Reportagem de Capa

 

Tempos de PUJANÇA no campo

O agronegócio brasileiro vive um momento de exuberância, com a perspectiva de mais uma safra recorde e a valorização da produção. Ainda que problemas pontuais – como os efeitos do clima – e estruturais – como as deficiências logísticas – assombrem o setor, o contexto é positivo e traduzido pela disposição para investimentos. A expectativa é de que esse entusiasmo tenha reflexo nos resultados da Agrishow, feira que inicia no final do mês em Ribeirão Preto/SP. À espera dos produtores, o cenário está sendo montado para a realização de grandes negócios e para a comemoração dos 20 anos da maior exposição agrícola do País

Denise Saueressig
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A realidade na lavoura é o primeiro indicativo de que o agronegócio vai bem. No ciclo 2012/2013, os produtores brasileiros devem colher uma safra 10,5% maior em comparação com a do ano passado. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgada em março indica que a produção poderá alcançar 183,5 milhões de toneladas. A ressalva fica por conta de questões climáticas em algumas regiões importantes e que ainda podem provocar alterações nos números finais da safra. No entanto, de uma forma geral, a recuperação em áreas bastante prejudicadas pela seca no ano passado e o maior investimento em tecnologia devem ajudar a ampliar as produtividades no País. O rendimento médio esperado pela Conab é de 3.464 quilos por hectare, índice 6,1% acima da safra 2011/2012.

A área plantada também cresceu, chegando a 52,9 milhões de toneladas. O incremento é de 2,11 milhões de hectares, ou 4,1% sobre o ano anterior. Não por acaso, a soja e o milho foram os principais responsáveis por esse aumento. A oleaginosa recebeu um acréscimo de 10,4%, sendo cultivada em 27,6 milhões de hectares. Nas plantações de milho, o destaque fica por conta das lavouras de segunda safra, que tiveram a área ampliada em 8,6%, chegando a 8,3 milhões de hectares. O desempenho das duas culturas é creditado ao aumento da rentabilidade gerado, principalmente, pelos preços em ascensão no mercado internacional. O principal motivador foi a pior seca dos últimos 50 anos nos Estados Unidos, que provocou perdas de mais de 100 milhões de toneladas de grãos ao maior produtor mundial de alimentos.

O comportamento do preço da soja ilustra bem o que ocorreu com o mercado no ano passado. Em Maringá/PR, por exemplo, a saca da oleaginosa iniciou 2012 valendo em torno de R$ 45. A partir daí, a trajetória se manteve ascendente, até atingir, em setembro, valores que chegaram a superar os R$ 80. Isso significa que na época de definições para a nova safra, a remuneração foi elemento decisivo para a formação da lavoura. Os produtores também aproveitaram para comercializar a soja com antecedência. Segundo levantamento da 26 | ABRIL 2013 Reportagem de Capa consultoria Safras & Mercado, 58% da safra 2012/2013 havia sido vendida até a primeira semana de março. O volume supera a média para o período, que é de 46%.

Com o milho, o cenário de alta nos preços foi semelhante. Há três anos, os produtores do Paraná recebiam R$ 13 pela saca, que chegou ao segundo semestre de 2012 com valores em torno de R$ 27. Na safra 2011/2012, o Brasil registrou uma produção histórica do cereal – 72,9 milhões de toneladas – que superou a colheita da soja. Bastante afetada pela estiagem na Região Sul, a oleaginosa teve uma colheita de 66,3 milhões de toneladas.

Valorização — Preços em alta e produção em crescimento mantêm as projeções elevadas para o Valor Bruto da Produção (VBP). No ano passado, a produção de milho, por exemplo, foi calculada em R$ 34 bilhões, a mais valiosa da história. Para 2013, o cálculo de fevereiro feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) indica que o VBP das principais lavouras do país será de R$ 277,2 bilhões, montante 13% superior ao número do ano passado e o maior da série histórica iniciada em 1997. “O que percebemos é que os preços dos produtos estão um pouco mais baixos em relação ao ano passado, mas ainda assim são valores historicamente elevados”, observa José Garcia Gasques, coordenador de Planejamento da Assessoria de Gestão Estratégica do Mapa.

