Showtec

 

O melhor do MATO GROSSO DO SUL em exposição

A 17ª edição da feira Showtec, em Maracaju, reuniu produtores e especialistas e teve mais de 500 tecnologias apresentadas

O produtores do Mato Grosso do Sul poderão ter até três safras a partir do uso da tecnologia da irrigação. Essa foi uma das muitas das ideias de oportunidades de agregação de renda apresentadas durante a 17ª edição do Showtec 2013, feira realizada no final de janeiro, na Fundação MS, em Maracaju/MS. O engenheiro agrônomo Jânio Fagundes Teles apresentou a eficiência da irrigação para os produtores e a possibilidade de ter mais uma safra com a ajuda da irrigação. “É claro que a tecnologia e a implementação exigem um investimento que não é baixo e isso dificulta para que o produtor possa implantar a tecnologia”, ponderou. A feira é realizada pela Fundação MS e promovida por Sistema Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), Sistema OCB/MS (Organização das Cooperativas Brasileiras) e Aprosoja/MS (Associação de Produtores de Soja de MS).

O Showtec 2013 teve mais de 500 tecnologias apresentadas, entre elas 50 tipos de híbridos de milho, sendo 20 lançamentos e 40 cultivares de soja. “Nossa expectativa foi alcançada. Esse ano, buscamos profissionalizar ainda mais o evento. Nossa intenção é aproximar a pesquisa e a tecnologia do produtor rural”, aponta o diretor executivo da Fundação MS, Renato Roscoe. Esta edição teve sua área ampliada de 12 para 15 hectares. E a pecuária também ganhou mais destaque com as mostras tecnológicas. Roscoe explica que o avanço das tecnologias no Showtec está ligado principalmente à diversificação das áreas de lavoura e ao aprimoramento dos produtores. “Hoje, o produtor rural que investe em pecuária e em lavoura sabe que consegue tirar um ganho maior sem precisar de novas áreas, com a eficiência da agricultura numa área cada vez menor, o produtor nota que pode criar gado da mesma forma”, explica. Cresceu também o número de expositores, para 130. Quanto ao volume de negócios, Roscoe informa que é difícil quantificar, principalmente porque a maioria dos negócios é fechada ao longo do ano.

“Nossa expectativa foi alcançada. Esse ano, buscamos profissionalizar ainda mais o evento. Nossa intenção é aproximar a pesquisa e a tecnologia do produtor”, destaca Renato Roscoe

Nos três dias do evento, muitas foram as tecnologias, técnicas e oportunidades agroeconômicas discutidas ou apresentadas. Como as referentes ao segmento de florestas plantadas. Segundo o pesquisador da Fundação MS, Alex Melotto, o plantio de floresta representa uma nova fronteira de produção no estado, uma possibilidade de alavancar a economia e incentivar a industrialização. Mas, antes, explica, para o produtor o primeiro passo é a escolher o perfil de produção. “É preciso ver a demanda local de celulose ou madeira antes de iniciar o plantio, para que, mais tarde, o produtor não fique na mão”, argumenta. Além de analisar a demanda no mercado, outros detalhes devem ser levados em consideração. “Levantar a disponibilidade de mão de obra local, se o comércio de insumos da região atende e se estradas e pontes na região vão facilitar o escoamento”.

A utilização da floresta na integração com outras culturas pode ser ainda mais rentável ao produtor. Segundo Melotto, a atividade praticada em parceria com a pecuária possibilita mais produtividade animal. “Fora o lucro com a venda das árvores, o produtor levará, de quebra, para sua propriedade um sistema climático eficiente. As árvores podem reduzir até 8 graus nas horas mais quentes do dia e aumentar até 6 graus nos dias mais frios do ano, mantendo o conforto térmico animal, evitando que os mesmos tenham desgaste energético com aquecimento e refrigeração corporal”, explica. E, para o meio ambiente, as florestas aumentam a penetração de água no solo e são fontes de alimento e abrigo para a fauna.

Soja consorciada — Mais peso, mais vagens e plantas mais altas. O sistema integrado de plantio da soja consorciada com o milho e a braquiária foi outra técnica apresentada na feira. Entre os benefícios, a soja obteve peso médio 50% superior por planta (de 20,2 para 30,9 quilos), a altura da oleaginosa consorciada com o milho safrinha cultivado junto com a braquiária atingiu 60,6 centímetros, enquanto que a soja, sem o consórcio, alcançou 55,9 centímetros, e a quantidade de vagens por planta possibilitou 55 grãos, enquanto da soja solitária foi de 35,7 grãos em média. “Se o produtor rural investir e aplicar a tecnologia de forma correta, os resultados em produtividade são garantidos”, argumenta o engenheiro agrônomo e pesquisador da Fundação MS André Luis Lourenção.

A agricultura de precisão também esteve em pauta no Showtec. A ferramenta se encaminha para a terceira fase, “a que vai agilizar o tráfego das máquinas, facilitando o plantio e economizando, tornando a propriedade mais eficiente”, conforme o produtor Elvio Rodrigues, que falou sobre a sua experiência na palestra “Onde queremos chegar com a agricultura de precisão?”. Conforme ele, nessa nova fase, caminhão e colheitadeira devem andar juntos, sem o tempo perdido para retorno do descarregamento. A primeira fase da AP, segundo ele, foi quando o mapeamento indicava quais áreas para a correção do solo; a segunda, a atual, é a que garante, além da correção do solo, a possibilidade de plantar outras variedades de sementes, adequando aquelas a determinado talhão.

A agricultura de precisão usa o georreferenciamento para mapear as propriedades e verificar as áreas de maior ou menor produtividade, facilitando a tomada de decisão do agricultor. Esse mapeamento faz com que o produtor economize insumos, ganhe em produtividade e aumente o lucro. O ajustamento no tráfego de maquinários para plantio e colheita na AP deve ficar mais rápido em 81,5%. “Hoje, a média de tempo gasto é de 53,5 minutos. Com o ajustamento das máquinas e software, a velocidade deve subir para 19 minutos”, mencionou o palestrante, que também é engenheiro agrônomo. Mas, de acordo com ele, apesar da agricultura de precisão ser uma ótima ferramenta para o produtor, ainda existem dificuldades, como a assistência técnica. “Se compramos uma máquina de determinada marca, seu software não conversa com o outro”, exemplifica. Entre os demais desafios, a falta de mão de obra qualificada, o alto valor dos equipamentos, a obrigação de correção dos softwares, além da necessidade de pensar no longo prazo.