Na Hora H

 A NOVA TROCA DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

ALYSSON PAOLINELLI

Mais uma vez se realizam as já esperadas trocas de ministros em meio aos arranjos políticos em antevésperas de novas eleições. Para os expectadores lá de fora, os nossos concorrentes ou nossos dependentes, é quase inacreditável que um país como o Brasil use o seu Ministério da Agricultura como moeda de troca política para atender aos “companheiros da base”. Não é só pela importância que o setor representa em nossa economia, hoje quase só sustentada pela pujança da nossa produção, que de um lado preocupa os tradicionais mandatários do mercado internacional, nossos concorrentes, e de outro alivia os dependentes que sabem que hoje, sem o Brasil, o mundo estaria penando pela falta de alimentos, produtos de origem agrícola e energia renovável.

Sempre nos indagam, “mas como vocês produtores brasileiros aceitam uma situação desta?”. Sempre respondo: “Este é o preço de nossa incapacidade de nos unirmos e de fazer respeitar aquilo que o país mais depende”. Aí eles começam a entender por qual razão pagamos os juros mais caros do mundo. Porque o crédito é comandado pelo sistema financeiro como se a raposa fosse a única capaz de vigiar o galinheiro. Esta é a razão de ainda não termos o Seguro Rural. Pensam que não dá voto e ajuda na hora das negociações dos débitos infindáveis e impagáveis provocados pelos riscos das intempéries, sem o sistema de seguro, facilitando que o Governo amealhe votos das bancadas ruralistas, do cooperativismo, e de deputados e senadores sérios e que são indispensáveis na aprovação de seus projetos para atender aos seus objetivos de Governo.

Aí os nossos amigos e admiradores lá de fora entendem por que o Preço Mínimo, que já valeu e deu tranquilidade à fase mais difícil da produção, que é a sua comercialização, hoje não mais existe. Só assim entendem por que há mais de 25 anos deixou-se de aplicar 4% do PIB em infraestrutura logística e hoje não é mais do que 0,8% do PIB, o que não dá sequer para manter o que já foi em outras épocas construído. Como explicar que pretendemos investir mais de R$ 60 bilhões num trem bala quando por menos do que isto se arredaria os gargalos que nos impedem de transportar até para o nosso próprio consumo e para exportar os excedentes de nossas safras agrícolas e, com isto, pagamos os mais absurdos preços de serviços inigualáveis em qualquer parte do globo.

Posso mesmo afirmar que se invertêssemos e, antes do trem bala, arredássemos os gargalos atuais, em no mínimo dois anos poderíamos construir um trem bala por ano com o saldo da balança de pagamentos que o setor agrícola nos daria. Entendem todos por que pagamos os mais altos tributos do planeta, inclusive nos produtos agrícolas, quando os nossos concorrentes até subsidiam nas suas exportações? Entendo que a culpa não é só do Governo. Ela é nossa, dos produtores rurais, que não somos capazes de nos organizarmos e exigir um mínimo que lhe devem. São dos consumidores brasileiros que, não entendendo bem a política pública, acham que a culpa é dos nossos produtores que são incompetentes ou gananciosos por pagarem um preço tão alto nos alimentos que consomem. Esta é a realidade mais crua e mesmo dantesca em que vivemos no país do qual o mundo depende.

Dentro desta lamúria,no entanto, quero abrir aqui um parêntese; como moeda de troca ou não, tivemos até agora um ministro que pelo menos foi honesto para conosco: "Não sou do ramo, mas quero ajudá-los". Tentou e muito. Teve a oportunidade de mostrar o seu caráter e a sua bravura, pois mesmo doente lutou como um leão para ajudar o setor. Ministro Mendes Ribeiro, pode ter certeza que você fez muitos amigos e muitos admiradores. Sua lealdade e dedicação nos encheram de orgulho e admiração. Continue em sua luta, como um bravo gaúcho que é, desejamos de coração que vença esta difícil batalha que vem enfrentando. O senhor, se não era do ramo, agora é um dos nossos. Um bravo companheiro. Muito obrigado.

Quis o destino, que, se como moeda de troca ou não, o PMDB escolhesse para assumir o nosso Ministério da Agricultura um mineiro, meu conterrâneo, que o conheço bem e posso dizer aos meus companheiros que este, além de ser do ramo, é dos bons. O conheço desde a sua família. Gente boa, trabalhadora e honesta. É exemplo de competência e capacidade pioneira de vencer os obstáculos que se antepõem. Suas propriedades são exemplos a quem desejar conhecê-las. Afirmo tranquilamente, se derem espaço e se o “Toninho Andrade,” como o chamamos, tiver o apoio político do seu partido e nós, produtores, somarmos com ele em sua luta, tenho certeza que ele surpreenderá a nossa presidenta e a todos nós brasileiros. Toninho não é homem de recuar. Já deu demonstração de sua capacidade, de sua competência, herdada do seu pai. Problemas para ele são para serem vencidos. Todas as lamúrias que enumeramos aqui no início deste artigo, podem ter certeza, vão ser por ele perseguidos incansavelmente e, a cada vitoria que ele alcançar, servirá apenas de estímulo para arredar deste país a praga que ainda o prende para ser o grande Brasil que todos sonhamos. Toninho, que Deus o ajude.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura