio de fio de arame; as estrias têm altura de 2 a 3 centímetros e largura em torno de 18 a 20 centímetros, dependendo do diâmetro da árvore, feitas com ferramenta específica (estriador) em intervalos que variam de 10 a 12 dias para pínus tropicais e de 13 a 15 dias para pínus subtropicais.

Em algumas situações, considerandose P. elliottii, onde a resina é mais fluída, se comparada a resina dos pínus tropicais, em que o painel de resinagem encontra- se alto, acima de 3,5 metros, por motivo de custos e rendimentos, os intervalos são maiores, podendo chegar a 30 dias. Há que considerar que, para o caso dessas estrias altas, acima de 3,5 metros, a estriagem é realizada com ferramenta especial, com cabo alongador, no formato da letra V, o que corrobora para que a precisão da faixa de casca retirada a cada operação seja prejudicada, dificilmente conseguindo-se fixar nas dimensões citadas anteriormente (2 a 3 centímetros).

A operação da estriagem é realizada para a remoção da casca, líber e câmbio até alcançar o alburno, expondo-o, porém, sem feri-lo. É ascendente do solo para o alto da árvore, horizontais, paralelas entre si, até que se chega a altura da estria em V, na qual a distância do solo é demasiada, impossibilitando ao operador realizá-la na posição horizontal. Assim que executada a estria, é aplicada a pasta estimulante. A aplicação da pasta estimulante tem como ação principal manter desobstruídos os canais resiníferos sob a casca, entre o câmbio e o lenho, acima da estria realizada, onde realmente haverá a reação da exsudação resinífera, provocando uma dilatação daqueles canais, permitindo uma saída mais fácil da resina. Esta pasta estimulante diminui a viscosidade da resina, o que facilita também o seu escoamento.

Supõe-se que o estimulante tenha também atuação sobre o câmbio, dando lugar a um aumento da vitalidade e do número das células resiníferas. Observa-se também que a ação do estimulante causa um atraso na cicatrização do tecido em consequência dos cortes efetuados. Aplicado corretamente, o estimulante provoca uma produção duas vezes maior que a exsudação natural. (Kronka et. al., 2005), o que aumenta a produtividade sem prejudicar substancialmente a madeira da árvore. Obviamente tem-se uma perda de acréscimo anual de volume da árvore sob resinagem, para o caso de povoamentos em fase de crescimento, somado a uma perda relativa (depende do uso final) da qualidade da madeira. Os ganhos financeiros com a atividade de resinagem, bem como a antecipação de receitas advindas dessa tomada de decisão para com uma floresta de pínus, têm demonstrado vantagem econômica em optar-se pelo manejo resinagem + madeira em detrimento do manejo visando somente madeira.

Na safra da resina, que normalmente vai de setembro a abril/maio, são executadas aproximadamente 18 a (caso do P. elliottii) a 22 (pínus tropicais) estrias. O conjunto de estrias de uma safra forma um painel, o qual terá a largura das estrias sobrepostas por uma altura aproximadamente de 50 centímetros por ano/safra. A coleta da resina do recipiente coletor é efetuada a cada 6 a 8 estrias, e a resina que permanece aderida ao lenho da árvore é coletada à parte, no final da safra.