Agribusiness

 

TRIGO

MERCADO SEGUE COM POUCOS NEGÓCIOS E PREÇOS ELEVADOS

Juliana Winge - [email protected]

O mercado doméstico de trigo segue estável. A intensificação das vendas não ocorreu devido à discordância fundamental dos mercados entre compradores e vendedores. No segundo maior produtor nacional, o Rio Grande do Sul, o mercado segue lento para o trigo de boa qualidade, que possui valor indicado para a compra no interior em R$ 680/tonelada. Na venda o valor chega a R$ 700/tonelada. Desse modo, o preço praticado em janeiro no Rio Grande do Sul é 3,03% superior ao registrado no mesmo período de dezembro. “Em tempo, o trigo negociado no estado possui os mais variados prazos de pagamento, o que aumenta a complexidade para fechamento de negócios”, destacou o analista de Safras & Mercado Renan Magro. O trigo tipo ração, por possuir preços menores, está com demanda mais aquecida no Rio Grande do Sul, seu preço médio é de R$ 550/tonelada. No Paraná, as operações de compra e venda de trigo ainda seguem devagar e os preços elevados. Restam aproximadamente 10% da safra paranaense para serem comercializados. Assim, as vendas ocorrem pontualmente no interior do estado. Em Cascavel, R$ 780/tonelada é o valor indicado para a compra e R$ 800/tonelada é o valor para venda, apontando alta de 4% em um mês. Fato importante neste ano para o mercado de trigo no Mercosul é a desoneração da cobrança da Tarifa Externa Comum (TEC) sobre o produto importado de países externos ao bloco, que hoje é de 10%. Em 2008, num momento semelhante, a TEC foi suspensa. Entretanto, a medida não teve a resposta esperada e acabou afetando tanto produtores quanto moinhos. Outras medidas que a Conab poderá tomar são a venda de estoques de trigo e o aumento do preço mínimo. Quanto aos estoques governamentais, espera-se que os leilões ocorram nos meses de fevereiro e março, já quanto aos preços mínimos a tendência é de pequena alteração para a safra 2013/2014.


ALGODÃO

MERCADO BRASILEIRO REGISTRA PREÇOS FIRMES

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão registrou preços firmes na segunda semana de janeiro. Os agentes retomaram as compras. Porém, a falta de produtos de melhor qualidade retraiu os compradores e a quantidade de vendas ficou limitada. No dia 14, as indicações seguiram nominais no Cif São Paulo, ficando cotado por volta de R$ 1,65 por libra-peso, acumulando alta de 4,4% em relação ao mesmo momento do mês passado, quando estava a R$ 1,58 por libra-peso. A safra brasileira de algodão em pluma na temporada 2012/13 está estimada em 1,442 milhão de toneladas, recuo de 23,1% na comparação com as 1,877 milhão de toneladas indicadas na safra 2011/12. Os números fazem parte do quarto levantamento da Conab para a safra 2012/13, divulgado no dia 9. No terceiro levantamento eram esperadas 1,468 milhão de toneladas.

A produtividade das lavouras está estimada em 1.464 quilos de algodão em pluma por hectare, ante 1.347 quilos por hectare na temporada 2011/12. A área plantada na temporada 2012/13 está estimada em 985,3 mil hectares, retração de 29,3% na comparação com 1,393 milhão de hectares da safra passada. O Mato Grosso, principal produtor, deverá colher uma safra de pluma de 755 mil toneladas, número que representa um recuo de 27,9% ante 2011/12, quando foram produzidas 1,046 milhão de toneladas. A Bahia, segundo maior produtor, deve colher 444,6 mil toneladas de pluma, queda de 8,1% sobre 2011/12 (483,6 mil toneladas). Goiás deverá ter uma safra 2012/13 de 92,6 mil toneladas, com decréscimo de 28% sobre 2011/12 - 128,7 mil toneladas.


