Agribusiness

 

TRIGO

COLHEITA SE APROXIMA DO FINAL COM PERDAS NO RS

Juliana Winge - [email protected]

A produção de trigo no país sofreu um forte viés negativo este ano. Já foi contabilizada parte das perdas da atual safra e a colheita não foi a esperada pelos produtores. Segundo o último relatório do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, a colheita de trigo estava, ao final da segunda semana de novembro, 94% concluída, contra 88% da semana anterior. Encontravam-se em boas condições 43% das lavouras, 44% em condições médias e 13% em condições ruins. Do total, 100% estava em maturação. A comercialização era de 42%. No Rio Grande do Sul, a colheita entrara na reta final, com perdas significativas tanto na qualidade quanto na produtividade. As geadas tardias, no final de setembro, causaram danos irreversíveis às lavouras e reduziram grande parte do produto do estado a cereal para ração animal. A safra que se desenhava cheia, não se confirmou.

A Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio Grande do Sul (Fecoagro) apresentou estudo sobre os custos de produção nas principais lavouras gaúchas. No relatório a entidade afirmou que a safra 2012 ficará mais cara do que a anterior. De acordo com o estudo coordenado pelo economista Tarcísio Minetto, o custo de produção ficou R$ 36,57 por saca em 2012 contra o custo de 2011 de R$ 34,38, alta de 6,37%. O custo total por hectare ficou em R$ 1.572,40, e o custo variável, em R$ 1.070,93. Para se chegar a estes dados, foi considerado um rendimento médio de 2,58 quilos por hectare. A rentabilidade, que apresentava uma margem negativa de 29,93% no ano anterior, seguiu negativa em 18,16% em relação à safra passada. Minetto ressaltou que a rentabilidade do cereal tende a piorar com o avanço da colheita e a constatação de perdas nas lavouras tanto na qualidade quanto na produtividade.


ARROZ

CEREAL GAÚCHO PRATICAMENTE ESTÁVEL

Rodrigo Ramos - [email protected]

O início de novembro do mercado rizicultor brasileiro apresentou certa estabilidade no principal referencial nacional, o Rio Grande do Sul. No dia 9 de novembro, a cotação média era de R$ 38,60 por saca de 50 quilos, 0,2% abaixo do patamar da semana anterior, de R$ 38,82. Agora, se comparado com o preço médio pago um mês antes, a queda era de 1,5%, pois na época estava a R$ 39,17. Frente a igual período em 2011, quando estava a R$ 25,47, ainda há valorização expressiva de 51,5%. O segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2012/13 indica produção entre 11,503 milhões e 11,719 milhões de toneladas, o que representa um decréscimo de 0,8% a avanço de 1% sobre as 11,599 milhões de toneladas de 2011/12.

A área plantada com arroz na temporada 2012/13 foi estimada de 2,347 milhões a 2,387 milhões de hectares, ante 2,426 milhões semeados na safra 2011/ 12. A produtividade das lavouras foi estimada em 4,904 mil quilos por hectare, superior em 2,6% aos 4,780 mil quilos por hectare na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 7,635 milhões a 7,792 milhões de toneladas, equivalendo a um recuo de 1,4% a alta de 0,7%. A área prevista é de 1,021 milhão a 1,042 milhão de hectares, queda de 3% a 1% ante 1,053 milhão de 2011/12, com rendimento esperado de 7.475 quilos por hectare, ante 7.350 quilos. Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,8%, totalizando 1,068 milhão de toneladas. O estado se consolida como o segundo maior produtor. Para o Maranhão, em terceiro lugar, a Conab está estimando uma safra de 639 mil toneladas, ante 467,7 mil toneladas da safra anterior.