Feiras agrícolas, como a Agrishow, refletem o ânimo dos produtores para a realização de investimentos e as tendências para os meses que virão

Como é reavaliado mensalmente, o VBP ainda poderá sofrer reajustes ao longo do ano, ressalva o dirigente. “Algumas situações ainda podem mudar, mas, para a maior parte das lavouras, o que se espera é um comportamento positivo. Além disso, mundialmente há um ambiente favorável para a sustentação dos preços, já que os estoques estão baixos e a demanda é crescente”, complementa. Até agora, os produtos que apresentam as maiores altas na produção são o tomate (49,8%), a laranja (31,3%), a batata inglesa (27,1%), a soja (27%), o feijão (19,5%) e o milho (19%). Algodão, café e mandioca são algumas das poucas culturas que mostram queda no valor da produção.

O VBP é um dos componentes do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário, que, depois de ter caído 2,3% em 2012, tem estimativa de crescimento em torno de 4% para 2013. “O PIB do setor representa 22% do PIB do País, o que ajuda a mostrar a importância da valorização da produção. Ao mesmo tempo, os índices do agronegócio são de extrema relevância para a formação da renda, especialmente nas cidades do interior, onde a produção é gerada. Tenho visitado áreas de expansão agrícola onde o PIB dos municípios tem crescido mais que o dobro dos estados”, salienta o dirigente do Mapa.

Paradoxo — A maior contradição ao momento de fartura do agronegócio brasileiro é a logística ineficiente. O mesmo país que é tão competente do lado de dentro da porteira, não consegue dar conta de escoar uma supersafra numa estrutura que privilegia o transporte rodoviário e congestiona portos do Sul e do Sudeste. “Muitas vezes o produtor acaba gastando em frete a boa rentabilidade que obteve com a venda da safra”, constata Gasques. A lentidão na tomada de decisões e no planejamento de soluções atrapalha demais uma reformulação concreta nessa área, conclui o diretor técnico da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Antonio Pinazza. “Debatemos esse problema desde que a safra era de 90 milhões de toneladas. Já estamos em 180 milhões de toneladas e ainda falamos das mesmas coisas”, reclama.

A logística de escoamento da safra será o grande tema do Congresso da Abag deste ano, adianta Pinazza. Na opinião dele, o país precisa acelerar resoluções que provocarão reflexos permanentes. “De certa forma, a alta dos preços das commodities encobriram nossas ineficiências, mas sabemos que a agricultura é feita de ciclos e não temos garantias de que essa conjuntura positiva vai continuar. O agricultor brasileiro trabalha num cenário de alto risco, porque, do ponto de vista estrutural, muito pouco foi feito. Precisamos deixar de olhar para as coisas no curto prazo e pensarmos de forma estratégica”, argumenta.

Com a grande safra e as vendas externas em crescimento, os problemas no escoamento estão cada vez mais salientes. Aumentos nos custos do frete, congestionamento nas estradas, filas de espera em portos e compras de soja canceladas pelos chineses em função de atrasos na entrega foram notícias frequentes nas últimas semanas. “A questão logística brasileira chegou a provocar retração nos preços da soja em Chicago”, menciona a superintendente técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rosemeire dos Santos.

O país tem urgência em resolver seus conflitos de logística ou corre o risco de perder conquistas importantes. O agronegócio tem participação de quase 40% nas vendas externas do Brasil. No ano passado, as exportações do setor somaram o valor recorde de US$ 95,81 bilhões, incremento de cerca de 1% sobre 2011. As importações caíram 6,2% em relação a 2011, e o saldo da balança comercial foi de R$ 79,41 bilhões, também um recorde. Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), nos próximos dez anos o Brasil deve continuar tendo papel de destaque no comércio internacional de produtos agropecuários. A soja em grão produzida no país deverá responder por 44% das exportações mundiais do produto, enquanto a carne de frango nacional terá participação de 53% do mercado.

Definições — Empossado no mês passado no lugar do deputado federal Mendes Ribeiro Filho, o novo ministro da Agricultura, Antônio Andrade, assume a pasta num momento de importantes definições. O setor produtivo e o Governo Federal negociam as bases para o próximo Plano Agrícola e Pecuário (PAP), que deve ser anunciado em maio. A CNA defende que o plano passe a ter uma vigência de 18 meses, no lugar dos atuais 12 meses. “Nossa proposta é permitir um planejamento mais adequado e de longo prazo para o produtor, facilitando, por exemplo, as compras de insumos para a formação da lavoura”, justifica a superintendente técnica da CNA, Rosemeire dos Santos. Outra sugestão é a formulação de planos quinquenais nos próximos anos.

