Agribusiness

TRIGO

PREÇOS COM TENDÊNCIA ALTISTA NO BRASIL

Juliana Winge - [email protected]

O mercado de trigo no Brasil segue tomando como base a paridade de importação. “Como grande parte da demanda brasileira por trigo é importada dos países pertencentes ao Mercosul, a paridade funciona como um balizador para os preços do grão no mercado nacional”, explicou o analista de Safras & Mercado Renan Magro. E, como a disponibilidade de trigo na Argentina e no Uruguai está mais baixa do que em anos anteriores, as margens para negociação também se estreitaram. Junto a isso, a quebra da produção gaúcha traz consigo uma grande redução da oferta do cereal na região, pois uma parte do trigo será exportada, outra será destinada para ração animal e uma parcela servirá de semente para a próxima safra. Pode-se, com isso, concluir que a capacidade de abastecimento interna no Rio Grande do Sul ficou comprometida para o ano de 2013. O valor da tonelada do produto seguia em R$ 640, aproximadamente 10,5% a mais do que no mesmo período do ano passado. No Paraná, a maior parte do trigo colhido apresenta boa qualidade e tem comercialização praticamente garantida, o valor indicado para a compra, em Cascavel, está em R$ 710/tonelada. Em debate na Câmara dos Deputados sobre as políticas agrícolas do Brasil dentro do Mercosul, realizado no início de dezembro, o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), Sérgio Silva do Amaral, afirmou que o produtor de trigo precisa de proteção contra a “concorrência desleal da Argentina”. Segundo ele, a farinha de trigo da Argentina entra no Brasil com preço abaixo do preço de mercado. “Com isso, o crescimento da exportação da farinha de trigo da Argentina para o Brasil cresceu 332%”, afirmou. Na tentativa de encontrar uma solução para o problema, o deputado federal Luis Carlos Heinze propôs a formação de um grupo de trabalho para debater o assunto com os ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e da Indústria e Comércio.


ARROZ

PERÍODO DE FÉRIAS ENFRAQUECE COTAÇÃO DO CEREAL

Rodrigo Ramos - [email protected]

A cotação do arroz em casca segue uma trajetória descendente no mercado brasileiro, basicamente nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Porém, em alguns estados produtores de arroz de terras altas, o preço do cereal está elevado. No mercado gaúcho, o cenário atual é de preços fracos e baixa procura. “O fator principal que está causando o arrefecimento na cotação é, fundamentalmente, o começo do período de férias, principalmente as escolares, no qual o consumo tende historicamente a recuar”, explica o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles. No dia 10 de dezembro, a média paga pelo cereal girava em torno de R$ 36,70 por saca de 50 quilos, apresentando queda de 1,6% em uma semana. Em um mês, a redução era maior, de 4,9%, pois estava cotado a R$ 38,60. Frente a igual momento do ano passado, ainda existia valorização expressiva de 43,5%, pois na época estava a R$ 25,57 por saca. No mercado catarinense, o segundo maior produtor nacional, a cotação média teve leve recuo na primeira semana de dezembro na localidade de Turvo, passando de R$ 36 para R$ 35,50 por saca de 50 quilos ou 1,4% abaixo. Contudo, a cotação apontava redução mais expressiva em 30 dias, de 6,6%, pois na época estava a R$ 38 por saca. Frente ao mesmo momento de 2011, quando estava a R$ 26, ainda existia elevação de 36,5%. “No mercado de arroz sequeiro, a falta do produto local amplia a procura pelo importado e de estados produtores do Sul, mantendo os preços elevados”, destaca Aquiles. Em Sinop/MT, a saca de 60 quilos valia R$ 56 no dia 10 de dezembro, ficando 6,7% abaixo do preço de um mês atrás, que era de R$ 60, e seguindo 107,4% valorizado sobre o patamar médio de igual período do ano passado, que era de R$ 27 por saca.


