Arroz

 

Bom momento do arroz em EVIDÊNCIA

Na tradicional Abertura Oficial da Colheita do Arroz, realizada em Restinga Seca/RS, no mês passado, Governo anunciou R$ 1 bilhão de apoio à comercialização

A 23a Abertura Oficial da Colheita do Arroz, evento promovido anualmente no Rio Grande do Sul pela Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz), reuniu autoridades, produtores e empresas por três dias para exposição de tecnologias, palestras e debates e eventos sociais. A edição deste ano foi realizada em Restinga Seca, no final de fevereiro, e teve a presença do governador Tarso Genro; do secretário de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Caio Rocha (que representou o ministro Mendes Ribeiro Filho); do secretário de Política Agrícola do ministério, Neri Geller; do secretário estadual de Agricultura, Luís Fernando Mainardi; do presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Cláudio Pereira; do presidente da Associação dos Produtores de Arroz dos EUA, Dwight Roberts; do presidente do Sistema Farsul RS, Carlos Sperotto, e do presidente da Federarroz, Renato Rocha, além de outras autoridades.

O Governo Federal anunciou recursos do Banco do Brasil no valor de R$ 1 bilhão para a comercialização do cereal, Empréstimos do Governo Federal (EGF) e custeio da safra 2013/14. O valor corresponde a R$ 600 mil em EGF (com juros de 5,5% e prazo de seis anos), R$ 300 mil em recursos para a aquisição antecipada de insumos e R$ 100 mil para investimento em máquinas e equipamentos (com juros de 3% e dez anos para pagar, sendo 100% do valor dos bens financiados). Já o governador Tarso Genro elogiou o empenho de produtores e entidades representativas na busca de alternativas para solucionar a crise da última safra a partir da criação de oportunidades para diversificar a lavoura – como a inclusão da soja na grade de produção. E reforçou a parceria dos governos estadual e federal para solucionar os problemas do setor, como o aporte de R$ 2,7 bilhões no ano passado. “Agora precisamos trabalhar na questão das cotas de importação do Mercosul, além, é claro, de continuarmos trabalhando para garantir a rentabilidade do produtor.”

O presidente da Federarroz ressaltou a importância da orizicultura para o país ao mencionar que a produção do estado vai oferecer o cereal para 190 milhões de brasileiros e mais de 20 milhões de pessoas nos vários países para onde o arroz gaúcho é exportado. O dirigente ressaltou que a cultura no estado vive um novo momento nesta safra, com equilíbrio entre produção e consumo, rotação de culturas, integração lavoura-pecuária, além da expectativa de uma nova política nacional de armazenagem.

E sobre a recuperação dos preços a partir do segundo semestre de 2012, Rocha explicou que nos últimos 12 anos o poder de compra do consumidor aumentou 182%. “Em 2000, com o salário mínimo de R$ 151 e o preço do quilo do cereal no varejo a R$ 0,96, era possível comprar 167 quilos de arroz. Em 2012, com o salário mínimo de R$ 622 e o quilo do arroz a R$ 2, é possível comprar 311 quilos. Em outras palavras, o poder de compra do consumidor em relação ao arroz, conforme o Dieese, aumentou em mais de 300%”, quantificou. Apesar do bom momento, Rocha reforçou junto aos representantes de governos o apoio às demandas do setor, como o estabelecimento de cotas de importação para a entrada do produto do Mercosul, incentivo às exportações, reforma tributária, liberação imediata de recursos para a comercialização da safra e elevação da Tarifa Externa Comum.

Evento reuniu lideranças do segmento do arroz e autoridades e teve anunciado apoio de R$ 1 bilhão para comercialização

Preços firmes — O momento da orizicultura foi tema de palestra do consultor Tiago Sarmento Barata, da Agrotendências. E, segundo ele, o momento é propício para incrementar as exportações. Conforme Barata, os fundamentos desta safra apontam para uma relação de oferta e demanda bastante ajustada dando condições para a manutenção dos preços firmes. A tendência é de que as cotações registrem uma queda neste início de ano em razão da maior oferta de produto logo após a safra, mas este cenário de preços menores também tem seu lado positivo, pois favorece as exportações devido à entressafra nos países da Ásia, ajusta o estoque nacional e ajuda a alavancar melhores preços no segundo semestre. “Em grande parte a recuperação dos preços no mercado doméstico se deve à organização da classe produtiva, ou seja, temos uma safra mais ajustada ao consumo, produtores com maior capacidade de retenção da produção e com a soja em seu portfólio para comercializar no primeiro semestre”, observou.

E, embora a questão dos preços seja bastante complexa no Brasil, conforme o consultor, ainda é possível projetar uma valorização do produto no mercado doméstico. “Os preços tiveram uma recuperação em 2012 e, para este ano, teremos uma safra dentro da normalidade. O consumo é teoricamente estável e o estoque público menor implica também na menor capacidade de o Governo intervir no mercado. Haverá um peso importante da balança comercial, a relação entre as exportações e importações. A projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta exportações de 1,1 milhão de toneladas e importações de 900 mil toneladas, pelo menos por enquanto pode ser vista como especulação”, pondera. Segundo ele, para que se confirme a expectativa da Conab, o arroz brasileiro precisa ter preços competitivos no mercado internacional. Mas, por outro lado, conforme Barata há o risco de incremento das importações do Mercosul em razão da perspectiva de aprovação do estabelecimento de cotas para a entrada do grão dos países do bloco, o que pode contribuir para que antecipem seus embarques ao Brasil.