Agribusiness

 

TRIGO

LEILÕES DA CONAB TRAVAM AINDA MAIS O MERCADO

Buscando a recuperação da recente quebra na produção de trigo, o Governo e a cadeia produtiva do trigo deram a largada para a safra 2013/14 em Não-Me-Toque/ RS. A escassez de trigo no Brasil aliada à baixa disponibilidade de trigo no Mercosul impulsionou os preços do cereal no mercado doméstico. Os preços que vinham no início do ano passado a R$ 510/tonelada, em média, nas regiões produtoras do Paraná, chegaram a atingir R$ 850/tonelada no seu pico. “Isso alertou as autoridades que estão atentas para controlar a inflação dos alimentos e as políticas governamentais visam o aumento da produção nesse ano”, destacou o analista de Safras & Mercado Renan Magro.

Nos estados do Paraná e do Rio Grande do Sul as vendas ainda são limitadas e pontuais, porém no Rio Grande do Sul a disponibilidade de trigo de boa qualidade continua menor. No mês passado o Governo, por meio da Conab, começaria os leilões de venda de trigo, porém, os mesmos foram cancelados por alguma questão burocrática. Nessas vendas se espera uma boa qualidade para o trigo disponível no Paraná, mas pH mais inferior nos lotes postos no Rio Grande do Sul. A perspectiva dos leilões travou ainda mais o mercado no país. Para o farelo de trigo a situação continua complicada. Nas principais regiões pesquisadas, os preços do produto seguem em forte queda, porém, a partir de agora, a tendência é que os preços busquem maior estabilidade em níveis mais baixos. Nos moinhos pesquisados, alguns já estão trabalhando com capacidade de moagem ociosa, o que tende a reduzir a oferta de produto. Nas regiões Sul-Sudeste os preços recuaram menos do que em outras regiões. Em Minas, o produto ensacado está sendo negociado ao mesmo preço/peso que o produto a granel, essa igualdade acontece devido ao grande estoque de ensacado disponível.


ARROZ

BAIXA AGORA, MAS A TENDÊNCIA É DE ALTA NO DECORRER DO ANO

O mercado brasileiro de arroz manteve a tendência negativa nos primeiros 15 dias de março. No Rio Grande do Sul, que é o maior produtor nacional, a média estava em R$ 32,02 por saca de 50 quilos em casca no dia 13, apontando queda de 1,3% no período de uma semana, quando estava a R$ 32,43. Agora, se comparado com o preço de igual período de fevereiro, que era de R$ 34,53, a desvalorização é de 7,3%. E, se levar em consideração o valor pago em igual período do ano passado, quando estava a R$ 25,82 por saca, ainda existe valorização de 24%. Para o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles, a queda de preços não deverá se prolongar por muito tempo no mercado brasileiro, mesmo com o aumento da produção no Mercosul, que ainda não será suficiente para dar um choque de oferta no mercado brasileiro. “E isso, provavelmente, irá guiar o mercado ao longo do ano, com preços mais elevados, como visto no período pós-colheita em 2012”, prevê. Em fevereiro, as importações brasileiras de arroz foram maiores que as exportações pelo sexto mês seguido, significando mais oferta interna. Foram adquiridas 74,567 mil toneladas de arroz, ficando 3,604 mil toneladas acima das exportações, que foram de 70,962 mil toneladas, sendo a menor diferença dos últimos seis meses, podendo se tornar uma nova tendência de exportações acima das compras internacionais de arroz, ainda mais pelo cenário de oferta abundante no período de colheita em âmbito de Mercosul. Entretanto, nos últimos cinco meses as importações ficaram acima das exportações em aproximadamente 70,096 mil toneladas, sendo fator fundamental para a retração da cotação no cenário atual. Ao todo, foram adquiridas 344,962 mil toneladas de outubro a fevereiro, contra 274,867 mil toneladas vendidas ao exterior no mesmo período.


