Agribusiness

 

TRIGO

MERCADO SEGUE LENTO

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O mercado de trigo esteve ainda mais lento no país no início do ano. A escassez de cereal no Brasil e também no Mercosul deixou as negociações envolvendo o cereal bastante travadas. Quanto aos preços, tanto no mercado doméstico quanto no internacional as variações foram negativas para o cereal. No Brasil, por exemplo, o arrefecimento das vendas e as negociações ainda muito travadas causaram o impacto negativo nos preços; já no mercado internacional, a situação mais confortável das lavouras nos Estados Unidos trouxe novas quedas para o grão. No Paraná, o movimento no mercado foi pequeno. Mesmo assim, os preços na região produtora do estado recuaram um pouco. Em Maringá, o grão foi cotado a R$ 775/tonelada, queda 5,5% entre janeiro e fevereiro. No Rio Grande do Sul, o mercado segue lento para o trigo de boa qualidade, porém, para o produto de menor qualidade (trigo feed) as vendas seguem boas. Nos dados de exportação que foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, o volume exportado de trigo em janeiro foi aproximadamente 300% superior ao anterior, sendo a maior quantidade exportada de trigo ração, de menor qualidade. Em Santa Rosa, na Região das Missões, o valor da tonelada recuou passando de R$ 680 para R$ 670, ou seja, 1,47%. O mercado doméstico de farelo de trigo operou estável. Com o início das chuvas no Nordeste e no Centro-Sul, os preços do produto recuaram muito e rapidamente, pois a visão é de menor demanda para ração para os próximos meses. No Paraná, o produto segue com preços estáveis em R$ 450/tonelada em média, apontando uma queda mensal de 15%. Já a saca de 40 quilos do produto está sendo negociada a R$ 19,20 em média no estado. Em São Paulo, o preço do farelo varia bastante conforme o fornecedor, porém o valor de referência é de R$ 355/tonelada e, para o ensacado (40 kg), a pedida média é de R$ 15.


ALGODÃO

INDÚSTRIAS MAIS PRESENTES NO MERCADO DOMÉSTICO

Rodrigo Ramos - [email protected]

A penúltima semana do mês de fevereiro iniciou com as indústrias mais ativas no mercado doméstico de algodão, com ofertas por volta de R$ 1,80 por libra-peso no Sudeste e a R$ 1,85 no Nordeste. Por outro lado, os produtores mostram-se reticentes em negociar aos patamares oferecidos. Além disso, o foco das atenções dos cotonicultores passa a ser o plantio e o desenvolvimento da safra nova. “Enquanto esta queda de braço entre os agentes não se define, os reportes de negócios são pontuais no disponível”, destaca o analista de Safras Élcio Bento. Comparado ao mesmo período de janeiro, as cotações nacionais apresentam valorização de 5,9%. Em relação a igual momento de 2012, a alta acumulada é de 12,5%.

Olhando-se para a paridade de importação, segundo números de fechamento do dia 18 de fevereiro, o algodão norteamericano base contrato spot na Ice Futures de Nova York chegaria ao Cif de São Paulo a R$ 2,23/libra-peso. O nacional, com ICMS, é cotado por volta de R$ 2,02/libra-peso. “Em tese, o limite de alta para os preços domésticos seria o ponto em que a importação seria mais atrativa em relação aos preços domésticos”, explica o analista. Usando a paridade importação, o espaço para elevação das cotações domésticas seria de 10,5%. Em anos de excesso de oferta interna em relação ao consumo, o mercado doméstico tende a pagar o preço a partir do qual os vendedores passam a ver no mercado internacional condições mais atrativas para negócios. “Neste momento, contudo, dado o quadro de escassez de oferta, os preços internos estão acima dos praticados nos principais exportadores mundiais.”