SOJA

USDA ELEVA PREVISÃO DE SAFRA AMERICANA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de oferta e demanda de soja norte-americana de novembro, divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), indicou elevação na estimativa de safra, esmagamento, exportações e estoques finais em 2012/13. A produtividade está agora estimada em 39,3 bushels por acre, contra 37,8 bushels previstos em outubro. Com isso, a projeção para a produção americana foi elevada de 2,860 bilhões (77,84 milhões de toneladas) para 2,971 bilhões de bushels (80,66 milhões de toneladas). O Departamento elevou ainda as suas estimativas para as exportações americanas, que passaram de 1,265 bilhão para 1,345 bilhão de bushels. O número para esmagamento foi elevado de 1,540 bilhão para 1,560 bilhão de bushels. Os estoques passaram de 130 milhões para 140 milhões de bushels.

A produção mundial de soja está agora estimada em 267,60 milhões de toneladas, contra 264,28 milhões no relatório anterior. Os estoques mundiais subiram de 57,56 milhões para 60,02 milhões de toneladas. O USDA estima produção brasileira de 81 milhões de toneladas e argentina de 55 milhões de toneladas, repetindo o mês anterior. A safra americana teve estimativa elevada de 77,84 milhões para 80,66 milhões de toneladas. A China tem produção estimada em 15,92 milhões de toneladas e deverá importar 63 milhões de toneladas, contra 61 milhões projetados em outubro.

A divulgação do relatório de oferta & demanda mundial e norte-americana voltou a surpreender o mercado e trazer forte impacto negativo para as cotações do mercado de futuros da Bolsa de Mercadorias de Chicago. Apesar da confirmação da linha de pensamento geral, com a divulgação de volume de produção maior nos EUA, o que surpreendeu mesmo foi a intensidade da elevação, com número acima até mesmo da parte superior do intervalo sugerido na expectativa prévia do mercado. Principalmente porque não é comum nas estimativas de safra do USDA o grau de volatilidade das informações apresentadas este ano, primeiro, cortando a produção em 15,5 milhões de toneladas e, depois, elevando em 9,2 milhões de toneladas (somando os ajustes de outubro e o atual). A pressão sobre os preços só não foi maior porque o Departamento também revisou para cima o consumo, fazendo com que os estoques finais aumentassem apenas 272 mil toneladas, enquanto a safra foi elevada em mais de 3 milhões de toneladas. Tomando como base a posição spot da soja na Bolsa, o pregão do dia da divulgação do relatório (sexta) fechando em US$ 1.452,00 cents/bushel, com queda de US$ 47,25 cents desde os US$ 1.499,25 cents da quinta.


ALGODÃO

MERCADO DOMÉSTICO SEGUE REDUZINDO VOLUME DE NEGÓCIOS

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão encerrou a segunda semana de novembro com preços em queda de 1,29% em relação aos praticados no encerramento da anterior. No Cif de São Paulo, a librapeso fechou cotada por volta de R$ 1,53, a cotação praticada no mesmo período do mês anterior e acumulando queda de 10% quando comparado à igual momento de 2011. Segundo o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, esta queda semanal tem como principal motivo a retração apresentada no mercado internacional, que tende a reduzir a competitividade da fibra nacional nas exportações. A queda em relação à semana anterior em Nova York, na Ice Futures, foi de 3,3%. “Com os preços internos sobrevalorizados em relação à realidade global, os compradores tendem a forçar um ajuste”, explica Bento. “Por outro lado, o recorde de exportação na primeira metade do ano comercial faz com que os vendedores mantenham uma presença defensiva, esperando que haja escassez de produto de boa qualidade na entressafra e, consequentemente, cotações mais interessantes para negociar”, pondera.

No mês de outubro, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, as exportações de algodão do Brasil renderam US$ 379,2 milhões, com média diária de US$ 17,2 milhões. A quantidade total de algodão exportada pelo país no mês chegou a 187,8 mil toneladas (recorde mensal histórico), com média diária de 8,5 mil toneladas. O preço médio da tonelada do algodão em outubro ficou em US$ 2.019,90. Entre setembro e outubro, houve uma alta de 4,5% no valor médio exportado, uma elevação de 8,6% na quantidade e uma baixa de 3,7% no preço médio do algodão.


