Agribusiness

 

TRIGO

NEGÓCIOS ESBOÇAM MELHORA NO BRASIL

Juliana Winge - [email protected]

As negociações envolvendo trigo no Brasil estão começando a dar sinais de melhora. Nas últimas semanas, a liquidez no mercado ficou abaixo da esperada, pois compradores e vendedores não estavam conseguindo fechar negócios por causa dos preços mais altos. “As indústrias que estavam mais estocadas buscaram comprar o mínimo possível, apenas as menores e com planejamento de curto prazo estavam comprando trigo com preços mais elevados”, explicou o analista de Safras & Mercado Renan Gomes Magro. Nesse momento, a tendência é o número de potenciais compradores aumente com o consumo dos estoques iniciais. Quanto às cotações, há um mercado firme com preços estáveis de maneira geral. Em Ponta Grossa/PR, a tonelada do trigo segue com indicação de R$ 650 para compra e R$ 680 para venda. Ainda no Paraná, a região de Campos Gerais, que chegou a sofrer com a geada, deve apresentar uma queda na produtividade de trigo colhido. No Rio Grande do Sul as perdas ficaram por conta do clima que não dá trégua. A tonelada segue indicada em R$ 570 para compra e R$ 590 para venda, em Santa Rosa.

O USDA divulgou seu relatório mensal de outubro. A safra 2012/13 do cereal nos EUA é projetada em 2,269 bilhões de bushels, ligeiramente acima dos 2,268 bilhões de bushels previstos desde julho. A safra mundial de trigo na temporada 2012/13 está estimada em 653,05 milhões de toneladas, abaixo da estimativa de setembro de 658,73 milhões. Os estoques finais mundiais em 2012/13 estão estimados em 173,70 milhões de toneladas, contra 176,71 milhões de toneladas do mês anterior. O consumo global está estimado em 678,22 milhões de toneladas.


ARROZ

PREÇOS SE MANTÊM FIRMES NO BRASIL

Rodrigo Ramos - [email protected]

A terceira semana do mês de outubro iniciou com preços firmes no mercado brasileiro de arroz. No mercado gaúcho, principal referencial nacional, a cotação média estava em torno de R$ 39,07 por saca de 50 quilos, apresentando elevação de 2,8% sobre a média de um mês atrás, quando valia R$ 38,02. Também estava 60,6% acima do valor pago em outubro de 2011, quando estava R$ 24,32. O primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a safra brasileira 2012/13, divulgado em outubro, indica produção entre 11,528 milhões e 11,733 milhões de toneladas, o que representa um decréscimo de 0,6% a avanço de 1,2% sobre 11,599 milhões de toneladas de 2011/12.

A área plantada com arroz na temporada 2012/13 foi estimada de 2,356 milhões a 2,393 milhões de hectares, ante 2,426 milhões semeados na safra 2011/ 12. A produtividade das lavouras foi estimada em 4,897 mil quilos por hectare, superior em 2,5% aos 4,780 mil quilos por hectare na temporada passada. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 7,635 milhões a 7,792 milhões de toneladas, equivalendo a um recuo de 1,4% a alta de 0,7%. A área prevista é de 1,021 milhão a 1,042 milhão de hectares, queda de 3% a 1% ante os 1,053 milhão de hectares de 2010/11, com rendimento esperado de 7.475 quilos por hectare, ante 7.350 quilos da anterior. Em Santa Catarina, a produção deverá recuar 0,8%, totalizando 1,068 milhão de toneladas. O estado catarinense se consolida como o segundo maior produtor. Para o Maranhão, em terceiro lugar, a Conab está estimando uma safra de 639 mil toneladas, ante 467,7 mil toneladas calculadas para 2011/12.