A CNA estima que o custeio e a comercialização da próxima safra demandarão R$ 191 bilhões em recursos públicos e privados. No ano passado, o governo anunciou R$ 115,2 bilhões no PAP. Desse total, R$ 86,9 bilhões foram destinados ao custeio e à comercialização e R$ 28,2 bilhões, para os programas de investimentos. A procura por crédito aumentou no ano passado. Segundo o Governo, foi o maior volume de recursos já contratado: R$ 112 bilhões, um incremento de 19% sobre 2011. Entre julho de 2012 e fevereiro deste ano, os financiamentos da agricultura empresarial subiram 16,2%, chegando a R$ 71,6 bilhões. O valor representa 62,2% dos recursos do Plano Agrícola e Pecuário 2012/2013. O Programa de Sustentação de Investimento (PSI) foi um dos destaques entre as modalidades. Foram R$ 7 bilhões – R$ 2,7 bilhões a mais em relação à mesma época da safra passada no programa utilizado para aquisição de máquinas, equipamentos de irrigação e estruturas de armazenagem.

Crédito mais barato — Os produtores foram atraídos principalmente pela redução na taxa de juros do PSI – de 5,5% para 2,5% ao ano, em 2012. Para 2013, a taxa será de 3% ao ano até junho e de 3,5% ao ano entre julho e dezembro. Essa antecedência de anúncio e consequente possibilidade de programação favoreceram o ambiente para as compras. Interessados em levar modernidade para a lavoura, os produtores aplicaram uma boa parte do capital em máquinas. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) informa que a indústria encerrou 2012 com uma receita bruta de R$ 11,2 bilhões, o que significa um aumento de 13% sobre o desempenho de 2011. Este ano a tendência se mantém e, em janeiro, o faturamento foi 4,3% superior em comparação com o mesmo mês de 2012.

No ano passado, houve empresas que conquistaram crescimento de 40% no seu faturamento, atesta o empresário Celso Casale, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq. “O desempenho positivo vem de uma conjunção de fatores. O produtor está ganhando mais dinheiro e quer aumentar a sua produtividade. Ao mesmo tempo, precisa arranjar maneiras de diminuir sua necessidade de mão de obra, que é escassa no país”, sustenta. Para este ano, a projeção é de um incremento entre 10% e 15% para o segmento. As facilidades oferecidas pelas linhas de crédito mantêm o ambiente favorável para os negócios, assinala Casale. “Com os recursos oficiais para a compra de máquinas, o produtor pode usar seu próprio dinheiro para a aquisição de insumos ou para outras finalidades na propriedade”, acrescenta.

Rosemeire dos Santos, da CNA: propostas apresentadas para o próximo Plano Agrícola e Pecuário incluem a vigência por 18 meses

A indústria defende que o Governo divulgue, juntamente com o próximo Plano Safra, a equiparação da taxa de juros em diferentes programas, como o Moderfrota, que financia a aquisição de máquinas, e o ABC, que estimula práticas ambientalmente sustentáveis. O ideal, na opinião dos representantes do setor, é que todos tenham taxas próximas ao PSI, de 3% ao ano.

Mais potência — Ainda em 2011, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projetava um 2012 estável para a comercialização de tratores e colheitadeiras. O cenário mostrava que era provável que as vendas se mantivessem em torno de 65 mil máquinas. Mas a decisão do Governo Federal, no final de agosto, de reduzir as taxas do PSI de 5,5% para 2,5% ao ano alterou a previsão. “O anúncio coincidiu com a realização da Expointer”, lembra o vice-presidente da Anfavea, Milton Rego, referindo-se à feira agropecuária realizada em Esteio/RS todos os anos. “Enquanto isso, o mercado internacional indicava uma forte seca nos Estados Unidos e a alta nos preços das commodities. Fatores como esses fizeram com que a indústria concretizasse negócios de quatro meses num período de três meses”, aponta o dirigente.

