Agribusiness

 

TRIGO

SEM LEILÕES, NEGÓCIOS COM TRIGO SÃO PONTUAIS

Juliana Winge - [email protected]

Os leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vinham sendo as principais movimentações com trigo no Brasil. Como os leilões foram cancelados, houve apenas reportes pontuais de negócios, devido ao desencontro entre a pedida dos produtores e a oferta por parte da indústria. Na região norte paranaense, onde a colheita já está em pelo andamento, por exemplo, o valor pedido pelos produtores pela tonelada de trigo de melhor qualidade não é inferior a R$ 700. Com isso, muitos moinhos têm evitado adquirir o produto. “Os agentes reportam a existência de dois tipos de compradores no mercado neste momento: os que estão bem estocados e os que necessitam comprar o mais rápido possível, a fim de manter as suas operações em um nível normal”, explicou o analista de Safras & Mercado Elcio Bento. Os primeiros estão na defensiva e têm nos leilões do Governo o referencial para novas aquisições. Os demais, em geral de menor porte, se não conseguem adquirir o cereal do Governo, precisam pagar os preços pedidos no mercado.

Segundo o último relatório do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, a colheita de trigo está 30% concluída. Encontram- se em boas condições 69% das lavouras, 29% em condições médias e 2% em condições ruins. Do total, 0% das plantações estão em germinação, 14% em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração, 22% em frutificação e 41% em maturação. No Rio Grande do Sul, as condições climáticas e sanitárias são favoráveis para a cultura, o que sinaliza para bons resultados na colheita, que deve se iniciar em breve.


ARROZ

VALORIZAÇÃO NO RS É A MAIOR DESDE 2004

Rodrigo Ramos - [email protected]

A segunda semana de setembro manteve a tendência de forte alta do arroz no principal referencial para o país, o Rio Grande do Sul, que atingiu o melhor patamar desde meados de 2004. Seguindo o mesmo comportamento, Santa Catarina e Paraná já apresentam acréscimo significativo no período de um mês. Nas regiões produtoras de arroz de terras altas, o aumento de preços é ainda maior, devido à oferta cada vez mais escassa, gerando uma demanda adicional para o mercado do Sul do país. No Rio Grande do Sul, a média paga para o produtor era de R$ 38,12 por saca de 50 quilos no dia 17 de setembro. No decorrer de uma semana, a média paga teve valorização de 4,2%, pois estava a R$ 36,57 por saca no dia 10. Porém, no que se refere ao valor registrado 30 dias antes, quando estava a R$ 33,02, há acréscimo de 15,4%. E frente à cotação de um ano atrás, há elevação de 65,2%, já que na época estava a R$ 23,07 por saca. Em Santa Catarina e no Paraná, a cotação média do grão irrigado em casca teve alta expressiva, sendo que na praça de Rio do Sul o produto catarinense era pedido na média de R$ 33 por saca de 50 quilos no dia 17. Comparando com igual período de agosto, a elevação é de 12,8%, pois estava em R$ 29,25. Se levar em consideração a média em setembro de 2011, quando era de R$ 21 por saca, há aumento de 57,1%. No município paranaense de Paranavaí o cereal em casca irrigado estava no valor de R$ 49,70 por saca de 60 quilos no dia 17 de setembro. Em analogia com o patamar pago há um mês, que era de R$ 40 por saca, o preço atual está 24,3% acima e, se comparado com mesmo momento em setembro do ano anterior, que era de R$ 29 por saca, existe elevação de 71,4%.


SOJA

SAFRA SUL-AMERICANA TENDE A SER RECORDE

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O tradicional levantamento de intenção de plantio para a safra 2012/13 de soja na América do Sul, realizado por Safras & Mercado, mostra que, apesar de algumas limitações políticas, a área crescerá fortemente na região. Mas, desta vez, um pouco diferente do sinalizado inicialmente no ano passado, com sentimento também bastante positivo para a expectativa de produção. Isso significa que a cultura com certeza confirmará novo recorde de plantio na temporada, certamente superará a desastrosa safra deste ano e tem grandes chances de superar com folgas o recorde alcançado na safra 2010/11.

No lado positivo para o potencial dessa nova safra há alguns destaques, como os seguintes: apesar das severas perdas de produção em função da falta de chuvas, os resultados econômicos obtidos na safra 2011/12 foram predominantemente positivos; os preços recordes observados e praticados no mercado internacional e nos respectivos mercados domésticos; a expectativa de manutenção de mercado acentuadamente firme também para 2013; o elevado volume de produto já comercializado antecipadamente da próxima safra; a provável retração da área em culturas alternativas na safra de verão, como o milho e o algodão; a elevação no nível de tecnologia empregado nas lavouras; a melhor expectativa de clima.

Já pelo lado negativo, desta vez os limitantes para a expansão são bem pouco representativos, se limitando ao seguinte: algum aumento nos custos de produção, especialmente em fertilizantes; embates políticos que atingem o setor agrícola, sendo de natureza fundiária no Paraguai e na Bolívia, e de natureza comercial e tributária na Argentina; utilização de áreas novas e não tradicionais para a cultura, o que pode reduzir o potencial de produtividade; e as naturais limitações de natureza climática, que sempre é uma variável relevante e com elevado grau de incertezas. A combinação de todas essas variáveis de estímulo devem levar a um forte avanço na área a ser colhida na safra 2012/ 13 da América do Sul. Inicialmente está estimada em 52,396 milhões de hectares, o que representaria novo recorde para a região, superando em 11% os 47,399 milhões da safra atual e em 10% o recorde de 47,684 milhões de 2010/ 11. Levando em consideração essa tendência de área e rendimento, chega-se a um potencial de produção avaliado preliminarmente em 152,560 milhões de toneladas. Em caso de confirmação, esse volume ficaria 32% acima da frustrada e revisada safra de 115,606 milhões de toneladas colhida este ano.