SOJA

PRODUTORES INVESTEM NA COMERCIALIZAÇÃO ANTECIPADA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

Os produtores brasileiros de soja negociaram 46% da safra 2012/13 de forma antecipada, segundo levantamento divulgado por Safras & Mercado, com base em dados recolhidos até 11 de outubro. Em igual período do ano passado, a comercialização envolvia 30% e a média para o período é de 23%. No relatório anterior, de 6 de setembro, o número era de 43%. Levando- se em conta uma safra estimada em 82,295 milhões de toneladas, o volume de soja já comprometido chega a 37,56 milhões de toneladas. Para a temporada 2011/ 12, o total comercializado chega a 98% da safra. Em igual período do ano passado, a comercialização envolvia 86% e a média para o período é de 89%. No levantamento anterior, o número era de 97%.

Levando-se em conta uma safra estimada em 66,331 milhões de toneladas, o volume de soja já comprometido chega a 65,010 milhões de toneladas. “A perda de ritmo no período fica clara quando observamos que no comparativo com o relatório anterior o avanço foi de apenas 3%, abaixo dos 8% anotados no ano passado, dos 9% de 2010 e dos 7% da média histórica de cinco anos”, avalia o analista de Safras Flávio França Júnior, ao comentar os dados de venda antecipada. Segundo ele, a exemplo da safra velha, a falta de motivação para novas vendas também esteve ligada ao volume já muito elevado de comprometimento e à queda forte nos preços futuros.

O relatório de oferta e demanda norte- americana de outubro, divulgado pelo USDA, indicou elevação na estimativa de safra, esmagamento, exportações e estoques finais dos Estados Unidos em 2012/ 13. A produtividade está agora estimada em 37,8 bushels por acre, contra 35,3 bushels previstos em setembro. O número ficou acima da expectativa do mercado, de 37 bushels por acre. Com isso, a projeção para a produção americana foi elevada de 2,634 bilhões (71,69 milhões de toneladas) para 2,860 bilhões de bushels (77,84 milhões de toneladas). O Departamento elevou ainda as suas estimativas para as exportações americanas, que passaram de 1,055 bilhão para 1,265 bilhão de bushels. A produção mundial de soja está agora estimada em 264,28 milhões de toneladas, contra 258,13 milhões no relatório anterior. Os estoques mundiais subiram de 53,10 milhões para 57,56 milhões de toneladas. O USDA estima produção brasileira de 81 milhões de toneladas e argentina de 55 milhões de toneladas, repetindo a do mês anterior. A safra americana teve estimativa elevada de 71,69 milhões para 77,84 milhões de toneladas. A China tem produção estimada em 12,6 milhões de toneladas e deverá importar 61 milhões de toneladas, contra 59,5 milhões projetados em setembro.


ALGODÃO

EXPORTAÇÃO RECORDE PODE GERAR ESCASSEZ DO PRODUTO DE BOA QUALIDADE

Rodrigo Ramos - [email protected]

A dinâmica de comercialização no mercado brasileiro de algodão segue sem grandes alterações. A partir da segunda quinzena de setembro, quando os preços interromperam a escalada de alta iniciada em junho e passaram a recuar, as indústrias, com a percepção de que podem adquirir por valores mais acessíveis nas próximas semanas, demonstram pouco interesse em novas aquisições. Na outra ponta do mercado, parte de vendedores demonstra-se mais ativa e flexível aos preços, o que contribuiu para que recuassem 7,8%, de R$ 1,67 por libra– peso no dia 11 de setembro para R$ 1,54 a libra–peso no dia 8 de outubro. “No entanto, a oferta no disponível concentra- se em lotes de qualidade abaixo da demandada das indústrias”, frisa o analista de Safras & Mercado, Élcio Bento. “O bom desempenho das exportações nos primeiros meses do ano comercial 2012/13 vem impressionando e podem fazer com que o mercado nacional permaneça acima da paridade de exportação”, destaca Bento. Com a percepção de que as vendas externas poderão alcançar um novo recorde e de que o consumo doméstico tende a aumentar, as indústrias demonstram certa preocupação em relação à disponibilidade de algodão de qualidade superior no auge da entressafra. “Uma eventual necessidade de compras externas para atender a demanda nacional faria com que o mercado abandonasse a paridade de exportação e passasse a ter como balizadora a paridade de importação”, explica. “Neste caso, uma aquisição de algodão norteamericano para o abastecimento das indústrias do Sul e do Sudeste permitiria que os preços nacionais se elevassem em mais de 15%”, aposta. “Estas são apenas especulações, mas é preciso continuar atento ao desempenho da balança comercial de algodão no Brasil”, frisa.


