Notícias da Argentina

GRÃOS: TENDÊNCIA BAIXISTA

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) emitiu informações negativas a respeito dos preços futuros da soja. Para o analista Dante Romano, da Fundación Libertad, se tudo ocorrer bem, a produção da oleaginosa nos Estados Unidos cresceria quase 10 milhões de toneladas. A maior parte seria absorvida por um consumo em recuperação, sendo que 1,2 milhão de toneladas passariam a engrossar os estoques e, desta forma, a relação estoque/consumo iria de 4,6% a 5,6% e ficaria, de qualquer maneira, em um nível modesto. Em função desses números, na opinião de Romano, é exagerada a queda anunciada pelo Usda para os preços da soja, mas é certo que se o milho aparecer debilitado, acabará influenciando as cotações da oleaginosa. Na Argentina, as vendas estão num ritmo lento. “Os produtores não querem vender pelos preços atuais, e isso forçará os compradores a elevarem o que estão dispostos a pagar, razão pela qual acreditamos que entraremos em um momento de preços pontuais positivos que deverão ser aproveitados”, destaca o analista.


LENTO AVANÇO

Janeiro mostrou outra tênue recuperação de preços do leite ao produtor, que segue correndo atrás dos custos. Segundo indicam os produtores do oeste bonaerense, o valor aumentou 15% em janeiro, em comparação com o mesmo período de 2012. O valor é insuficiente diante de uma inflação que não fica abaixo de 25% ao ano. O piso dos preços não deveria ficar abaixo de 2 pesos por litro (US$ 0,40 ou US$ 0,25, segundo o câmbio oficial ou paralelo, respectivamente). Nos Estados Unidos, 25% do valor final do leite fica com o produtor e, na Nova Zelândia, esse índice é calculado em 22%. Na Argentina, o valor é de 16%. Além disso, cerca de 60% da produção leiteira fica localizada em campos alugados, cujo valor é medido em sacas de soja. Como exemplo do aumento dos custos, cabe citar que o milho, um dos insumos mais importantes da atividade, teve uma alta entre 20% e 25% nos últimos meses. Assim, é possível compreender porque, nos últimos anos, em torno de 5 mil propriedades leiteiras deixaram a atividade.


PROTESTO

Mais de 2 mil produtores estiveram reunidos em Pehuajó, cidade do oeste bonaerense, e participaram de uma assembleia para agendar ações diante do crescimento do intervencionismo oficial nos negócios do campo. “Estamos cansados e temos razões para isso”, advertiu um dirigente da Federação Agrária Argentina. O presidente da entidade, Eduardo Buzzi, reclamou que o setor sofre com as altas retenções, com a enorme alta dos custos e com os problemas para comercializar a produção. “A Argentina não é mais competitiva, e os pequenos e médios produtores estão saindo do mapa. Evidentemente, temos que lutar por mudanças profundas.”


TRIGO

Com um saldo exportável reduzido, as tradings aguardam pela habilitação das autorizações de exportações para 5 milhões de toneladas do cereal.


SOJA

Depois das chuvas, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires manteve uma estimativa de colheita emtorno de 50 milhões de toneladas.


LEITE

São observadas pequenas melhoras no preço recebido pelo produtor, mas ainda abaixo dos custos. O valor pago pelo livro é de US$ 0,34 (câmbio oficial) ou US$ 0,21 (câmbio paralelo).


CARNE

Os valores pagos ao produtor continuam sem grandes modificações. O quilo do novilho vivo vale US$ 1,80 (câmbio oficial) ou US$ 1,12 (câmbio paralelo), enquanto o terneiro vale US$ 2,1 (câmbio oficial) ou US$ 1,31 (câmbio paralelo).