Plantio Direto

 

O sistema conservacionista e a COMPACTAÇÃO do solo

Graziela Moraes de Cesare Barbosa, pesquisadora, e José Francirlei de Oliveira, profissional de Ciência e Tecnologia, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar)

O solo é um reservatório de água e nutrientes para as plantas, constituído por material sólido e espaço vazio (os poros) preenchido por ar e/ou água. Quando se substitui o fragmento de mata nativa por um sistema agrícola de produção, geralmente, promovese a compressão do solo, com consequente redução do seu espaço poroso, e ocorre a compactação. A compactação é caracterizada pelo aumento da densidade do solo (Ds), que representa a relação entre a massa de solo, em seu estado natural, e o volume ocupado pelo mesmo.

Por uma trincheira, o produtor pode visualizar o desenvolvimento da raiz e o sentido que ela está escolhendo para penetrar e, assim, ter uma ideia melhor da compactação do solo

A compactação do solo é um dos processos mais importantes para análise da qualidade do solo e dos riscos ambientais causados pela agricultura e está negativamente relacionada com dinâmica e teor de água disponível, atividade biológica e desenvolvimento radicular, acarretando, consequentemente, na redução da produtividade das culturas. Contudo, dificilmente um solo manejado não apresentará algum nível de compactação, ocasionado pelo tráfego de máquinas e ou desestruturação do solo (causada pelo uso de implementos agrícolas). Portanto, a questão que devemos pensar é como e com quais ferramentas podemos encontrar um equilíbrio entre a produção de alimentos e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas?

O plantio direto permite a manutenção das raízes das plantas no solo, que futuramente formarão os bioportos e fornecerão agentes cimentantes para agregação e manutenção da estrutura do solo

O sistema de manejo é um meio onde poderemos buscar o equilíbrio proposto. A utilização da semeadura direta, que preconiza a manutenção da cobertura do solo pela palhada, a rotação de culturas e o mínimo revolvimento do solo, quando associada com outras técnicas de conservação, como a manutenção dos terraços e plantio em nível, propiciam diversas vantagens em relação ao sistema manejado com implementos (escarificador, grade, arado).

Esse sistema permite a manutenção das raízes das plantas no solo, que futuramente formarão os bioporos e fornecerão agentes cimentantes para agregação e manutenção da estrutura do solo; o amortecimento do tráfego de máquinas, reduzindo o efeito da compressão do solo; a decomposição dos tecidos vegetais, que estimula a atividade biológica e ciclagem dos nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas; e o aumento do estoque de carbono no solo, condizente com a agricultura de baixo carbono incentivada pelo Governo Federal.

Ressalta-se que a dinâmica química, física e biológica no solo, por meio da associação desses métodos de manejo e conservação, é eficiente na recuperação de áreas compactadas. Contudo, a utilização de apenas algum destes, isoladamente, não é suficiente para manutenção da sustentabilidade do sistema como um todo, haja vista o problema de compactação superficial observado em diversas áreas manejadas com o sistema de semeadura direta. Isso demonstra que a adoção unicamente desse manejo não é suficiente para evitar as perdas de solo e água pelos processos de erosivos e que os benefícios acima citados somente ocorrem se o sistema conservacionista for utilizado em conjunto com as outras técnicas. A pesquisa indica que a consolidação do sistema de semeadura direta ocorre após seis anos ou mais de implantação, período a partir do qual os benefícios se tornam mais evidentes.

Carga das máquinas — Um fator determinante na compactação do solo em sistema de semeadura direta é a sua umidade no momento da entrada de máquinas. Quando a umidade é elevada, a compressão do solo ocorrerá com maior intensidade com maior impacto no desenvolvimento das raízes e, consequentemente, na produtividade das culturas. Em contrapartida, se realizada quando a umidade for adequada, o que geralmente ocorre quando os solos argilosos apresentam cerca de 30% de umidade, o solo terá maior capacidade de suporte de carga das máquinas, com menores danos à sua estrutura e porosidade, tornando- o menos susceptível à erosão.

