Dia de Campo

 

Novas tecnologias pesquisadas e COMPARTILHADAS

Cerca de 2 mil pessoas, sobretudo produtores, participaram dos dias de campo da Fundação MT realizados nos principais polos de agricultura do Mato Grosso

Leandro Mariani Mittmann
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Mais do que desenvolver novas técnicas e tecnologias, a Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT) procura partilhar estas novidades com os produtores. Para isso, promoveu, entre metade de janeiro e de fevereiro, dias de campo em dez diferentes regiões do Mato Grosso, oportunidades em que a equipe técnica da instituição e convidados abordaram os mais diferentes temas de interesse do produtor, de novas variedades a perspectivas de mercado. Ao todo, cerca de 2 mil pessoas acompanharam de perto as palestras e os debates. “Nossa percepção é que mais uma vez a participação dos produtores de soja de Mato Grosso foi maciça, apesar de todos os problemas enfrentados por eles devido ao excesso de chuvas. Mesmo com isso, o produtor prestigiou e participou efetivamente dos dias de campo da Fundação MT, sinal que, mesmo com todas as adversidades, ele não descuidou do planejamento da próxima safra”, avalia Fabiano Siqueri, gestor de Marketing e Relacionamento da fundação.

A reportagem d’A Granja participou de um destes dias de campo, em Itiquira, na estação experimental Cachoeira, pertencente à fundação. Apesar de chuva incessante, os produtores não deixaram de acompanhar as palestras que variaram de temas como nematoides a diferentes consorciações de milho, cro- Leandro M. Mittmann A GRANJA | 51 talária e braquiária. O pesquisador da fundação Leandro Zancanaro, por exemplo, expôs aos visitantes os ensaios com diferentes aplicações de nitrogênio – inclusive ureia líquida – em adubação de cobertura na soja. A Fundação MT segue uma orientação do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb), que estimula técnicas e tecnologias que redundem em altíssimas produtividades. “Se é para alta produtividade, o nitrogênio não está limitando?”, questiona o pesquisador. “Para 90 a 100 sacas por hectare, o nitrogênio em nódulos não pode estar limitando? Esta é a dúvida”, acrescenta. Esta pesquisa é parte integrante de uma rede de ensaios proposta pelo Cesb para esta safra. A fundação conduz oito experimentos, em Itiquira e Sapezal, em solos arenoso e argiloso, via aplicação de ureia granulada no solo e foliar.

Nematoides são um pavor generalizado na agricultura brasileira, e no dia de campo de Itiquira foi tema de palestra da pesquisadora da fundação Rosangela Silva. Segundo ela, a partir da constatação da presença dos nematoides na propriedade, deve-se mapear em quais talhões eles atacaram e a quais espécies pertencem. “Depois destas respostas, determinar quais ferramentas (para enfrentá- los)”, esclarece Rosangela. Conforme ela, cinco espécies estão presentes nas lavouras do Mato Grosso, sendo que o nematoide das lesões é o mais comum. Porém, é dada muita atenção ao nematoide das lesões e pouca ao de cisto, detectado pela primeira vez em lavouras do estado 20 anos atrás. “Ele tem estrutura de sobrevivência no solo”, descreve. “As condições ideais para a soja também são as (ideias) do nematoide”, acrescenta. Rosangela também detalhou uma série de orientações para o enfrentamento dos nematoides, de acordo com cada espécie, desde o uso de cultivares resistentes, rotação de culturas à aplicação de defensivos.

Múltiplas pesquisas - Os trabalhos desenvolvidos pela equipe técnica da Fundação MT na estação experimental Cachoeira têm por finalidade contribuir para o avanço sustentável da agricultura no Cerrado por meio de pesquisas sobre fertilidade, manejo do solo e rotação de culturas para produção de grãos e fibras, explica Claudinei Kappes, pesquisador da fundação. Segundo ele, estão em avaliação sistemas de rotação de culturas para soja, milho e algodão, plantas de cobertura, adubação em solos de alta fertilidade, formas de introdução de nitrogênio no sistema de produção, calagem superficial em sistema plantio direto e estudo dos efeitos de doses de gesso sobre a dinâmica dos nutrientes no solo, entre outras. “Os resultados de maior impacto estão relacionados à correta utilização do solo e rotação de culturas para a soja. A terra já nos ‘disse’ que o modelo de sucessão de culturas soja/milho safrinha, realidade mais comum no Mato Grosso, é um sistema insustentável e exaustivo”, destaca Kappes. “A terra nos mostra a necessidade da adoção de sistemas produtivos mais complexos e que envolvam a rotação de culturas.”

O jornalista esteve no dia de campo a convite da Fundação MT