O resultado foi um recorde histórico para os fabricantes, com vendas internas de 69.374 máquinas, volume 6,2% acima de 2011. “As vendas só foram tão grandes na década de 70, quando houve o incentivo à ocupação do Centro-Oeste e o Brasil produzia apenas 30 milhões de toneladas. Hoje, a busca é pelo incremento de produtividade”, analisa Rego. Para este ano, a projeção é de um novo crescimento, entre 4% e 5%. Nos dois primeiros meses de 2013, houve acréscimo de 24,7% sobre o mesmo período de 2012, com a comercialização de 11,6 mil unidades.

É importante destacar que o perfil das máquinas mais procuradas pelos produtores mudou especialmente nos últimos três anos. “Como o produtor espera um maior rendimento por hectare, tem buscado equipamentos com maior potência, que possam realizar uma operação com mais eficiência em um espaço de tempo mais curto, permitindo ainda um melhor planejamento da segunda safra ou safra de inverno”, ressalta o dirigente.

Plantadeiras e pulverizadores maiores também exigem tratores mais robustos. Por isso, cresce principalmente a demanda por máquinas na faixa dos 100cv. “Há alguns anos, o movimento foi inverso, com a procura crescente por tratores de menor potência, devido ao incentivo de programas como o Mais Alimentos e iniciativas regionais que incentivaram a mecanização entre agricultores familiares”, esclarece Rego.

Mesmo comemorando o desempenho das vendas internas, os fabricantes continuam com as preocupações relacionadas aos clientes do exterior. No ano passado, as exportações diminuíram 7,8%, ficando em 16.896 unidades. Já no primeiro bimestre deste ano, as vendas externas tiveram recuo de 38,1%. Uma das razões para essa queda é o avanço da indústria argentina, que faz com que os produtos brasileiros percam o espaço que tinham no país vizinho.

Milton Rego, da Anfavea: projeção de crescimento entre 4% e 5% para as vendas de tratores e colheitadeiras em 2013

Palco em preparativos — Em momentos bons ou ruins, as feiras agropecuárias realizadas no País acabam refletindo o estado de espírito do produtor e as tendências para os meses que virão. Este ano, dois grandes eventos já deram uma mostra de que o ambiente é propício para novidades tecnológicas e bons negócios. Em fevereiro, o Show Rural Coopavel, que ocorre todos os anos em Cascavel/PR, contabilizou um faturamento de R$ 1,6 bilhão, o dobro do ano passado e um resultado recorde para a feira que completou 25 anos. No início de março foi a vez da 14ª Expodireto Cotrijal. A feira de Não-Me-Toque/RS surpreendeu, com negócios de R$ 2,5 bilhões, volume 128% acima do que foi obtido em 2012.

Agora, o momento é de preparativos para a Agrishow – Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação –, que ocorre entre os dias 29 de abril e 3 de maio em Ribeirão Preto/SP. Essa será uma edição bastante especial, já que o evento completa 20 anos. “Também estamos comemorando a concessão da área da feira pelos próximos 30 anos, o que ajuda a criar motivação para melhorias. Nos próximos quatro anos, serão investidos R$ 20 milhões na estrutura do evento, que terá um plano diretor para que tudo seja feito de forma ordenada”, destaca o presidente da Agrishow, Maurilio Biagi Filho.

A intenção, segundo ele, é que o Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Centro-Leste/Centro de Cana receba também outros eventos, incentivando, assim, investimentos fixos e definitivos. Organizada pela empresa BTS Informa e realizada por Abag, Abimaq, Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda) e Sociedade Rural Brasileira (SRB), a Agrishow 2013 terá a participação de 790 expositores em 440 mil metros quadrados.

Este ano, as demonstrações de campo terão novidades como o Núcleo da Tecnologia, com estações comparativas de sementes, adubos e defensivos de diferentes culturas. Outra inovação é a implantação, em parceria com a Embrapa, de uma área de 16 hectares com diversos manejos de integração lavoura pecuária floresta (ILPF). A programação ainda prevê o lançamento de um livro em comemoração aos 20 anos da exposição. Em 2012, os negócios realizados durante a feira de Ribeirão Preto somaram R$ 2,15 bilhões. Estiveram na mostra 152 mil visitantes. A expectativa para este ano é de que a comercialização tenha crescimento em torno de 10% sobre os números do ano passado. “Considerando a conjuntura do setor, essa é uma projeção conservadora”, admite Biagi.