Nesse sentido, as características e propriedades do solo, como granulometria e matéria orgânica, devem ser consideradas, pois solos argilosos e muito argilosos com maiores teores de matéria orgânica têm umidade ótima de preparo maior do que os solos de textura média e arenosa. Os teores de argila e matéria orgânica, além da umidade no preparo, também influenciam a reestruturação do solo. Diversas ferramentas estão disponíveis para análise dos efeitos do manejo e da consideração da “umidade ótima de preparo” do solo, desde as mais complexas, com Um fator determinante na compactação do solo é a sua umidade no momento da entrada de máquinas, pois, quando é elevada, a compressão do solo ocorrerá com maior intensidade e com maior impacto vê-la no momento da semeadura, promovendo algum grau de mobilização do solo na linha de semeadura, por meio do mecanismo do tipo haste sulcadora, evitando a necessidade de ações mais drásticas, como o uso de escarificadores. As hastes sulcadoras promovem maior ou menor mobilização dependendo da profundidade de operação das mesmas, que normalmente ocorrem na faixa de 10 a 15 centímetros. Caso não tenha indício evidente de compactação, pode-se optar pelo uso de discos duplos para a semeadura, pois este mecanismo é configurado para a mínima mobilização do solo, trazendo benefícios em termos de rendimentos operacionais e redução de custo energético e econômico ao produtor. Percebe-se, portanto a dificuldade do equilíbrio entre a produção das culturas e os menores danos causados ao solo, sendo interessante e necessária a atenção ao seguinte: características e propriedades do solo (granulometria, teor de matéria orgânica); umidade do solo durante o tráfego de máquinas; manutenção dos terraços; cobertura do solo com palhada e rotação de culturas. Ou seja, a adoção concomitante destas diversas técnicas de conservação com o sistema de semeadura direta permite a implantação de um sistema conservacionista, com recuperação de solos degradados e compactados ou manutenção daqueles com boa qualidade física, proporcionando um sistema agrícola mais sustentável. a utilização de equipamentos eletrônicos de alta tecnologia, às mais simples e práticas, como a medida da resistência do solo à penetração das raízes (penetrômetro de impacto). Esse equipamento simula a energia necessária que a raiz da planta deve exercer para romper as camadas do solo. Assim, quanto maior a compactação, maior será a energia gasta para romper essa camada. Esse método é feito diretamente no campo e permite ao produtor acompanhar, ao longo do tempo, a resistência à compactação da sua área, tendo assim parâmetro para tomar algumas decisões sobre o manejo que está sendo adotado. Apesar da facilidade de utilização, deve-se sempre lembrar que esse método não é um parâmetro independente e é influenciado também pela umidade, granulometria e teores de matéria orgânica no solo.

Outra forma de observar a compactação no campo é a análise das raízes das plantas. Através de uma pequena trincheira, o produtor pode visualizar o desenvolvimento da raiz e o sentido que ela está escolhendo para penetrar no solo. Se a mesma estiver no sentido vertical, indica que não há impedimento ao seu desenvolvimento, porém, se houver predominância de desenvolvimento no sentido horizontal e presença de achatamento das mesmas, há um forte indício da presença de uma camada mais compactada.

Se constatada a compactação na superfície do solo, o produtor poderá resolvê-la no momento da semeadura, promovendo algum grau de mobilização do solo na linha de semeadura, por meio do mecanismo do tipo haste sulcadora, evitando a necessidade de ações mais drásticas, como o uso de escarificadores. As hastes sulcadoras promovem maior ou menor mobilização dependendo da profundidade de operação das mesmas, que normalmente ocorrem na faixa de 10 a 15 centímetros. Caso não tenha indício evidente de compactação, pode-se optar pelo uso de discos duplos para a semeadura, pois este mecanismo é configurado para a mínima mobilização do solo, trazendo benefícios em termos de rendimentos operacionais e redução de custo energético e econômico ao produtor.

Um fator determinante na compactação do solo é a sua umidade no momento da entrada de máquinas, pois, quando é elevada, a compressão do solo ocorrerá com maior intensidade e com maior impacto

Percebe-se, portanto a dificuldade do equilíbrio entre a produção das culturas e os menores danos causados ao solo, sendo interessante e necessária a atenção ao seguinte: características e propriedades do solo (granulometria, teor de matéria orgânica); umidade do solo durante o tráfego de máquinas; manutenção dos terraços; cobertura do solo com palhada e rotação de culturas. Ou seja, a adoção concomitante destas diversas técnicas de conservação com o sistema de semeadura direta permite a implantação de um sistema conservacionista, com recuperação de solos degradados e compactados ou manutenção daqueles com boa qualidade física, proporcionando um sistema agrícola mais sustentável.