SOJA

OTIMISMO PARA A OLEAGINOSA EM 2013

Dylan Della Pasqua - [email protected]

Mais um ano está começando e, a exemplo do quadro observado nos últimos seis anos, há sentimento otimista em relação à expectativa de renda para os produtores brasileiros de soja. No lado positivo as projeções de redução no custo unitário de produção, por conta de avanços na produtividade média, e preços médios amplamente remuneradores e bem acima do padrão histórico, combinando médias ainda elevadas na Bolsa de Chicago (Cbot) e taxas de câmbio positivas para o setor exportador. E no lado limitante o aumento geral nos custos de produção. Como variáveis-chave nesse processo há evidentemente o comportamento do clima e a definição dessa crucial e ainda incerta safra sul-americana, principalmente em tempos de ausência dos fenômenos El Niño e La Niña. E, na sequência, a definição da safra dos Estados Unidos durante 2013.

Essencialmente, esse bom resultado viria pela combinação de vendas antecipadas de 50% da projeção de produção com preços remuneradores, melhora no desempenho da produtividade média sobre 2012, preços médios mais acomodados em relação ao ano que passou, mas ainda bem acima da média. A maior limitação viria pelo aumento já confirmado nos custos de produção. Em relação aos preços, o suporte viria pelas médias ainda historicamente elevadas para a Cbot diante do aperto nos estoques norte-americanos, prêmios de exportação ainda positivados pela firme demanda e taxa de câmbio com boas chances de superarem a média deste último ano.

Dentro desse contexto, os principais fatores de atenção e que podem inverter ou maximizar essas tendências são uma cópia do sugerido há um ano atrás: o comportamento final do clima e a definição da nova safra sul-americana; a definição de área e o comportamento do clima nos EUA a partir de abril; e o encaminhamento do processo de recuperação da economia mundial. Neste último caso essa variável seria fundamental para a montagem da amplitude na expansão do consumo, como para permitir melhores dias no mercado financeiro.A produção mundial de soja está agora estimada em 269,41 milhões de toneladas, contra 267,72 milhões no relatório anterior. Os estoques mundiais caíram de 59,93 milhões para 59,46 milhões de toneladas. O USDA estima produção brasileira de 82,5 milhões de toneladas, contra 81 milhões do relatório anterior. A safra americana teve estimativa elevada de 80,66 milhões de toneladas para 82,06 milhões de toneladas.


MILHO

COLHEITA COMEÇA EM SÃO PAULO E NO RIO GRANDE DO SUL

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda quinzena de janeiro com um quadro de negócios acomodados. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a antecipação de colheita em São Paulo e no Rio Grande do Sul contribuiu para um maior ingresso de oferta de milho no mercado interno. Entretanto, está havendo um descompasso entre vendedores e compradores. “O vendedor está pedindo preços muito acima dos desejados pelos compradores, o que mantém o ritmo de venda bastante lento”, comenta. Molinari sinaliza que o foco do mercado, nas próximas semanas, estará centrado na colheita da safra verão por todo o país, pois esta ocorrerá simultaneamente com a colheita da soja. “Esta sobreposição tende a provocar um verdadeiro caos logístico, especialmente pelo fato de a demanda externa para o milho nacional seguir bastante aquecida. É preciso lembrar que a oferta de milho norte-americano segue limitada, por conta da severa estiagem na safra 2012/13”, analisa. A boa demanda para o cereal brasileiro tende a prosseguir, possivelmente, em fevereiro também. “Somente no primeiro mês do ano o país deve embarcar em torno de 3 milhões de toneladas de milho, acima de 2,79 milhões de toneladas exportadas em dezembro. Este cenário de demanda aquecida, combinada a um quadro de oferta limitada nos Estados Unidos, pode favorecer uma recuperação ainda maior dos preços do milho no mercado interno, mesmo em um período auge de colheita”, projeta. O analista destaca ainda que, com o avanço da colheita de soja superprecoce, especialmente no Centro-Oeste, o plantio da safrinha de milho também vem sendo antecipado, o que tende a garantir, pelo menos por enquanto, um quadro climático dentro da normalidade para o desenvolvimento das lavouras.