Além da prospecção de negócios, os expositores levam para a Agrishow o que há de mais moderno em inovação e tecnologia.

A seguir, A Granja apresenta o que algumas indústrias reservam para a grande feira agrícola.

Case IH —Entre as novidades da empresa estarão a colheitadeira de grãos Classe 9, a maior produzida no Brasil; as novas colheitadeiras da série 30; um novo pulverizador de classe 2 e a nova colhedora de cana de espaçamento variável. O vicepresidente da Case IH para América Latina, Mirco Romagnoli, comenta sobre a importância das feiras agrícolas para a marca. “O Show Rural e a Expodireto são feiras importantes, de caráter regional. Já a Agrishow é uma das quatro principais feiras para o agronegócio do mundo. Para se ter ideia da importância desta exposição, um volume de 15% a 20% de nossas vendas anuais são realizadas na Agrishow”, salienta. O executivo declara que a empresa projeta crescer acima do esperado para o mercado em 2012. A expectativa é de incremento de 10% para as vendas de tratores e entre 10% e 15% para as colheitadeiras.


GSI — A empresa que trabalha com equipamentos para a armazenagem de grãos contabiliza um incremento entre 25% e 30% nas vendas entre janeiro e março deste ano. “A facilidade de crédito, a necessidade de investir em estruturas próprias e os problemas logísticos do País são as principais razões para esse aumento”, avalia o diretor de Vendas e Marketing da área de Armazenagem da GSI, José Luiz Viscardi Jr.. A empresa vai apresentar na Agrishow um vídeo ilustrativo sobre o secador Process Dryer, que vem com um conceito mais racional. Desenvolvido para trabalhar com qualquer tipo de grão, o equipamento tem reduzida emissão de partículas, baixo nível de ruído e menor consumo de energia por tonelada seca. O princípio de secagem está baseado na alta vazão específica de ar (volume de ar por volume de grãos), o que possibilita a remoção de até 10 pontos percentuais de umidade em um único passe e com resfriamento no secador.


Jacto — A empresa vai destacar na feira as atualizações no layout da família de pulverizadores Uniport. “Os modelos Uniport 2000 Plus e Uniport 2500 Star ganharam uma nova carenagem na cabine e faróis com design mais moderno. A versão 2013 do Uniport 3030 ganhou câmeras de ré, proporcionando mais facilidade na locomoção”, detalha o diretor comercial da Jacto, Robson Zófoli. A empresa também vai apresentar seu lançamento para cafeicultura: a colhedora KTR 3500. “O modelo foi desenvolvido com reservatório de café com capacidade efetiva de 1.800 litros. Com o novo reservatório e o sistema de descarga ‘on the go’, a KTR 3500 não precisa parar a operação de colheita quando seu reservatório está cheio”, observa. Para comemorar os 65 anos completados em 2013, a Jacto preparou o projeto Jacto Club, loja conceito para a venda de uma série de produtos para aproximar ainda mais os clientes da empresa.


John Deere — Depois de iniciar a produção do pulverizador 4730 na fábrica de Catalão/GO, no ano passado, a John Deere vai apresentar na Agrishow outro equipamento que era comercializado no País por importação: o modelo 4630, que também passa a ser fabricado no Brasil. A produção nacional permite que os pulverizadores possam ser financiados pelas linhas de crédito oficiais, facilitando a aquisição. O pulverizador 4630 tem recursos de AMS, sistema de Agricultura de Precisão da John Deere instalado de fábrica. Seus tanques de combustível, com 268 litros, e de solução, com 2.270 litros, prometem grande autonomia. Outro produto que passou a ser produzido no Brasil é a plataforma de colheita HydraFlex Draper, em opções de 35 e de 40 pés. Com barra de corte totalmente flexível, ela tem as vantagens de menor índice de perdas e menor consumo de combustível.


