Pulverização

 

Busca pela qualidade na APLICAÇÃO

Ações integradas entre instituições públicas e privadas procuram melhorar a eficácia no uso de defensivos

Dr. Nelson Harger, coordenador do Projeto Acerte o Alvo, Emater/PR

O Paraná tem permanecido como um dos principais estados de produção agrícola do Brasil. Ao mesmo tempo, as características de clima e solo permitem a diversificação dos cultivos com a presença de áreas cultivadas, tais como olerícolas, fruticultura, café, uva, entre outras; contíguas às áreas de grãos, o que tem gerado perdas econômicas, danos ambientais e conflitos entre agricultores quando das más aplicações e derivas de agrotóxicos. Existem estimativas de perdas de cerca de 30% dos defensivos aplicados e que são influenciadas diretamente pelo não uso das tecnologias disponibilizadas, seja no gerenciamento do tamanho das gotas produzidas pelas pontas de pulverização ou mesmo da não observação das melhores condições ambientais para as aplicações.

As dificuldades encontradas na adoção das corretas tecnologias por parte dos agricultores e mesmo de parte da assistência técnica são problemas que estão sendo enfrentados no Paraná por meio de ações integradas entre instituições públicas e privadas na melhoria da qualidade e da eficiência das aplicações de agrotóxicos e produções sustentáveis de alimentos, tendo como mote “Acerte o Alvo e Elimine as Derivas nas Pulverizações”. Segundo informações da coordenação estadual de grãos da Emater, quando da avaliação do processo de uso de tecnologias na aplicação de defensivos, conclui-se que ações até então realizadas isoladas ou de forma segmentada não foram eficientes para a melhoria da qualidade. Isto porque o conhecimento tende a chegar ao produtor de forma segmentada e muitas vezes não aplicada a sua realidade, o que dificulta a evolução das tecnologias e a qualidade das aplicações.

Estimativas dão conta que há perdas de cerca de 30% dos defensivos aplicados em razão do não uso das tecnologias disponibilizadas

Isto pode ser observado pelas aplicações continuarem a seguir padrões nas regulagens das máquinas, independente do alvo de controle biológico pretendido. Por “padrões” entendemos regulagens de máquinas para mesmos volumes de caldas, pressões, velocidades de serviço e pontas de pulverizações independente da cultura, do controle pretendido, da condição do clima durante a aplicação ou mesmo das condições operacionais da máquina. Constatamos que esses “padrões” utilizados nas aplicações aumentam por consequência os problemas e as reclamações de derivas de agrotóxicos, e que nos trabalhos integrados identificamos situações nas quais 73% das máquinas avaliadas estavam promovendo derivas pelo não uso de tecnologias básicas, como ajustes na pressão de serviço e uso de pontas adequadas.

Na identificação de soluções dos problemas nas aplicações é estabelecido um plano de ação obtido do levantamento de realidade da tecnologia de aplicação utilizada naquela localidade. Neste plano também é prevista a necessidade para venda de equipamentos, entre eles bicos especiais e manômetros. Os processos das capacitações dos aplicadores e profissionais da assistência técnica são orientados para as necessidades levantadas e os resultados são medidos pela evolução das notas obtidas pelos aplicadores quando de novas inspeções e pelo uso de tecnologias de combate às derivas nas aplicações.

Participam do projeto de melhoria da qualidade das aplicações e combate às derivas no Paraná entidades públicas e privadas, desde setores da indústria, cooperativas, usinas de cana, associações de profissionais e conselho de engenharia, órgãos representativos de Agricultores, pesquisa agrícola, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), secretarias municipais e estaduais de agricultura, universidades, Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e a Empresa Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Paraná (Emater).

Força-Tarefa — A Força-Tarefa é um grupo formado por representantes de quatro empresas – Atanor, Dow AgroSciences, Milenia, Nufarm – que, apoiado por acadêmicos, tem como objetivo gerar informação técnica sobre o uso correto e seguro de defensivos agrícolas, além de apoiar projetos que abordem esta questão, como o Projeto Acerte o Alvo – evite a deriva na aplicação de agrotóxicos, realizado no Paraná. Instruir o produtor sobre a importância da utilização correta de tecnologias que garantem a qualidade da aplicação de agroquímicos também faz parte da proposta da aliança entre as quatro empresas. O grupo defende que o uso adequado das tecnologias de aplicação e a importância de se evitar a deriva são essenciais para garantir a eficácia e a segurança ambiental na utilização de defensivos agrícolas. Além disso, a Força- Tarefa se apresenta como fonte de informação e esclarecimento que, apoiada por estudos acadêmicos, visa desmitificar a utilização do 2,4-D e de outros defensivos agrícolas.