SOJA

RELATÓRIO DO USDA NÃO TRAZ SURPRESAS E PREÇOS CAEM

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O USDA divulgou em 8 de fevereiro o relatório de oferta e demanda. A rigor, os números anunciados não surpreenderam o mercado e trouxeram pressão sobre as cotações do mercado de futuros da Cbot. Apesar da confirmação de corte na projeção de estoques finais de soja nos Estados Unidos, que em tese embutiria uma variação positiva para os preços, o entendimento dos operadores foi de que esse nível de redução já havia sido absorvido pelo mercado nos pregões anteriores.

Com isso, os investidores acabaram optando por elevado volume de saídas de posições compradas, movimento típico de realização de lucros. Os outros fatores que ajudaram a dar essa conotação negativa aos preços foram o ajuste equilibrado de safra da América do Sul, com o corte proporcional na Argentina ao aumento do Brasil, o aumento na indicação de safra e estoques mundiais e o recuo nos mercados vizinhos, especialmente no caso do milho, por conta de aumento mais do que esperado nas projeções de estoques. Os destaques do relatório são os seguintes:

a) Também desta vez não houve alterações nos números da safra 2011/12 em todo o complexo soja, que já podem ser considerados finais;

b) Para 2012/13, levando em conta a manutenção dos números de safra, as alterações na soja ficaram limitadas ao consumo e aos estoques finais.

c) Na demanda, houve a manutenção das exportações previstas em 36,605 milhões de toneladas, ainda 1% inferior a 37,068 milhões do último ano. Essa postura do Departamento foi entendida como um mau sinal pelo mercado, já que o forte ritmo acumulado de embarques e registros apontariam para aumento de projeção. Ou seja, que o USDA estava prevendo cancelamentos de compras pelos chineses, assim que a safra sul-americana fosse confirmada. E foi isso o que já começou a acontecer;

d) Com isso, a mexida aconteceu especificamente no processamento, subindo de 43,681 milhões de toneladas para 43,953 milhões, ficando agora 5% inferior aos 46,348 milhões do recorde do ano passado;

e) Dessa combinação chega-se agora a estoques finais de 3,402 milhões de toneladas, 7% inferiores a 3,674 milhões da estimativa anterior e 26% abaixo dos 4.599 mil t do estoque de ingresso. Essa posição volta a ser a menor desde 2003/04.


MILHO

EXPORTAÇÃO DEPENDE DA SAFRA AMERICANA

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho se aproxima do terceiro mês de 2013 com uma expectativa de safra muito positiva, próxima a 71 milhões de toneladas, segundo a avaliação de Safras & Mercado. A grande pergunta é se o país conseguirá repetir o excelente resultado obtido na exportação em 2012, quando foram embarcados expressivos volumes de 22,29 milhões de toneladas de milho. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, este desempenho recorde no ano passado decorreu da quebra histórica na safra norte-americana, que enxugou a oferta internacional do cereal e abriu caminho aos embarques brasileiros. “A tendência, pelo menos por enquanto, é de que a safra norte-americana se desenvolva de forma mais normal, o que proporcionaria o retorno dos Estados Unidos ao mercado internacional, reduzindo, consequentemente, a competitividade do cereal brasileiro na exportação”, afirma.

Por conta disso, a expectativa de Safras é de que o país possa embarcar em torno de 12,5 milhões de toneladas de milho neste ano. Molinari estima que os embarques de fevereiro possam superar 2 milhões de toneladas, pois houve atrasos em janeiro, muito embora, a partir de março, somente o RS tenha condições de embarcar o cereal. “Os portos, a partir de agora, estarão concentrados nas exportações de soja e esse processo deve se prolongar até maio. Apenas de junho em diante poderão ser registrados embarques de milho já negociado nos meses anteriores a preços confortáveis”, sinaliza. Entretanto, a partir do segundo semestre, havendo um desenvolvimento normal da safra norte-americana, que projeta área e potencial produtivo recordes, a tendência é de que os compradores mundiais reduzam o interesse pelo milho brasileiro, o que acabaria pressionando as cotações do cereal no mercado interno.