Kepler Weber — A empresa busca desenvolver soluções para armazenagem que tragam o melhor custo x benefício aos clientes, revela o gerente de Marketing da Kepler, Felipe Maciel. “De olho nas necessidades atuais e futuras, oferecemos linhas de produtos cada vez mais inteligentes, que possam fazer com que toda a unidade de armazenagem ‘converse’, ou seja, esteja integrada por tecnologias e inovações, permitindo um controle e gerenciamento mais eficaz”, diz. O mercado está aquecido e a expectativa para a Agrishow é bastante positiva, segundo o executivo. “Os investimentos em armazenagem deverão manter-se em um nível elevado, em função da safra recorde, do aumento da produtividade, do déficit de armazenagem e da excelente oferta de crédito. Diante desse cenário, a Kepler está preparada para atender aos clientes com qualidade”, complementa Maciel.


Massey Ferguson — Oferecer soluções para os diferentes perfis de produtores é a prioridade da empresa. Para a Agrishow, a Massey pretende levar inovações que impactam nos índices de produtividade da lavoura. “Percebemos que o produtor está mais curioso por tecnologias que ajudem a incrementar seus rendimentos, além de processos e equipamentos mais eficientes”, acentua o diretor comercial da empresa, Carlito Eckert. Ele acredita que os negócios na feira de Ribeirão Preto tenham um aumento em torno de 10% nessa edição. Entre os destaques da marca estarão tratores de todas as faixas de potência, equipamentos para a agricultura de precisão e a colheitadeira MF32 SR, habilitada para trabalhar em culturas como soja, milho, trigo e arroz, com alta capacidade para a redução de perdas. A empresa também levará a sua proposta de oficina móvel, que facilita o dia a dia do produtor na propriedade.


Metalfor — Com a melhor das expectativas para a feira de Ribeirão Preto, o gerente de Vendas da Metalfor, Adriano Durau, cita o pulverizador autopropelido Multiple 3200 AB, lançamento de 2013 da empresa. “A máquina tem como diferencial a maior autonomia de trabalho, que é o que a maioria dos produtores solicita. O equipamento ainda tem uma barra de 32 metros de largura, o que proporciona grande rendimento nas aplicações e menores perdas por amassamento na lavoura, e pode ser equipado com os componentes mais modernos do mercado, como piloto automático”, explica Durau. A Metalfor ainda pretende apresentar equipamentos da empresa que são comercializados na Argentina, mas que também passarão a ser vendidos e produzidos no Brasil nos próximos anos. As novidades incluem dois distribuidores (autopropelido e de arrasto), uma carreta graneleira e uma colheitadeira axial.


Montana — A empresa vai aproveitar a Agrishow para fazer o lançamento oficial da sua colhedora de café. “Queremos dar continuidade ao nosso crescimento nesse segmento, em que já trabalhamos com tratores. O uso da mecanização vem sendo ampliado na cultura do café, e nós queremos fortalecer nossa presença nesse mercado”, afirma o gerente de Marketing da Montana, Giancarlo Fasolin. A expectativa para a feira de Ribeirão Preto é de um incremento de 20% nos negócios em comparação com a edição de 2012. “As outras duas grandes feiras desse ano – a Expodireto e o Show Rural – já deram uma mostra de como o momento está favorável para os investimentos”, acrescenta Fasolin. Além da colhedora de café, a empresa pretende levar para a Agrishow inovações em outras linhas de produtos, como tratores e pulverizadores.


New Holland — Independente do momento do setor, a empresa mantém uma rotina de novidades para a Agrishow. “Investimos na atualização das nossas linhas, com mudanças tecnológicas demandadas pelo mercado. Vamos receber os clientes que estão num momento de alta rentabilidade e em busca de aumento de produtividade”, constata o diretor comercial da New Holland no Brasil, Luiz Feijó. Entre os destaques da marca está o pulverizador SP2500, que vem com a proposta de pulverizar diferentes culturas em qualquer tipo de solo, com qualidade e estabilidade de barra. A empresa também vai levar para a feira a colheitadeira CR9090, que promete atender produtores mais exigentes, com ótima produtividade e eficiência. Sua potência de 530cv suporta plataforma de até 45 pés. Produzida no mundo em pequena escala, a CR9090 é a maior máquina de colheita disponível no mundo. A New Holland ainda vai apresentar na exposição uma série de inovações em suas linhas de tratores.


