Milho

Pragas INICIAIS que comprometem

O tratamento de sementes é um dos métodos mais eficientes no controle das pragas de início de ciclo, sobretudo se considerada a relação custo/benefício

Percevejo barriga-verde, geralmente encontrado nesta posição e local na planta: é preciso pulverizar quando encontrado mais de um por metro quadrado de lavoura

Engenheiro agrônomo Dionisio Link, doutor, professor titular da Universidade Federal de Santa Maria/RS (UFSM), e Mauricio Paulo Batistella Pasini, estudante de pós-graduação em Agronomia da UFSM

A cultura do milho, por ser cultivada no Brasil em época climaticamente propícia a um grande número de espécies de insetos e de outros organismos herbívoros, serve de alimento para inúmeras destas espécies. Praticamente em todos os órgãos e em todos os estádios fenológicos desta cultura existem insetos e outros organismos associados, embora poucos atinjam a situação de pragas, do ponto de vista econômico. Destaque especial merecem as chamadas pragas iniciais, que atacam sementes e plântulas e cujos danos se traduzem pela redução da população de plantas.

O milho safrinha representa uma alternativa econômica do uso da terra em períodos após a safra normal, possibilitando a obtenção de melhores preços decorrentes da menor oferta de produto. Contudo, é de fundamental importância o cuidado com pragas iniciais, principalmente percevejos pentatomídeos do gênero Dichelops (percevejo barriga- verde) e as lagartas Elasmopalpus lignosellus (broca-do-colo) e Spodop- Divulgação Percevejo barriga-verde, geralmente encontrado nesta posição e local na planta: é preciso pulverizar quando encontrado mais de um por metro quadrado de lavoura A GRANJA | 59 tera frugiperda (lagarta do cartucho), sendo fundamental para estas a prevenção com o tratamento de sementes.

Sementes, raízes, partes subterrâneas e colmo — Este grupo de insetos- praga compreende as espécies larva- alfinete (Diabrotica speciosa), coródas- pastagens (Diloboderus abderus), coró-do-trigo (Phyllophaga triticophaga) e o coró-pequeno (Cyclocephala flavipennis). Embora estas espécies apresentem elevada importância econômica para o milho safra, no milho safrinha é baixa a incidência destas pragas, justificada pelas condições climáticas desfavoráveis a ocorrência destes insetos.

A broca-do-colo é uma lagarta de coloração marrom-esverdeada, muito ativa, que mede cerca de dois centímetros de comprimento e ataca as plantas com até 30 centímetros de altura. Faz uma galeria ascendente a partir do colo da planta, provocando o secamento da folha central (“coração morto”) e até a morte de plântulas. Sua incidência está associada a períodos de seca e a solos bem drenados.

A lagarta-rosca é uma praga que vive enterrada no solo, à pequena profundidade, junto à plântula. Tem coloração pardo-acinzentada, é robusta e atinge até cinco centímetros de comprimento. Sai à noite e corta as plântulas ao nível do solo. Pode abrir galeria na base de plantas mais desenvolvidas, provocando o aparecimento de “coração morto” e de estrias claras nas folhas. A planta que sobrevive ao ataque pode perfilhar excessivamente, gerando uma “touceira” improdutiva. Sua ocorrência pode ser influenciada pela existência de plantas hospedeiras na área, como língua-devaca, picão branco, roseta, erva-de-bicho e caruru, antes da semeadura.

Nos últimos anos, percevejos pragas principais e até secundárias de soja e de outras leguminosas têm atacado o milho logo após a emergência, dependendo muito da cultura anterior e da forma como é manejada. Sugam plântulas ao nível do solo ou mais acima, danificando tanto pela sucção da seiva em si como pela injeção de saliva tóxica, provocando deformações, mau crescimento e morte de plantas.

A intensidade de ataque dos percevejos barriga-verde está intimamente ligada ao volume de palhada dessecada. Até o presente momento, não há uma técnica de amostragem eficiente e segura que permita estabelecer a densidade de percevejos existente na palhada, o que, convenhamos, não facilita qualquer estratégia de controle desta praga. Sabe-se que quanto maior for a quantidade da palhada, maior é a possibilidade da ocorrência de populações elevadas do percevejo. O conhecimento do histórico fitossanitário da propriedade é o fator mais importante para uma tomada de decisão em relação a esta praga. Se, em anos anteriores, a presença do percevejo foi constante, é muito provável que ocorrerá na safra a ser implantada e, então, a tomada de decisão de controle deve ser considerada como necessária.

Neste contexto, densidades de percevejos superiores a 0,5 adulto/metro de linha na semeadura, se não controladas, podem reduzir em até 100% o número de plântulas emergidas, nos primeiros dez dias após a emergência.

A lagarta-do-cartucho é a principal praga da cultura do milho, devido à sua ocorrência generalizada, e com potencial de ataque em todas as fases do desenvolvimento da planta, provocando quedas expressivas no rendimento. Quando o ataque ocorre na fase inicial da cultura, essas perdas são ainda mais significativas devido à morte das plântulas e à diminuição do número de plantas por unidade de área. Na fase final do cultivo seus danos se concentram na espiga.

Controle preventivo — O tratamento de sementes é um dos métodos mais eficientes no controle destas pragas iniciais, principalmente na relação custo/benefício. Dependendo de que pragas ocorreram nas safras anteriores e do cultivo precedente, o tratamento de sementes é uma garantia de um bom estande e desenvolvimento inicial do cultivo. Para a maioria das pragas iniciais da cultura do milho, somente o tratamento das sementes resolve a questão. No caso dos percevejos barriga-verde, em amostragem com mais de cinco exemplares por dez metros de linha, ou aproximadamente um percevejo por metro quadrado, haverá necessidade de uma pulverização curativa entre quatro e sete dias após a emergência, pois os resultados de pesquisa indicaram que neste nível de infestação, somente o tratamento de sementes consegue, no máximo, 55% de controle, resultado este não satisfatório para o produtor.

No mercado existem vários produtos registrados para estas pragas com diferentes ingredientes ativos. O monitoramento das espécies de insetos-praga nas áreas de cultivo e suas adjacências é fundamental para estabelecer medidas de manejo para as principais pragas do milho safrinha, sendo vital o manejo preventivo com o tratamento de sementes.