SOJA

PRODUÇÃO BRASILEIRA DEVERÁ SUPERAR 82,627 MILHÕES DE TONELADAS

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O terceiro levantamento de intenção de plantio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira de soja de 2012/13 indicou uma produção de 82,627 milhões de toneladas, alta de 24,5% frente à última temporada, quando o país colheu 66,383 milhões. Para atingir esse volume, a Conab trabalha com uma área plantada de 27,241 milhões de hectares, numa variação positiva de 8,8% se comparado à última temporada, quando foram semeados 25,042 milhões de hectares. A Conab indica uma produtividade média nacional de 3.033 quilos por hectare, 14,4% superior à média de 2.651 quilos por hectare de 2011/12. O Mato Grosso deve manter a liderança no ranking de produção, com safra estimada de 23,803 milhões de toneladas, numa variação positiva de 8,9% se comparado à última temporada. A safra paranaense deverá ter elevação de 39%, chegando a 15,207 milhões de toneladas. A safra gaúcha está estimada em 11,955 milhões de toneladas, com um acréscimo de 83,2% se comparado à safra anterior.

O relatório de oferta e demanda norte- americana de dezembro, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indicou retração na estimativa para os estoques finais norte-americanos de soja e elevação na projeção para o esmagamento. Exportações e produção tiveram suas expectativas mantidas. A produtividade está agora estimada em 39,3 bushels por acre. Com isso, a projeção para a produção americana foi mantida em 2,971 bilhões de bushels (80,66 milhões de toneladas).

O USDA cortou a projeção para os estoques finais de 140 milhões para 130 milhões de bushels, enquanto o mercado apostava em um número próximo a 135 milhões de bushels. A estimativa de esmagamento foi elevada de 1,56 bilhão para 1,57 bilhão de bushels. A projeção de exportação foi mantida em 1,345 bilhão de bushels. A produção mundial de soja está agora estimada em 267,72 milhões de toneladas, contra 267,60 milhões no relatório anterior. Os estoques mundiais caíram de 60,02 milhões para 59,93 milhões de toneladas. O USDA estima produção brasileira de 81 milhões de toneladas e a argentina em 55 milhões de toneladas, repetindo o mês anterior. A safra americana teve estimativa mantida em 80,66 milhões de toneladas. A China tem produção prevista em 12,60 milhões de toneladas e deverá importar 63 milhões de toneladas, números inalterados na comparação com o mês anterior.


MILHO

EXPORTAÇÕES PODEM SER RECORDES

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda metade de dezembro prospectando um novo recorde nas exportações, superando o elevado volume de 3,9 milhões de toneladas embarcado em novembro. “É possível que o país estabeleça um novo recorde nos embarques neste último mês de 2012, tendo em vista que tradings seguem apostando em negócios para embarques de milho em janeiro e fevereiro”, comenta o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari. Segundo ele, pelo fato de a Argentina permanecer com seu mercado fechado aos embarques pelo menos até março e em razão da decisão norte-americana de desacelerar suas exportações, a tendência é de que os investidores sigam apostando forte no mercado brasileiro para atender suas necessidades de consumo. “Diante deste quadro, a aposta, para o primeiro mês de 2013, é de que o Brasil possa embarcar cerca de mais 3 milhões de toneladas, o que levaria a uma exportação total de 22 milhões de toneladas no encerramento do ano comercial, volume nunca antes imaginado”, afirma.

Outro fator de atenção ao mercado diz respeito à safra de verão 2012/13. Molinari sinaliza que os atrasos no plantio em relação a outros anos e o quadro de chuvas abaixo do normal entre a metade de novembro e o começo de dezembro prejudicaram as lavouras em parte da Região Sul, as quais poderão ter perdas no potencial produtivo. “Este é o caso de lavouras situadas desde o norte do Rio Grande do Sul, passando pela região central de Santa Catarina, o sudoeste e o sul do Paraná, o que poderá acarretar em uma pressão ainda maior sobre as cotações internas do cereal entre o final deste ano e o início de março, quando, efetivamente, a safra nova estará ingressando no mercado nacional.”


