Especial - Sempre publicando na frente

 

Quanto mais hectares, mais PÁGINAS

Fazendo jus ao seu permanente propósito de publicar o que de mais atual e mais recomendado ocorre na agricultura brasileira e mundial, a revista A Granja registra o plantio direto em suas páginas há quase quatro décadas

A o mesmo momento em que as grades e os arados começaram a deixar as lavouras brasileiras, as teclas das máquinas da escrever da redação d’A Granja passaram a descrever de forma frenética – em princípio com explicações básicas, primárias – o que era o tal plantio direto. Fiel à proposta, desde a edição número 1, de reproduzir o que de mais atual e moderno se gerava na agricultura brasileira e mundial, não passaram despercebidos pela redação d’A Granja os movimentos em direção ao plantio sem revolvimento do solo. “(...) pesquisas vêm sendo feitas incansavelmente e novos equipamentos vêm sendo projetados e introduzidos no mercado, como é o caso de implementos destinados ao plantio direto e a gama de técnicas novas que o cercam, tais como a aplicação de herbicidas e a nova conceituação do preparo do solo visando evitar a erosão”, registrava o artigo de Roberto Constantini Sobrinho, diretor da FNI-Howard, à página 66 d’A Granja de março de 1974.

Depois deste primeiro registro de PD em suas páginas, A Granja tornou-se uma propagadora da técnica desse perfil de plantio. No início, mais espaçadas e, depois, mais frequentes, passaram a ser publicadas referências, artigos e reportagens diversas exaltando as vantagens e os procedimentos para o plantio direto na palha. Até que, a partir da edição de dezembro de 1996, foi instituída a seção mensal chamada Plantio Direto – espaço onde são veiculados artigos e, eventualmente, reportagens sobre benefícios, manejos, aplicações e uma infinidade de outros enfoques sobre o PD. Portanto, somam-se quase duas centenas de abordagens. Sem contar uma infinidade de outras amplas reportagens ou especiais – como o desta edição – para a difusão da técnica. O arquivo das edições antigas d’A Granja é um acervo precioso do desenvolvimento e da evolução do PD nas lavouras brasileiras.

Em 1976, amplo texto do engenheiro agrônomo Mike Barker abordava a aceitação cada vez maior do plantio direto pelos agricultores brasileiros

“Moda” — Em abril de 1975, um texto sobre o preparo do solo, abriu espaço à seguinte menção: “Ultimamente, pesquisadores e mesmo agricultores tem-se voltado para a procura de um sistema de produção em que a aração e a gradeação sejam eliminadas ou, pelo menos, reduzidas em intensidade. Apareceram então as técnicas do ‘cultivo mínimo’ e, mais recentemente, do ‘plantio direto’ nas quais a necessidade de operações de mobilização intensiva de solo é eliminada”. E o texto ainda relativizava: “Embora essas técnicas atualmente estejam em moda, e a cada ano com maior número de adeptos, a área plantada com as mesmas ainda é muito pequena em comparação com o sistema convencional”.

Já a edição de abril de 1976 veiculou artigo de três páginas de autoria do engenheiro agrônomo Mike Barker que exaltava as vantagens do plantio direto. “A aceitação do plantio direto aqui (Brasil) e em outras partes deve-se às vantagens que este método oferece quando comparado com outras técnicas de cultivo. Primeiramente, diminui a erosão, problema que está preocupando seriamente os produtores e agrônomos pelos prejuízos que traz ao solo, afetando a produtividade deste”, esclarecia. “No Brasil, os estudos iniciais foram feitos no Paraná, em 1971/72, e no Rio Grande do Sul, em 1973. A maior parte deste trabalho foi elaborado pela Cia. Imperial de Indústrias Químicas do Brasil (ICI), com o emprego do equipamento especializado para o plantio direto fabricado pela FNI/Howard (plantadeira Rotacaster). Segundo o artigo, o país plantava 10 mil hectares de soja em PD em 1974, e 26 mil em 1975.