CAFÉ

EMBARQUES QUASE 10% INFERIORES

Lessandro Carvalho - [email protected]

As exportações totais brasileiras de café ficaram em 2,874 milhões de sacas de 60 quilos em outubro, somando o volume de café verde (robusta e arábica) e industrializado (torrado e moído e solúvel). Assim, houve uma queda de 9,5% nos embarques na comparação com o mesmo mês do ano passado, já que em outubro de 2011 o país embarcara 3,175 milhões de sacas. As informações partiram do levantamento mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). A receita gerada com essas exportações em outubro ficou em US$ 607,33 milhões, queda de 32,3% contra outubro de 2011 (US$ 897 milhões). O preço médio advindo destas vendas no mês foi de US$ 211,28 a saca, redução de 25,2% no comparativo com o mesmo mês de 2011 (US$ 282,47 a saca). “As exportações mostram a tendência de retomada dos níveis normais de embarques para o período, superando os atrasos ocorridos nos meses iniciais da safra por conta das chuvas que retardaram o fluxo de entrada, bem como as dificuldades causadas pelas greves dos fiscais. Isto, contudo, mantém as expectativas de redução no volume das exportações de 2012, para algo em torno de 28,5/ 29 milhões de sacas”, comentou o diretorgeral do Cecafé, Guilherme Braga.

As exportações no acumulado dos dez primeiros meses do ano civil 2012 (janeiro-outubro) totalizaram (entre café verde e industrializado) 22,494 milhões de sacas de 60 quilos, tendo queda de 18,1% no comparativo com janeiro a outubro de 2011, quando os embarques foram de 27,457 milhões de sacas. A receita nos dez primeiros meses do ano foi de US$ 5,159 bilhões, com redução de 26,8% sobre o mesmo período de 2011 (US$ 7,048 bilhões). A participação dos cafés diferenciados nas exportações foi de 16,2% do total embarcado de janeiro a outubro.


MILHO

MERCADO INTERNO SEGUE COM PREÇOS MUITO FIRMES

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda metade de novembro com um quadro de preços muito firmes. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a grande dinâmica nos negócios voltados à exportação permaneceu garantindo um quadro de baixa disponibilidade interna para o cereal, o que deve contribuir para a manutenção de preços elevados até o final do ano. “O grande volume de milho importado do Brasil em outubro, superando 3,7 milhões de toneladas, gera uma expectativa de continuidade das vendas nos próximos meses também, o que deve contribuir para manter a oferta interna reduzida até a entrada da safra nova, até mesmo pelo fato de o Governo já ter aumentado sua meta de embarques para 19 milhões de toneladas neste ano”, comenta.

Molinari sinaliza que, com um plantio mais atrasado neste ano, por conta do regime irregular de chuvas até o momento, somente no final de fevereiro e no início de março haverá uma concentração de colheita no Rio Grande do Sul, em parte de Santa Catarina e no sul do Paraná. “No Sudeste, somente alguns pivôs serão colhidos e, no Centro-Oeste, praticamente não haverá entrada de oferta da nova safra neste período”, ressalta. Por outro lado, a partir de março, Molinari entende que a oferta interna tende a se elevar, seja pelo fluxo normal de colheita, seja pelos fatores logísticos, que poderão trazer problemas para o Brasil atender ao mercado internacional com milho. “A partir do terceiro mês do ano, a soja entrará em seu período auge de colheita e de embarques, o que deve impossibilitar grandes fluxos de exportação de soja e de milho ao mesmo tempo. Tal quadro tende a ser mantido pelo menos até junho”, projeta.

O Brasil deverá produzir 68,969 milhões de toneladas de milho na safra 2012/13, segundo o novo levantamento divulgado por Safras & Mercado, volume aquém das 72,336 milhões de toneladas colhidas na safra 2011/12. Segundo o analista Paulo Molinari, a safra verão deste ano deverá alcançar 28,905 milhões de toneladas, volume quase igual a 28,874 milhões de toneladas da safra verão 2011/12. A safrinha 2013 tem produção estimada em 34,128 milhões de toneladas ante as 37,614 milhões de toneladas de 2012.