Florestas

 

Integração FLORESTA + BOI
como projeto de governo

Mônika Bergamaschi, secretária de Agricultura do Estado de São Paulo

Ao contrário do que muitos imaginam, não são os canaviais que ocupam a maior parte das áreas agricultáveis do território paulista, mas sim as pastagens. São 5,8 milhões e 7,8 milhões de hectares, respectivamente. E isso apesar de continuar significativa a mudança no uso e na ocupação das terras nas últimas décadas, com as pastagens cedendo espaço para outras culturas. O peso do componente terra no custo de produção e a baixa produtividade animal decorrente, entre outros fatores, como a má qualidade da forragem, contribuíram e contribuem para este movimento. A estimativa é que 4,8 milhões de hectares de pastagens estejam em estágio mediano de degradação, e outro 1,5 milhão em estágio avançado. A boa notícia é que há tecnologia disponível e acessível para reverter este quadro. Uma vez aplicada, promoverá não apenas o aumento da capacidade de suporte animal via recuperação das pastagens, com reflexos na produção de carne e leite, como também a reintegração de áreas degradadas ao processo produtivo para o cultivo de grãos, fibras e culturas energéticas. Além do aumento da renda, da oferta de empregos, da demanda por serviços e insumos, serão igualmente significativos os ganhos ambientais.

Integração lavoura-pecuária (ILP) ou Integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) são sistemas de produção nos quais as atividades de agricultura, criação de animais e silvicultura são desenvolvidas numa mesma área, em rotação, consorciação ou sucessão. O sistema traz em seu bojo um vasto leque de possibilidades, como recuperação de áreas degradadas, controle de erosões, manejo racional de pastagens, uso intensivo da área, plantio direto na palha, otimização dos recursos de produção da propriedade, sinergia entre as atividades de produção animal e vegetal, inclusive florestas plantadas, produção de forrageiras para a entressafra, manejo zootécnico, melhoramento genético do rebanho, de grandes ou pequenos animais, para citar alguns. O conceito tem se disseminado pelo País com resultados animadores e se apresenta como um bom modelo, uma vez que alia melhor rentabilidade, via aumento da produtividade, com conservação dos recursos naturais. Quanto Votorantim Siderurgia maior a quantidade de biomassa no sistema, maior será o acúmulo de carbono no solo. A produção integrada contribui também para a mitigação da emissão de gases de efeito estufa.

Integra SP — E para que os agricultores paulistas tenham acesso a esta tecnologia, um pacote de serviços está sendo especialmente criado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado: o Integra SP. O projeto tem por objetivo aplicar conceitos de sustentabilidade, oferecendo ao setor o que há de mais moderno. A estratégia de ação para a implantação do trabalho passa por capacitação e nivelamento dos técnicos de extensão rural, instalação de 25 unidades de adaptação de tecnologia e 250 unidades demonstrativas. Na sequência serão atendidos os produtores, com a elaboração de projetos que poderão contemplar desde a reforma da pastagem até a adoção de sistemas ILP ou ILPF.

O ponto de partida será o diagnóstico da propriedade: as causas e o nível de degradação das pastagens, a ocorrência de erosão, tipo e capacidade de uso dos solos, clima, topografia, espécie de forrageira, ocorrência de pragas e doenças, produtividade, manejo animal, práticas culturais, custos de produção envolvidos. Para, então, recomendar a adoção da tecnologia que melhor couber em cada caso, aquela com maior viabilidade de implantação, na vastidão das possibilidades existentes.

O Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) entra em cena com linhas de financiamento e juros subvencionados, estando elegíveis desde projetos para correção do solo, controle de voçorocas, aquisição de insumos até a implantação de sistemas integrados de produção propriamente ditos.

O Integra SP está em sintonia com o Programa Estadual de Mudanças Climáticas. O Governo do Estado de São Paulo assumiu a meta de recuperar, ao menos, 20% das áreas com pastagens degradadas até 2020, e de promover ações de ampliação de áreas de plantio direto e de sistemas agrosilvopastoris. As metas, levadas à Rio+20, são mais do que compromissos de governo. Elas se traduzem em importantes benefícios para os produtores, para o agronegócio e para a sociedade paulista.

Mônika: para que os agricultores paulistas tenham acesso a esta tecnologia, um pacote de serviços está sendo especialmente criado: o Integra SP