Primeira Mão

 

Liderança em preto, verde e amarelo

De cada três cafés sorvidos em mesas do planeta no ano passado, além do preto característico da bebida, um era ornamentado pelo verde e amarelo. Traduzindo: o Brasil gerou um terço do café mundial em 2012. Segundo a Organização Internacional do Café (OIC), a produção global foi de 144,5 milhões de sacas (de 60 quilos), das quais 50,8 milhões saíram de lavouras brasileiras. Bem atrás, o Vietnã, com 22 milhões. Além de principal produtor, é o maior exportador e segundo consumidor (atrás dos EUA). As receitas das exportações no ano passado foram de US$ 6,4 bilhões.


“O Brasil mudou de patamar"

O vice-presidente sênior da AGCO América do Sul, André Carioba, mostra-se extramente otimista com a agricultura brasileira. Ele esteve no Show Rural Coopavel, e manteve uma conversa exclusiva com a reportagem d’A Granja. Para o executivo, o “ambiente é bastante positivo e bem animado”. Avaliou que, ao lado dos bons preços das commodities, o “elemento fundamental” para o momento animador é a linha de financiamento para máquinas PSI Finame, com juros de 3% ao ano, que possibilita ao produtor renovar as máquinas. “É nem metade da inflação”, comparou. “Devemos estar à frente de um 2013 bastante saudável”, previu. “O Brasil mudou de patamar. Antes tinha mais oscilações.”

Carioba também relevou que a AGCO, que tem as marcas Massey Ferguson e Valtra, vai se “dedicar mais” à África. Entre as investidas, serão levados do Brasil tratores MF para a Argélia, país que depois vai montá-los. Além disso, a AGCO abriu um escritório na África do Sul e, em Zâmbia, mantém uma fazenda-modelo onde são treinadas 100 pessoas. “É preciso ter gente preparada para cuidar do campo”, justificou. Conforme ele, na África a vida útil de um trator é de apenas 8 meses, visto seu uso inadequado, a falta de assistência técnica e de peças simples. “O africano precisa se alimentar de preferência em casa. Produzir o arroz e o feijão, literalmente”.


AFUNDANDO

O Brasil terá um apagão portuário em 2020 se a Medida Provisória 595, que prevê medidas para modernizar o setor, não for aprovada pelo Congresso. O dramático alerta é da presidente da CNA, Kátia Abreu. “Se não tomarmos providências e aprovarmos essa MP, permitindo que a iniciativa privada possa investir na atividade portuária, assumindo riscos, aumentando a capacidade de escoamento e expandindo o sistema portuário, teremos um apagão nos próximos sete anos”, previu. Segundo ela, a movimentação de contêineres poderá duplicar nos próximos sete anos, o que exigiria o investimento privado.

Conforme levantamento do Fórum Econômico Mundial mencionado por ela, quanto à qualidade de portos, o Brasil ocupa (pasme!) a 130ª posição numa lista de 142 países. Por aqui o desembaraço aduaneiro demora na média 5,5 dias, ante 2,9 dias na média mundial. Sem contar o “show” da burocracia: 1 - as licenças ambientais para a construção dos portos demoram de três a quatro anos, o mesmo tempo para a construção do porto; 2 - o processo de despacho e recebimento das cargas causou prejuízos de R$ 246 milhões em 2010, reflexo de 79 mil horas que os navios ficaram parados nas costas brasileiras.


US$ 18,8 bilhões

Este foi o ganho econômico dos produtores brasileiros pela adoção da biotecnologia, desde 1996. Pelo estudo da consultoria Céleres, os sucessivos ganhos de produtividade graças à tecnologia são responsáveis por US$ 9,6 bilhões, ou 51% do total de ganhos. Já US$ 5,6 bilhões (30%) corresponderam à redução de custos pelo manejo facilitado das culturas modificadas. Apenas 19% dos benefícios econômicos, ou US$ 3,6 bilhões, ficaram com a indústria. Portanto, aumento de produtividade + redução de custos propiciou aos agricultores abocanharem um “extra” de US$ 16 bilhões.

E nesta safra, pela primeira vez, a área de cultivos geneticamente modificados deve ultrapassar a de convencionais. Conforme a Céleres, serão 37,1 milhões de hectares de GM – +14% ante a safra anterior ou 4,6 milhões de novos hectares. Como o país deverá plantar 67,7 milhões de hectares (número do IBGE), a extensão “modificada” representa 54,8%. A soja modificada já é 88,8% do total.


NÃO FOSSE A EMBRAPA

De 82,68 milhões de toneladas de soja previstas a serem colhidas nesta safra, 52 milhões deverão deixar solos dos cerrados. Ou 63%. É bom recordar que, pela origem de clima temperado (China), a oleaginosa não teria condições de gerar frutos comercialmente nos paralelos em que se localizam os cerrados tropicais (basicamente Região Centro-Oeste). Porém, os incansáveis estudos conduzidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – mais conhecida como Embrapa – adaptaram a cultura a tais regiões. A variedade Doko, desenvolvida pela instituição, foi a primeira adaptada à região, em 1980. “Ela crescia e produzia bem, mesmo em solos de primeiro ano de cultivo”, descreve o pesquisador aposentado Plínio de Mello, responsável pela seleção da cultivar.


Dinheiro chega antes

Para facilitar a vida do produtor, o Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014 será lançado um mês antes, em maio. Serão R$ 116 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 18 bilhões para a familiar. Quem garantiu foi nada menos do que a presidente Dilma Rousseff, em Cascavel/PR, ao participar do Show Rural Coopavel. “O que os agricultores gastarem, nós cobriremos. Se eles conseguirem tomar para custeio e investimento, teremos mais recursos”, discursou na abertura da feira. “O Brasil é extremamente competitivo, chova ou faça sol, na produção de alimentos. Essa receita nos transformou em uma potência agrícola”, elogiou.


MATO SOJA GROSSO

Um terço da renda bruta da soja no Brasil fica no bolso dos produtores mato-grossenses. Segundo o Valor Bruto de Produção da agropecuária brasileira, dos R$ 89,3 bilhões previstos para serem gerados pela oleaginosa em 2013, R$ 28,7 bilhões referem-se à renda obtida no Mato Grosso (32%). E se somadas todas as culturas e criações, o estado fica com R$ 45 bilhões, atrás do líder São Paulo, com R$ 49 bilhões.