Stara — Com o objetivo de oferecer soluções para um plantio mais eficiente, a empresa destaca na Agrishow o Sistema DPS (Distribuição Precisa de Sementes), que trabalha com sementes de qualquer forma e tamanho, sem a necessidade de regulagem, com apenas um disco para cada tipo de cultura. “A tecnologia do DPS evita sementes duplas ou falhas na distribuição, trabalhando com singularidade e uniformidade no solo. Acreditamos que o sucesso da lavoura inicia no plantio, e esse equipamento foi projetado pensando na qualidade dessa etapa da produção”, resume o diretor comercial da Stara, Fernando Trennepohl. Além de levar para a feira toda sua linha de produtos, que inclui itens como pulverizadores, carretas, semeadoras, distribuidores de sementes e fertilizantes e equipamentos para a agricultura de precisão, a Stara ainda promete uma “surpresa” para os produtores.


Valtra — A empresa vai levar para a Agrishow a renovação da sua linha de tratores BH geração III. São cinco modelos entre 130cv e 210cv que receberam mais de 20 inovações, declara o gerente de Vendas da Valtra, Alexandre Vinicius Assis. “Além de novidades no sistema hidráulico e no design, os equipamentos passaram por reformulações na cabine, com mais conforto e menor nível de ruído para o operador”, relata o executivo. Novidades em piloto automático, tratores pesados e a linha Santal de equipamentos para a cana também estarão no estande da Valtra na feira. A empresa ainda pretende dar uma atenção especial à sua linha de colheitadeiras, que teve 20% de incremento na comercialização durante a Expodireto desse ano. “Há espaço para crescer nesse mercado, e a nossa meta é que a Valtra conquiste uma fatia de 7% nas vendas de colheitadeiras em 2013”, frisa Assis.


Hectares cada vez mais valiosos

A realidade do agronegócio tornou a terra um bem precioso no Brasil. Num período de dez anos, o preço do hectare agrícola teve alta de 227%. Segundo levantamento da Informa Economics/FNP feito em 133 regiões do País, o valor médio do hectare passou de R$ 2.280 em janeiro/fevereiro de 2003 para R$ 7.470 no período novembro/dezembro de 2012. A valorização anual foi de 12,6%, quase o dobro da inflação média anual, de 6,4%. O diretor técnico da FNP, José Vicente Ferraz, recorda o contexto que cercava o setor décadas atrás. “No passado, quando havia quebras de oferta, os preços subiam e a demanda acabava sendo freada, sinalizando com uma tendência de longo prazo para a queda de preços. No entanto, na última década do século XX, as coisas começaram a mudar. A lógica foi alterada pelas questões ambientais e pela maior dificuldade para ampliar a oferta de alimentos”, relata.

Pela demanda em expansão, principalmente, em países emergentes, pelos desafios tecnológicos e pela limitação de recursos naturais para novas áreas, Ferraz acredita que este é um movimento duradouro de alta de preços, mesmo considerando as oscilações que ocorrem de vez em quando. “Poucas regiões no mundo podem colaborar com o aumento da produção e, aí, podemos citar a África e a América do Sul. No entanto, na América do Sul, há limitações em regiões como a Floresta Amazônica e a Cordilheira dos Andes, enquanto na África existem questões políticas e estruturais complicadas. Por isso, o Brasil é a bola da vez quando falamos em terras agricultáveis”, enumera.

Nos últimos anos, a principal valorização foi observada em áreas de expansão da atividade, como na região que ficou conhecido como MaToPiBa, que engloba os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. “São terras com alto potencial para a agricultura, com solos fisicamente muito bons e com excelentes condições para a mecanização. Áreas do leste do Mato Grosso, onde a agricultura está ocupando terras que antes eram utilizadas para a pecuária, também estão bastante valorizadas”, cita o diretor da FNP.

Em momentos de capitalização, é natural que a aquisição de terras esteja na lista das probabilidades de investimentos pelos produtores. O interesse de compra é perceptível e é a causa da alta nos preços, mas também é comum que em ocasiões como essa, os vendedores aguardem por uma valorização ainda maior. “Atualmente, a liquidez não é tão grande pela resistência dos vendedores”, descreve Ferraz. Considerando o cenário mundial e brasileiro, o dirigente acredita que a tendência de alta nos valores da terra se mantenha nos próximos anos. “A elevação pode não ser tão expressiva como foi nos últimos dez anos, mas deve continuar acima da inflação”, declara.