CAFÉ

OIC REDUZ ESTIMATIVA DA SAFRA MUNDIAL

Lessandro Carvalho - [email protected]

A Organização Internacional do Café (OIC) apontou que a produção mundial de café em 2012/13 (outubro/setembro) deverá ficar em 144,1 milhões de sacas de 60 quilos, tendo assim um incremento de 7,2% no comparativo com a safra 2011/12, que teve a produção revisada, ligeiramente, para baixo, para 134,4 milhões de sacas. Os números partem do relatório de dezembro da OIC, divulgado em janeiro. Assim, a instituição reduziu em 1,3% sua estimativa para a safra global 2012/13, que em novembro fora colocada em 146 milhões de sacas. O dado anterior de 2011/12 era de 134,6 milhões de sacas.

A produção total de arábica está colocada em 88,422 milhões de sacas em 2012/13, o que representa crescimento de 9,1% sobre 2011/12, quando a produção ficou em 81,024 milhões de sacas. Já a produção de robusta é indicada em 2012/ 13 em 55,639 milhões de sacas, aumento de 4,2%, contra 2011/12 (53,391 milhões de sacas). O aumento da safra global em 2012/13 é atribuído ao ciclo alto produtivo do Brasil dentro da bienalidade cafeeira, especialmente. As exportações mundiais em novembro de 2012 atingiram 9,2 milhões de sacas, com crescimento de 16,5% sobre novembro de 2011.

Assim, no acumulado dos 11 primeiros meses de 2012 (janeiro a novembro), os embarques mundiais alcançaram 103,544 milhões de sacas, com aumento de 8,5% contra igual período de 2011 (95,416 milhões de sacas). Os estoques totais de café nos países importadores em outubro (estoques iniciais da temporada 2012/13, que se inicia em outubro) foram indicados em 15,1 milhões de sacas, queda de 17,1% contra igual período do ano passado. O consumo global em 2011 está indicado em 139 milhões de sacas, aumento de 4,7% contra 136,954 milhões de sacas em 2010.


ARROZ

MERCADO CALMO NO COMEÇO DO ANO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O começo de 2013 no mercado de arroz brasileiro vem apresentando enfraquecimento nos preços, seguindo a tendência que persiste desde outubro. Nos estados produtores de arroz irrigado de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul – onde a cotação média no estado chegou à casa de R$ 40 por saca de 50 quilos em casca –, o cereal vem apresentando redução constante todas as semanas.

Nos estados produtores de sequeiro, a queda de preços veio mais tarde, devido, basicamente, ao balizamento com o sul e a fatores como leilões de venda dos estoques públicos do Governo e aumento da balança comercial do setor. Além dos preços ao produtor, no mercado atacadista a retração na cotação é notável, principalmente em São Paulo, maior consumidor.

Enquanto a colheita não inicia, a baixa procura das indústrias e o aumento das importações foram as principais variáveis que influenciaram para a retração nos preços.

O quarto levantamento da Conab para a safra brasileira 2012/13 indica produção de 12,062 milhões de toneladas, o que representa um acréscimo de 4% sobre 11,599 milhões de toneladas de 2011/12. No terceiro levantamento, eram esperadas 11,928 milhões de toneladas. A área plantada na temporada 2012/13 foi estimada em 2,420 milhões de hectares, ante 2,426 milhões semeados na safra 2011/12.

A produtividade das lavouras foi estimada em 4,984 mil quilos por hectare, superior em 4,3% aos 4,780 mil quilos por hectare na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 8,026 milhões de toneladas, equivalendo a um avanço de 3,7%. A área prevista é de 1,066 milhão de hectares, alta de 1,3% ante 1,053 milhão de hectares de 2011/12, com rendimento esperado de 7.525 quilos por hectare, ante 7.350 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,1%, totalizando de 1,076 milhão de toneladas.