SOJA

SAFRAS CORTA EXPECTATIVA DE PRODUÇÃO

A produção brasileira de soja na temporada 2012/13 deverá totalizar 82,239 milhões de toneladas, aumento de 21% na comparação com a safra anterior, de 67,758 milhões. A previsão faz parte de levantamento divulgado por Safras & Mercado, no início de março. No relatório anterior, de 25 de janeiro, a previsão era de safra de 84,685 milhões de toneladas. A redução entre as duas estimativas foi de 2,446 milhões de toneladas. A estimativa de área plantada passou de 25,155 milhões de hectares em 2011/12 para 27,665 milhões, com aumento de 10%. Safras trabalha com rendimento médio de 2.973 quilos por hectare, superando os 2.694 quilos do ano passado.

O Mato Grosso deverá seguir líder no ranking de produção, com safra estimada em 24,335 milhões de toneladas, crescimento de 11% sobre as 22 milhões de 2011/12. A produção do Paraná deverá ter crescimento de 38%, para 15,308 milhões de toneladas. Após uma temporada de quebra por conta do clima seco, o Rio Grande do Sul deverá recuperar a produção. Safras aposta em uma expansão de 81% na safra, que chegaria a 11,96 milhões de toneladas. O levantamento indica aumento na colheita em todos os estados.

Os produtores brasileiros negociaram 58% da safra 2012/13, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisas Agroeconômicas Safras & Mercado, com base em dados recolhidos até 8 de março. Em igual período do ano passado, a comercialização envolvia 52%, e a média para o período é de 46%. No levantamento anterior, de 8 de fevereiro, o número era de 52%. Levando-se em conta uma safra estimada em 82,239 milhões de toneladas, o volume de soja já comprometido chega a 47,370 milhões de toneladas. “A motivação para a aceleração geral das vendas está na combinação de preços altos em 2012 e demanda em crescimento. E a motivação da calmaria recente está ligada ao recuo atual dos preços, ao foco dos produtores na colheita e à preocupação dos compradores em receber as compras antecipadas”, explica o analista de Safras Flávio França Júnior. As cotações domésticas de soja no início de março apresentam recuo de 1% a 4% sobre as médias de fevereiro, influenciadas pela evolução da colheita, pelo enfraquecimento dos prêmios de exportação e da taxa de câmbio. “E só não serão ainda menores por conta da valorização na Cbot, impulsionada pela demanda extemporânea e enxugamento dos estoques nos EUA”, complementa.


MILHO

PREÇO CAI COM COLHEITA E PREVISÃO DE SAFRA RECORDE

O mercado brasileiro de milho se aproxima de abril com um quadro de pressão baixista, refletindo o avanço da colheita no Centro-Sul e o decorrente aumento da oferta. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, quase 42% dos 5,797 milhões de hectares haviam sido colhidos ao final de primeira quinzena de março, com um potencial de produção da ordem de 32,65 milhões de toneladas, volume bem superior às 28,87 milhões de toneladas colhidas na safra verão 2011/ 12. Molinari ressalta que a expectativa de uma safra recorde também contribui para um quadro de preços mais baixos para o cereal frente aos primeiros meses de 2013. “Com uma safrinha estimada de 40,03 milhões de toneladas, bem superior às 37,97 milhões de toneladas colhidas na segunda safra do ano passado, a expectativa é de que possam ser colhidas 77,34 milhões de toneladas de milho neste ano, volume nunca alcançado”, informa.

O grande volume a ser colhido ainda enfrenta um obstáculo a mais neste momento: a dificuldade na exportação. Isso acontece, de acordo com Molinari, pela dificuldade de escoamento da safra até os portos, haja vista a menor disponibilidade de oferta de caminhões para o transporte, fretes caros, ameaça de greve nos portos, além da concentração total dos produtores na colheita da soja. “É preciso lembrar que, em muitos estados, a colheita acabou atrasando devido às chuvas, o que ajudou a reduzir ainda mais os espaços nos armazéns”, afirma. Molinari sinaliza que outro fator de preocupação ao mercado diz respeito à expectativa de uma safra normal nos Estados Unidos, diante das condições climáticas favoráveis ao cultivo até o momento no cinturão produtor, o que pode dificultar ainda mais a competitividade do milho brasileiro no cenário internacional no segundo semestre.


