Tecnoshow

 

PROSPERIDADE do sudoeste goiano à mostra

A 12ª edição da Tecnoshow, feira realizada no mês passado em Rio Verde/GO, movimentou R$ 900 milhões em negócios e apresentou as melhores tecnologias para o campo

Leandro Mariani Mittmann
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A maior feira agrícola do Centro- Oeste novamente bateu recorde de público e de negócios. A 12ª edição da Tecnoshow Comigo, promovida pela Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano, atraiu 82 mil visitantes e movimentou R$ 900 milhões em negócios no Centro Tecnológico Comigo (CTC), em Rio Verde/GO, no mês passado. Na edição anterior, foram 78 mil visitantes e R$ 780 milhões. “Os números são positivos, uma vez que a feira teve au- Ascom/Comigo mento de expositores. O volume de negócios representa a realidade da feira, que é referência no Centro-Oeste”, ressaltou Antonio Chavaglia, presidente da cooperativa. O evento reuniu 500 empresas (também recorde), das quais 250 expuseram 2,3 mil máquinas, enquanto 34 plots agrícolas exibiram 250 experimentos.

“A feira sempre traz novidades e expectativas do produtor em busca de soluções da porteira para dentro”, acrescentou Chavaglia, ao demonstrar, em entrevista para A Granja, enorme preocupação e desapontamento com a infraestrutura de logística que atende aos seus associados. “Da porteira para fora, infelizmente não tem solução”, lamentou. Segundo ele, os portos que demandam a megaprodução agrícola brasileira nem ao menos possuem cobertura para a descarga/ carga de grãos, o que paralisa o trabalho em dias de chuva. Por esta e por outras razões, lembra que navios chegam a aguardar entre 30 e 60 dias para serem carregados. Por tabela, o produtor chega a perder de R$ 3 a R$ 5 por saca de soja. “Uma safra grande e não conseguimos colocar dentro do navio...”, lamenta. Conforme ele, infelizmente o Governo investiu pesado na construção de estádios “para usar uma vez por ano” e não em portos utilizados permanentemente.

Além da deficiência portuária, Chavaglia menciona problemas estruturais no interior de Goiás. “Falta armazém, falta porto... 50% do valor do produto é frete...” Ele compara que no ano passado o custo por tonelada transportada era de R$ 110, valor que subiu para R$ 180 em 2013. E os problemas de infraestrutura vão além: o dirigente revela o caso de um novo armazém da cooperativa que precisará de motores a diesel para funcionar, já que a rede elétrica não suporta a demanda. Serão dois motores, que funcionarão 12 horas/dia cada. E o aumento do custo será da ordem de 30% a 40%. Em outro armazém, a própria cooperativa precisou substituir 20 quilômetros de cabeamento elétrico para usufruir a energia. “E o Governo, lamentavelmente, não sinaliza com nada”, reclama. “O setor fica com desesperança. O produtor já tem a insegurança da lavoura...”

Tecnologias e técnicas de ponta estão sempre na vitrine de feiras como a Tecnoshow. Em Rio Verde, além das empresas expositoras, a própria Comigo apresentou seus experimentos em plots demonstrativos, como temáticas variadas, entre elas, o uso de inoculantes para milho, diferentes espaçamentos para a soja e a escolha de plantas de cobertura para o enfrentamento de nematoides. Mauricio Miguel, gerente agronômico da cooperativa, descreve que uma das conclusões é que o plantio cruzado da soja não é viável para todas as propriedades. Em grandes dimensões, por vezes a chuva vai acabar impedindo a entrada na lavoura do pulverizador e o controle da ferrugem, que precisa ser imediato, não poderá ser executado. E lembre-se: o plantio cruzado deixa a plantação mais “fechada”, o que facilita a propagação da ferrugem. “É uma prática para a pequena propriedade, mas o produtor precisa de conhecimento”, recomenda.

Já a Embrapa expôs na sua Casa uma série de tecnologias para o Centro-Oeste. Além de lançamentos de cultivares, como duas de soja: a BRSMG 772 é convencional, com tolerância à ferrugem e foi desenvolvida em parceria com a Epamig e a Fundação Triângulo de Apoio à Pesquisa; a BRSGO 6955 RR é transgênica de ciclo superprecoce que favorece a segunda safra de outra cultura, como o milho ou o algodão, e foi criada em parceria com o Centro Tecnológico para Pesquisa Agropecuária e a Emater de Goiás. ”A BRSMG 772 é um avanço significativo, pois representa economia para o produtor, uma vez que possibilita reduzir o número de aplicações de fungicidas, além dos benefícios ambientais de redução de agroquímicos nas lavouras”, detalha o melhorista Vanoli Fronza, da Embrapa Soja. “A BRSGO 6955 RR tem um bom potencial produtivo, é resistente ao acamamento e às doenças pústula bacteriana, mancha olho de rã e cancro da haste e indicada para solos de alta fertilidade”, enfatiza o melhorista da Embrapa Soja Odilon Lemos.

Rochagem — A Embrapa também apresentou aos visitantes a pesquisa com o uso do pó de rocha como fertilizante e corretivo do solo. Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados Éder de Souza Martins, a instituição pesquisa o processo de rochagem a partir de rochas silicáticas desde o início dos anos 2000. “Hoje, temos projetos que estudam a rochagem sempre com a perspectiva regional, uma vez que a quantidade aplicada ao solo é geralmente muito elevada (toneladas por hectare) e o frete limita a viabilidade econômica das rochas”, explica. Conforme ele, diversas rochas estão sendo testadas como fonte de nutrientes e como condicionador de solos em diversas condições ambientais e de sistemas de produção. “O maior desafio da rochagem no estágio de pesquisa atual é a definição de critérios de normatização da rochagem, onde são necessários critérios objetivos de caracterização das rochas do ponto de vista químico, mineralógico, granulométrico e agronômico para o registro como insumos agrícolas e novos minérios”, esclarece.

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