CAFÉ

COMERCIALIZAÇÃO SEGUE LENTA

Lessandro Carvalho - [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2012/13 (julho/junho) fechou setembro em 43%. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado, com base em informações compiladas até 30 de setembro. Em igual período do ano passado, 56% da safra estava comercializada. Com isso, já foram comercializadas 23,45 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras, de uma safra 2012/ 13 de 54,9 milhões de sacas. Segundo o analista de Safras Gil Barabach, a comercialização segue lenta. O produtor aparece para negociar quando o preço melhora, mas volta a se esconder quando a cotação recua, o que ajuda a travar o fluxo de vendas, diz. Em meio à volatilidade da Bolsa de Mercadorias de Nova York, que guia as cotações mundiais do café, há espaços para “investidas” mais abruptas dos vendedores.

O analista observa que a referência de venda para a grande maioria dos produtores é o patamar de R$ 400 à saca de 60 quilos para as melhores bebidas. E, no auge do nervosismo com o atraso nas floradas no Brasil, que resultou em elevação nos preços internacionais, o café de melhor bebida chegou a trocar de mãos acima de R$ 425. “A ideia é seguir dosando a venda, tentando aproveitar repiques de preço. Administrar posições ao longo da temporada, sem menosprezar oportunidades e buscando evitar criar bolhas de oferta para a entressafra, como aconteceu na temporada passada”, advertiu. Se o produtor está segurando café, Barabach indica que, do outro lado, a demanda internacional também continua bem fraca por grãos da origem Brasil. “Diferenciais caros e cautela diante do cenário de crise (europeia e global) justificam essa conduta. Relatórios indicam um leve aumento nos estoques dos importadores, o que reforça essa postura”, comenta.


MILHO

PREÇO PODE VOLTAR A SUBIR NOS ESTADOS UNIDOS

Arno Baasch - [email protected]

A proximidade do final da colheita de milho nos Estados Unidos, que deverá chegar a 271,9 milhões de toneladas (de acordo com o relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura do país, em outubro), bem aquém das 375 milhões de toneladas esperadas inicialmente, deve fazer com que os preços voltem a subir neste mercado no curto prazo, rompendo com o quadro baixista verificado nas últimas semanas diante da pressão natural de venda do cereal. Consequentemente, a tendência é de que haja reflexos altistas também no mercado internacional de milho, segundo a avaliação de Safras & Mercado. “É com essa expectativa que trabalha o mercado brasileiro de milho no começo da segunda quinzena de outubro”, destacou o analista Paulo Molinari.

Este cenário deve favorecer ainda mais as exportações de milho do Brasil, que poderão estabelecer um novo recorde de embarques em outubro, superando o excepcional volume de 3,1 milhões de toneladas embarcado em setembro. “Até o momento, o país acumula embarques de 8,56 milhões de toneladas no ano comercial, iniciado em fevereiro”, sinalizou, em meados do mês passado. A perspectiva de forte demanda externa para o milho nacional entre novembro e janeiro, absorvendo lotes que poderiam provocar certa pressão interna nas cotações na virada de ano, já começa a trazer maiores preocupações aos consumidores internos. “É possível que haja dificuldades adicionais no mercado doméstico em termos de preço, até mesmo porque os custos para aquisição do cereal seguem elevados, com a prioridade concedida à venda de milho de qualidade ao mercado internacional”, ressaltou Molinari. Adicionalmente, a oferta de milho a ser disponibilizada na safra verão 2012/13 tende a ser inferior à deste ano, por conta dos preços mais atrativos da soja. Safras & Mercado projeta uma colheita de 27,801 milhões de toneladas do cereal, ante as 28,874 milhões de toneladas registradas na safra verão 2011/12.