CAFÉ

COMERCIALIZAÇÃO SEGUE ATRASADA

A comercialização da safra de café do Brasil 2012/13 (julho/junho) chegou a 71% até a data disponível de 28 de fevereiro. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado. Os trabalhos seguem bem atrasados em relação ao ano passado, quando, em igual período, 87% da safra 2011/12 estava comercializada. Em relação ao mês anterior, de janeiro de 2013, houve avanço de apenas quatro pontos percentuais nas negociações. Com isso, já tinham sido comercializadas 39,03 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2012/13 de 54,9 milhões de sacas.

Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, as negociações seguem difíceis, com distanciamento e pouco diálogo entre as pontas compradora e vendedora. Ele indica que a oferta até aparece, mas de forma tímida, carecendo de um maior estímulo do lado do preço. Por outro lado, Barabach comenta que a demanda segue da “mão-para-boca” e sem agressividade. “Enfim, o mercado não ganha ritmo. Os repiques de alta (nas cotações) continuam como ilhas para breves e comedidas negociações, mas os volumes são pequenos, ou seja, continua aquela picadeira”, conclui. O diretor da Organização Internacional do Café (OIC) Roberio Silva disse que ainda é cedo demais para se estimar os prejuízos que o clima seco está trazendo para regiões produtoras do robusta no Vietnã. A estiagem que atinge o planalto central do Vietnã é uma ameaça sobre as regiões cafeeiras e tem garantido sustentação para as cotações internacionais do robusta. As informações partiram de agências internacionais. Silva destacou que ainda não podem ser projetados os danos para a safra futura 2013/14 vietnamita. Mas, produtores esperam que a safra 2012/13, iniciada em outubro, tenha redução de 20% a 25% contra a de 2011/12 em função da falta de precipitações em parte do país.


ALGODÃO

LIBRA-PESO SE APROXIMA DO PATAMAR DE R$ 2

A escalada persiste no mercado doméstico de algodão e os preços já se aproximam do patamar de R$ 2 por libra-peso no CIF. No dia 12 de março, a libra-peso valia R$ 1,99. “O lado da oferta segue na retranca e os lotes de fibra do tipo fino estão cada vez mais escassos”, relata o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. “Por outro lado, a procura por esse tipo é crescente, o que tem como resultado a elevação nos referenciais de preços”, adverte. Em relação ao mesmo período do mês passado, as cotações acumulam ganhos de 10% e, comparado ao mesmo momento do ano anterior, a valorização da fibra doméstica é de 23,8%.

Para Bento, diante do descompasso entre a oferta e a demanda internas, a tendência é que os preços sigam com viés de alta até o momento em que as indústrias vejam no mercado internacional uma alternativa para aquisições. “Porém, também no âmbito global verifica-se uma elevação das cotações do algodão”, frisa. Na Ice Futures, os preços de fechamento do dia 11 de março eram 7,3% superiores aos praticados em igual período de fevereiro. “Esta elevação aumenta o espaço até que o mercado nacional se encoste ao custo de aquisição da fibra estrangeira”, lembra.

Com escassez de oferta no âmbito doméstico e com uma safra menor para a próxima temporada, o quadro é bastante favorável aos produtores nacionais. “Contudo, ainda é importante ficar atento ao mercado internacional”, adverte. A confirmação da próxima safra (em maio) deve dar um norte aos preços internacionais. Os preços acima de 85 cents de dólar por libra-peso na Ice Futures vêm refletindo a expectativa de queda na produção mundial e a demanda ainda aquecida pela fibra norte-americana. “Mas, olhando-se os números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), não há motivos que justifiquem uma alta muito além dos atuais patamares”, ressalta.

No lado da demanda, a relação estoque/ consumo da China em 120% sinaliza uma presença menos expressiva para o próximo ciclo. “Com todas as incertezas no âmbito global, a atual firmeza das cotações nacionais deve ser aproveitada para o escalonamento da comercialização da safra nova”.