Eduardo Almeida Reis

BOAS NOVAS!

Ótima notícia para os que vivemos na roça e gostamos da profissão: anuncia-se que a área disponível para ocupação pelos humanos e seus bichos deve dobrar dentro de algum tempo. Talvez leve mais tempo que a influência de Lula e do petismo no Brasil, mas o fato é que o mais ambicioso projeto de engenharia jamais concebido pela mente humana está em curso.

Como? Transformando a superfície de Marte em planeta habitado por nós. Já pensaram na alegria que deve ser a produção de leite para vender a preços marcianos? Que tal criar no planeta adaptado o mais nobre dos animais, um quadrúpede que atende pelo nome de cavalo?

Tudo começou com uma proeza técnica extraordinária: a chegada do jipinho- laboratório à superfície de Marte, depois de investimento de US$ 2,5 bilhões. Deve ser o início de um programa de colonização que fará daquele planeta uma nova Terra. Processo demorado, investimento trilionário, que deve resultar na duplicação da área disponível para os humanos no sistema solar.

Será preciso “terraformar” o Planeta Vermelho, criando atmosfera respirável com rios, mares, florestas e o mais necessário, trabalho que ficará a cargo das bactérias.

Terraformar (em inglês terraforming ou “Earth-shaping”) um planeta, lua ou outro corpo celeste é o hipotético processo de modificar deliberadamente sua atmosfera, temperatura, superfície ou ecologia para algo similar à biosfera da Terra, fazendo que seja habitável pelos humanos. Parece maluquice e é, mas há tanta coisa maluca dando certo que não custa pensar na terraformação de Marte.

A Terra, que hoje tem atmosfera rica em oxigênio, era inabitável e foi transformada pela ação de bactérias primitivas, quando da formação deste hoje belo planeta. O projeto é mirabolante e muito complicado para caber numa crônica, o que não me impede de sugerir que se joguem na superfície de Marte algumas dúzias de políticos brasileiros, com ênfase para os deputados federais e os senadores da República, a partir do momento em que foi cientificamente provado que cada um deles é portador de cerca de dois quilos de bactérias.

Não invento: copiei do livro Em casa - Uma breve história da vida doméstica, do admirável Bill Bryson, leitura que havia interrompido há dois ou três meses. Escrevo tantas horas por dia sobre os mais variados assuntos, acompanho tantos jornais impressos e telejornais, sou obrigado a ler tantos livros que me mandam ou compro, que acabo deixando de lado um Bryson, prometendo retomar a leitura na noite seguinte. Alfim e ao cabo são mais de 500 páginas em letrinhas miúdas sobre assuntos interessantíssimos, como esse dos ambientes em que vivemos.

No livro fico sabendo que cada um de nós transporta cerca de 100 quatrilhões de bactérias, que pesam cerca de dois quilos. O tampo da escrivaninha em que estou escrevendo tem cinco vezes mais bactérias do que o assento da privada do banheiro ao lado, o que se explica: a superfície mais limpa de uma casa é o assento do vaso e a mais suja é a pia da cozinha. O assento, porque é limpo mais vezes do que o tampo aqui da escrivaninha; a pia da cozinha não sei o porquê.

Uma estudante secundarista da Flórida comparou a qualidade da água nos vasos sanitários das lanchonetes do seu bairro com a qualidade do gelo posto nos refrigerantes e constatou que, em 70% dos estabelecimentos pesquisados, a água do vaso era mais limpa que a do gelo.

Sugeri a remessa de políticos para Marte, não porque suas bactérias sejam melhores ou piores do que as nossas, mas para nos livrarmos deles. Ainda no livro de Bryson aprendi que existem cerca de 4.700 espécies de mamíferos e uma quarta parte delas é de morcegos, aproximadamente 1.100 espécies. Há morcegos do tamanho de uma abelha, como também há os que beiram os dois metros de envergadura de asas, na Austrália e no sul da Ásia.

São bichos abençoados, que se alimentam de grande quantidade de insetos, beneficiando as plantações e os seres humanos. O pequeno pipistrelo chega a comer 3 mil insetos em suas incursões noturnas, e o minúsculo Carollia perspicillata sul-americano pode comer 60 mil sementinhas numa só noite. Uma colônia de 400 desses mamíferos pode espalhar, por ano, 9 milhões de árvores frutíferas – árvores que, sem os 400 morceguinhos, não existiriam.