Menor custo: texto de 1978 defendia o plantio direto como uma técnica que controlava a erosão e propiciava a economia de combustível

Em outubro de 1977, artigo de três páginas assinado por Bryan Platt questionava com veemência o uso do maior inimigo do plantio direto: “O arado transformou- se de tal forma num símbolo universal da boa agricultura, e tão arraigado é o seu uso no plantio de todas as safras anuais de alimentos ou fibras, que ainda permanece um enorme preconceito contra a adoção da semeadura direta ou a técnica de não arar, capazes de proporcionar satisfatórios benefícios e ecológicos”, advertia. “Sem arar, milhões de toneladas de solo não precisam ser reviradas todos os anos; a umidade não escapa porque as camadas mais baixas da terra não ficam expostas ao sol e ao vento; a estrutura do solo não é perturbada por movimentos constantes e a fertilidade melhora gradualmente; o solo não é prejudicado pela passagem de implementos pesados; terrenos íngremes e pedregosos, inadequados ou inseguros para se lavrar, podem ser utilizados na produção de alimentos; as operações são menos constantes e há economia de mão de obra”.

Neste artigo de 1977 o arado foi veementemente condenado, assim como o PD recebeu uma lista de argumentos a favor do seu uso

Nos anos seguintes, muitas foram as abordagens sobre o sistema de cultivo que caiu nas graças do produtor brasileiro. Em maio de 1978, um texto enalteceu um argumento definitivo para convencer o produtor que ainda não havia aderido ao plantio direto. O título dizia: “Lavoura com menos custo”. “Além da economia com a dispensa das operações de aração e gradagem, dificilmente o agricultor perde as sementes plantadas em consequência da enxurrada, devido à proteção do sol pela cobertura morta”, enfatizava a reportagem que, ainda, listava outras vantagens do PD em comparação ao plantio convencional e descrevia as “três fases distintas” do PD – aplicação do herbicida, plantio e segunda pulverização, esta já com a plantação comercial germinada, com o pulverizador entrelinhas para não afetar as plantas.

Em 1985, um total de 13 páginas abordou em detalhes um dos pilares do PD, a influência da cobertura morta na biologia do solo

“Sistema definitivo” — O título de artigo do engenheiro agrônomo Luiz V. M. Guedes, texto publicado em fevereiro de 1981, foi muito apropriado ao que se viu do plantio direto: “O sistema definitivo”. “Hoje confirmamos que é cada vez mais expressiva a área implantada com o método, principalmente na cultura da soja. Após um período em que a área no Sul do Brasil se manteve ao redor de 50 mil hectares, na safra 1979/80 chegou-se a 120 mil hectares, e na 80/81, a mais de 200 mil hectares com plantio direto de soja”, descrevia o autor, que mencionava regiões paranaenses já com 20%, 30% e até 50% da área cultivada via sistema. “É algo realmente espetacular, fruto de um trabalho consciente em busca de uma agricultura mais eficiente”.

A Granja passa a dedicar cada vez mais espaços ao plantio direto, como a cobertura do 3o Encontro Nacional de PD, em 1985, que ganhou 11 páginas

Enquanto o plantio direto foi se alastrando pelas lavouras brasileiras, também cresceram a pesquisa e os debates em torno da técnica. E, para cumprir o seu papel de propagar o moderno da agricultura, A Granja foi registrando estes acontecimentos. Em fevereiro de 1985, 11 páginas foram dedicadas à cobertura do 3º Encontro Nacional do Plantio Direto, realizado em Ponta Grossa/ PR. As manchetes: “Paraná tem 65 por cento das lavouras”, “Comprovado: produção um terço superior”, “Expansão em SC, apesar das dificuldades”, “Para os grandes e pequenos, diz americano”. No mesmo ano, a edição de agosto dedicou 13 páginas a um artigo sobre a cobertura de solo, um dos pilares do PD. O artigo do engenheiro agrônomo Fernando Sousa de Almeida enfocava “Influência da cobertura morta na biologia do solo – a matéria vegetal em decomposição influencia os microrganismos”.