CAFÉ

PREÇOS CAEM NO MERCADO INTERNACIONAL

Lessandro Carvalho - [email protected]

Fevereiro esteve marcado por perdas no mercado internacional do café. As cotações na Bolsa de Nova York, que baliza o mundo da commodity, caíram e, no Brasil, o movimento foi seguido à risca. A safra brasileira 2013 foi grande e os produtores não escoaram ainda uma fatia muito significativa desta produção, enquanto os compradores estão tranquilos diante de uma temporada 2012/13 de melhora na oferta. Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, ainda há muito café estocado do Brasil e a safra 2013 também deverá vir em bom volume, mesmo diante do ciclo bienal da cultura, que indica que neste ano a produção tende a ser menor após a safra 2012 cheia. “Além disso, o comprador está seletivo por qualidade”, aponta o analista, o que limita qualquer tendência altista. Outro fator negativo é que, depois de temporadas seguidas com problemas, em 2012/ 13, a Colômbia e os países da América Central, produtores de café arábica lavado de alta qualidade estão, enfim, tendo safras ao menos normais. Neste aspecto, Barabach enfatiza o cenário macroeconômico. A Europa segue com sua crise, que gera problemas de crédito para as empresas, e os Estados Unidos mantêm seu crescimento estagnado. Assim, os grandes players, ou compradores, mesmo com estoques relativamente baixos, continuam comprando apenas da “mão para boca”, suprindo necessidades de curto prazo. E podem fazer isso porque há uma melhora na oferta global de café. O analista lembra que o Brasil ainda tem boa parte da safra 2012 a vender, e em poucos meses já começa a chegar a safra 2013. Sabendo disso, o comprador mantém sua postura cautelosa e da “mão para boca”. Para Barabach, o mercado precisa de novidades para quebrar essa “lógica baixista”. Do contrário, terá dificuldades para se recuperar.


ARROZ

COMPRADORES SE RETRAEM NO AGUARDO DE NOVA SAFRA

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de arroz em casca ingressou na penúltima semana do ano comercial com a saca de 50 quilos cotada por volta de R$ 34 no Rio Grande do Sul e com reduzido volume de negócios. Com a iminência da colheita da safra nova, os compradores estão retraídos, aguardando momentos mais atrativos para aquisições. Tomando-se como referência a região de Pelotas/RS, a atual temporada iniciou com a saca cotada a R$ 26,43. A mínima apresentada foi de R$ 25,38 no dia 15 de março de 2012, reflexo da pressão sazonal de ingresso de safra. A partir do dia 20 de março, as cotações iniciaram uma escalada de alta, ainda de forma gradual, mas já como resposta à redução do volume a ser colhido no país, de 13,62 milhões de toneladas para 11,55 milhões de toneladas (-2,062 milhões de toneladas).

Chegado o período de entressafra, a partir de agosto de 2012, a escalada altista ganhou força, alcançando a máxima da temporada no início de outubro de 2012, em R$ 39,28/saca, o maior patamar (em termos nominais) desde o dia 24 de janeiro de 2004. Atingido este patamar de resistência, as cotações lateralizaram e, a partir da segunda quinzena de novembro, passaram a recuar. Esta trajetória de queda foi encontrar um ponto de suporte no início de janeiro de 2013, num patamar próximo a R$ 34, o qual mantém até o momento. A tendência é que com o avanço da colheita haja um rompimento deste suporte.

Mesmo com um quadro de abastecimento bastante ajustado para o ciclo comercial 2013/14, a entrada de 80% da safra nacional entre março e abril não deve passar sem reflexos sobre as cotações. Mesmo assim, o sentimento que existe no mercado é de que os preços não chegarão ao nível do mínimo estabelecido pelo Governo. Se confirmada esta percepção dos agentes, o Governo não estará presente na ponta compradora do mercado com seus mecanismos do Programa de Garantia de Preços Mínimos. Com isso, a intensidade da retração dependerá do resultado da queda de braços entre compradores e vendedores, num período em que o excesso de oferta tende a favorecer os últimos. Na média do ano comercial, no entanto, uma análise dos fundamentos do mercado doméstico mostra que a tendência é de que os preços fiquem acima do nível psicológico de R$ 30/saca.