Notícias da Argentina

 

APOSTAS NO MILHO

Para Enrique Erize, prestigioso analista do mercado de grãos, este é o ano do milho. “Recomendo que invistam na cultura. De agora até fevereiro-março de 2013, vejo muito mais interessante o mercado do cereal do que o da soja, porque a oleaginosa será plantada em maior escala”, justifica. O ponto é que os Estados Unidos perderam em torno de 100 milhões de toneladas do cereal, e não há país no mundo que possa aliviar essa quebra, salvo a própria nação americana, mas, para isso, será preciso aguardar um ano. Será necessário convencer o produtor a aumentar a área com milho, e isso pode ser feito mediante um preço mais elevado. “Em março o cereal vai brilhar devido a sua ausência e o contraponto será o mercado da soja, se a colheita for recorde. Aqueles que sabem negociar já estão vendendo milho em Chicago e conquistando uma importante diferença”, analisa Erize.


VENDAS EM BAIXA

Devido à intervenção oficial, o tradicional perfil exportador de carne bovina da Argentina sucumbiu. Para este ano, a estimativa é de que as vendas externas não superem 190 mil toneladas, o que é menos de 6% da produção nacional e 2,2% do comércio mundial.


ENORME DISTÂNCIA

A Confederação Rural Argentina vem estudando a brecha de valores entre o que recebem os produtores e os preços cobrados nas gôndolas dos supermercados e que, atualmente, têm diferença média de 1.368% para os itens que compõem a cesta básica familiar. O levantamento de valores de mais de 20 alimentos indica que os produtores não são formadores de preços e pouco têm influência sobre o que paga o consumidor com a elevada inflação. O que recebe o trabalhador rural tem uma participação de apenas 16% sobre o preço final dos produtos. Em frutas como maçã, pêssego e laranja, a diferença entre os extremos supera os 450%. Para hortaliças como cebola, tomate e alface, a diferença é de 698%. Entre os produtos lácteos, pelo litro do leite, o produtor recebe a média de 1,50 pesos, enquanto, nos supermercados, o preço do litro chega a 5,60 pesos. O caso mais emblemático é o do trigo, cujo mercado sofre intervenção “para proteger a mesa dos argentinos”. Por exemplo, para o trigo necessário para fazer uma dúzia de “medialunas”, o produtor recebe 0,25 pesos, enquanto o produto final nas padarias tem um custo de 21 pesos.


TRIGO

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima um volume final para a safra 2012/2013 de cerca de 10 milhões de toneladas. A colheita já teve início no norte do país.


SOJA

Começou o plantio da oleaginosa, ainda que com permanentes interrupções devido às chuvas. A estimativa é de uma área plantada de cerca de 19,7 milhões de hectares, o que poderá significar uma produção de aproximadamente 55 milhões de toneladas.


LEITE

O leite segue um processo parecido com o da carne. Há dois anos, o preço do litro é de US$ 0,33 (valor oficial) ou US$ 0,24 (valor paralelo). Com a inflação e os custos, a conta do produtor não fecha.


CARNE

Não há grandes mudanças em relação aos meses passados, e os preços do novilho se mantêm em torno de US$ 2 (valor oficial), ou US$ 1,40 (valor paralelo). São preços similares aos de 2009, mas agora a inflação é superior a 60%.