CAFÉ

OIC APONTA SAFRA MUNIDAL 2012/2013 EM 146 MILHÕES DE SACAS

Lessandro Carvalho - [email protected]

A Organização Internacional do Café (OIC) apontou que a produção mundial de café em 2012/13 (outubro/setembro) deverá ficar em 146 milhões de sacas de 60 quilos, tendo assim um incremento de 8,4% no comparativo com a safra 2011/12, que teve a produção mais uma vez revisada, ligeiramente para cima, para 134,6 milhões de sacas. Os números são do relatório de novembro da OIC. O dado anterior de 2011/12 era de 134,5 milhões de sacas. A produção total de arábica está colocada em 89,929 milhões de sacas em 2012/13, o que representa crescimento de 10,6% sobre 2011/12, quando a produção ficou em 81,283 milhões de sacas. Já a produção de robusta é indicada em 2012/ 13 em 56,035 milhões de sacas, aumento de 5,1% contra 2011/12 (53,338 milhões de sacas).

O aumento da safra global em 2012/ 13 é atribuído ao ciclo alto produtivo do Brasil dentro da bienalidade cafeeira, especialmente. O consumo global em 2011 está indicado em 139 milhões de sacas, contra 137,097 milhões de sacas em 2010. Com a oferta ainda ajustada à demanda, já que o superávit em 2012/13 deve apenas compensar o déficit da temporada anterior, o diretor executivo da OIC, Robério Silva, em entrevista à Agência Safras, disse que espera uma reação nas cotações internacionais, em breve. Em dezembro, o café atingiu os patamares mais baixos dos últimos 30 meses na Bolsa de Nova York. A chegada da safra de arábica da América Central e da Colômbia e a colheita do robusta no Vietnã pesam sobre os preços, com o setor industrial adotando uma postura de comprar apenas o necessário para o curto prazo. Outro fator negativo para os preços é que o produtor brasileiro ainda dispõe de grande parte da safra 2012 para vender.


ALGODÃO

NEGOCIAÇÕES SÃO REDUZIDAS PELO FINAL DO ANO

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado nacional de algodão mantém o ritmo lento na comercialização e opera nos maiores níveis de preços desde o final de setembro. No Cif de São Paulo, a indicação era de R$ 1,58 por libra-peso no dia 11, acumulando ganhos de 3,3% em relação ao mesmo período do mês passado e perdas de 6% quando comparado à igual momento de 2011. “Com a proximidade do final do ano, as aquisições vêm perdendo intensidade no mercado disponível, o que, diante do pouco interesse de venda, deve abrir o spread entre as pedidas e as ofertas, limitando a realização de negócios”, explica Élcio Bento, analista de Safras & Mercado. Segundo ele, os principais fatores que terão influência sobre o comportamento das cotações no médio prazo serão os preços internacionais e o câmbio. “Estas duas variáveis refletem diretamente na paridade de exportação e balizam as operações no âmbito doméstico”, comenta. “Mantido o bom desempenho das vendas internacionais, o quadro de abastecimento interno será enxugado, mantendo os preços firmes na entressafra brasileira”, aposta.

No acumulado do ano até o dia 10 de dezembro, os produtores registraram 922.702 toneladas da safra 2011/12 na Bolsa Brasileira de Mercadorias, o que corresponde a 49,9% da produção estimada. Deste volume, 396.511 toneladas serão destinadas à exportação, 284.006 toneladas para o mercado interno e 242.185 toneladas para exportação com opção de mercado interno. No mesmo período do ano passado, já haviam sido registradas 1.037.593 toneladas da safra 2010/11, o que correspondia a 54,9% da produção. Da safra 2012/13 foram registradas 283.284 toneladas, o que corresponde a 19,5% da produção estimada por Safras & Mercado (1.450.000 toneladas). O principal destino é a exportação (141.437 toneladas), seguida pelas exportações com opção de mercado interno (108.295 toneladas) e mercado interno (33.552 toneladas). No mesmo período do ano passado, o montante registrado da safra 2011/12 era de 552.057 toneladas, ou 29,8% da produção estimada.