ALGODÃO

MERCADO SEGUE COM PREÇOS FIRMES E POUCOS NEGÓCIOS

Rodrigo Ramos - [email protected]

A segunda semana de setembro encerrou com lentidão no ritmo dos negócios no mercado doméstico de algodão. Segundo o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, a oferta no mercado disponível segue enxuta. “Com isto, as indústrias com necessidade de aquisição imediata encontram preços firmes”, explica. Diante deste quadro, os negócios reportados são de lotes pequenos. “A expectativa dos compradores é de que a oferta melhore nas próximas semanas”, prevê. A dúvida, segundo os agentes, é se os níveis praticados atualmente se sustentarão ou não. “E, para eles, o saldo de algodão ainda a ser comercializado na atual safra é que indicará o rumo das cotações”, pondera Bento. Até o momento, o impacto do excedente de produção em relação ao consumo no ciclo comercial, próximo a 900 mil toneladas (pluma), não foi sentido. “As exportações apresentam bom desempenho e o mercado doméstico segue com a oferta enxuta”, finaliza.

Com o bom desenvolvimento da segunda safra de algodão neste ano no Mato Grosso, a produtividade da safra 2011/12 foi mais uma vez ajustada para cima e atingiu as 258 arrobas por hectare. Com isto, a produção, que estava estimada até último mês em 999 mil toneladas, foi para 1,07 milhão de toneladas. Além disso, nesta primeira divulgação de safra 2012/13, o Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea), em parceria com a Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa) e o Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMA), espera que 694 mil toneladas sejam colhidas, registrando uma queda na produção de 36%. Este movimento deve ocorrer principalmente por conta do recuo da área, que deve reduzir em 28%, chegando a 520 mil hectares.


CAFÉ

EXPORTAÇÕES COM QUEDAS DE 17% NO ANO

Lessandro Carvalho - [email protected]

As exportações totais brasileiras de café têm um volume acumulado nos oito primeiros meses de 2012 de 17,458 milhões de sacas de 60 quilos, com queda de 17,3% no comparativo com o mesmo período do ano passado, quando os embarques eram de 21,116 milhões de sacas. Os números são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A receita com as exportações no acumulado janeiro-agosto chega a US$ 4,116 bilhões, recuo de 21,7% no comparativo com igual intervalo de 2011 (US$ 5,260 bilhões). Tomando-se somente o mês de agosto, as exportações totais foram de 2,644 milhões de sacas, queda de 8,8% contra agosto de 2011, quando foram embarcadas 2,899 milhões de sacas. Em receita, os embarques de agosto foram de US$ 536,3 milhões, 31,7% a menos que em agosto de 2011 (US$ 785,1 milhões).

A comercialização da safra de café do Brasil 2012/13 (julho/junho) fechou o mês de agosto em 35%. Houve um avanço de sete pontos percentuais em agosto no comparativo com julho. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado, com base em informações compiladas até 31 de agosto. Entretanto, os negócios estão atrasados em relação a 2011. Em igual período do ano passado, 42% da safra 2011/12 estava comercializada. Com isso, já foram comercializadas até o final de agosto 19,48 milhões de sacas de 60 quilos, tomandose por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2012/13 brasileira de 54,9 milhões de sacas. Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, o produtor continua mostrando tranquilidade na hora de vender seu café, dosando suas posições e apostando no futuro. “Assim, adota uma estratégia que já se mostrou adequada em outras temporadas”, comenta o analista.


MILHO

BRASIL INICIA CULTIVO EM RITMO LENTO

Arno Baasch - [email protected]

Os primeiros dados relativos ao plantio de milho da safra de verão 2012/13 apontam para um ritmo de cultivo mais lento se comparado aos do mesmo período do ano passado. Segundo levantamento de Safras & Mercado, o Brasil ingressou na segunda quinzena de setembro com apenas 3,5% da área estimada de 5,083 milhões de hectares plantada, ante os 7,5% registrados na safra 2011/12, que teve área de 5,910 milhões de hectares. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, com um clima ainda desfavorável ao plantio em boa parte do país, é possível que uma oferta proveniente de milho da safra nova entre fevereiro e março de 2013 ainda seja limitada, especialmente se as previsões de bons volumes de chuvas para o primeiro trimestre de 2013 no país, por conta do fenômeno El Niño, forem confirmadas, o que atrasaria a colheita.

Conforme Molinari, tal cenário, associado à grande quebra na safra dos Estados Unidos, deve manter as exportações de milho do Brasil bastante movimentadas nos próximos meses, com realização de vendas de novembro a março. “É possível que o Brasil possa alcançar exportações entre 17 e 18 milhões de toneladas até o fechamento do ano comercial, em janeiro de 2013, volume nunca antes alcançado. Recordes também têm sido observados em setembro, quando, na primeira semana, o país embarcou 770 mil toneladas de milho”, comenta. Outro fator que deixa o mercado brasileiro na expectativa de bons negócios na exportação leva em conta a possibilidade de liberação, por parte da Europa, da importação de todas as variedades de milho transgênico cultivadas no país. “Essa decisão pode ser aprovada a qualquer momento e significaria uma abertura praticamente completa para a venda de milho brasileiro no mercado internacional”, alerta Molinari. Segundo o analista, tal condição também contribuiria para reduzir o deságio de US$ 40 por tonelada atualmente existe sobre o preço do milho nacional em relação aos valores praticados no Golfo do México. “O Brasil passaria a ser ainda mais competitivo lá fora”, resume.