Agricultura Familiar

EMPREENDEDORISMO familiar em exibição


A feira que congrega e apresenta a excelência da agricultura familiar gaúcha teve o protagonismo de 350 expositores e atraiu 69 mil visitantes (8 mil a mais que em 2012) durante três dias do mês passado, em Rincão Del Rey, distrito de Rio Pardo/RS. A 13ª edição da Expoagro Afubra foi uma grande oportunidade para os segmentos agroindustriais, de máquinas e de animais, instituições de pesquisa e de ensino, empresas diversas poderem apresentar as tecnologias e os conhecimentos que levam as pequenas propriedades a aumentar e diversificar a renda. As instituições bancárias movimentaram R$ 34 milhões em pedidos protocolados. Já os 132 empreendimentos familiares expositores registraram 68% de aumento nas vendas, que foram superiores a R$ 420 mil. “Algumas agroindústrias venderam quase o dobro do ano passado porque o consumidor conhece os produtos de outras edições da feira e sempre volta”, avaliou Jocimar Rabioli, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag/RS).

Esta área de comercialização de produtos da agricultura familiar, como sucos, salames, doces, pães, flores e artesanato, foi umas das que mais chamaram a atenção do público. No Pavilhão da Agricultura Familiar todos os expositores são vinculados à Fetag e recebem assistência técnica da Emater/ RS-Ascar. Uma das expositoras foi Mariza Maria Tatch, da agroindústria Palmajo, de Rio Pardo, que pela primeira vez participou da Expoagro. Ela só conseguiu a documentação para a agroindústria de pães uma semana antes do evento. “Foram quatro anos batalhando para regularizar tudo. É um sonho realizado estar aqui”, descreveu Mariza. E no mesmo espaço a Emater disponibilizou técnicos para orientar os visitantes sobre o processo de criação de agroindústrias e o Programa Agroindústria Familiar, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo.

Irrigação e armazenagem — No estado em que são corriqueiras perdas de safra em razão de estiagens, a ferramenta irrigação não poderia ficar de fora de uma feira como a Expoagro Afubra. Os programas de irrigação do governo gaúcho foram disponibilizados para conhecimento dos visitantes dentro da área da Emater. Foi mostrada a irrigação localizada por gotejamento nas parcelas de piscicultura e olericultura, e a irrigação por malha de pastagens. Ambos integram o programa Irrigando a Agricultura Familiar – da secretaria estadual da Agricultura, Pecuária e Agronegócio –, iniciativa que está inserida no Programa Mais Água, Mais Renda.

O assistente técnico regional em Irrigação da Emater, Ricardo Ramos Martins, explicou que o gotejamento é o método ideal para produtos de alto valor agregado, como frutas e verduras. “Além disso, se tem um aproveitamento quase integral da água, já que esta é localizada praticamente no sistema radicular da planta. Uma irrigação bem elaborada impede que outras plantas, invasoras ou concorrentes, sejam contempladas com o recurso”, descreveu. Outra abordagem relevante à adoção de sistemas de irrigação foi a prevenção quanto aos casos de estiagem. “Mesmo em bons períodos de precipitações, muitas vezes há deficiência em relação ao armazenamento e à distribuição da água”, ressaltou Martins. “Portanto, investir em irrigação significa garantir a manutenção do recurso, fortalecendo o setor agropecuário.”

Outra estação que chamou a atenção foi a estrutura montada para a divulgação dos sistemas de secagem e armazenagem de grãos. Foram demonstrados aspectos referentes à secagem de milho com o uso de ar natural em silo de alvenaria e a secagem de grãos com o uso de gás liquefeito de petróleo (GLP) em silo metálico modulado. A promoção do tema foi uma parceria entre a Emater e o Instituto Riograndense do Arroz (Irga). No silo de alvenaria, os produtores puderam observar o controle de secagem com o uso de sensores de temperatura, além de um sistema de pré-limpeza de grãos, formado por uma rosca transportadora que alimenta a máquina. E, ao lado dos silos, uma equipe da Classificação Vegetal da Emater demonstrou os principais defeitos dos grãos no recebimento da lavoura e no armazenamento.

Turismo rural — Como parte da programação da feira, foi realizado o 6º Seminário Regional de Turismo Rural, promovido por Associação de Turismo da Região do Vale do Rio Pardo (Aturvarp), Afubra e Emater. O seminário, que tem como objetivo incentivar a atividade turística como alternativa de renda para pequenas propriedades, apresentou o caso dos Caminhos Rurais de Porto Alegre, por meio do testemunho do empresário, agente de turismo, técnico em turismo rural e proprietário do Sítio do Mato, Mauri Weber. Ele falou sobre a importância da atividade para agregar valor à propriedade e promover a integração com o meio urbano. “O turismo rural nos proporciona qualidades e vivências que não encontramos em nenhum outro lugar”, declarou.

Segundo o palestrante, todas as propriedades têm algo de bom para mostrar ao turista, mas recomendou cautela. “As melhorias feitas visando ao turismo devem beneficiar a propriedade como um todo.” Além disso, é preciso respeitar a demanda do público. “Todos os investimentos e adequações devem ser feitos aos poucos, conforme a necessidade”, orientou. Weber ainda destacou que as parcerias são fundamentais para fomentar a atividade. “É muito importante que os produtores contem com a colaboração de agências de turismo e entidades que possam dar suporte e apoiar as ações desenvolvidas.”

Já a empresária Mari Barbosa, da Cabanha La Paloma, apresentou o caso da Cavalgada da Lua Cheia, promovida trimestralmente nos bairros da zona rural de Porto Alegre. A cavalgada surgiu como alternativa de renda para a cabanha que, anteriormente, atuava com hotelaria para equinos. A trilha, que dura cerca de duas horas e meia, percorre de dez a 15 quilômetros.