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AGRONEGÓCIOS: RUMO À OUTRA REALIDADE

Mais de 3,5 mil produtores e técnicos participaram do XX Congresso Nacional realizado pela Associação Argentina de Produtores de Plantio Direto (Aapresid). Um dos destaques do evento é a opinião do analista Felix Peña a respeito do futuro do agronegócio. Para ele, o produtor agropecuário precisa se converter em um hábil caçador de um alvo móvel. Por isso, ele recomenda formar equipes, manter a integração à cadeia e preservar o caixa para não vender mal a produção. Peña adverte que o mundo que conhecemos nos últimos 10 ou 15 anos não existe mais. “Não está claro o que virá pela frente. E desconfie de quem assegura que sabe a resposta”, avisa. A transição, na opinião do analista, pode ser prolongada, difícil e turbulenta. “Ingressamos em um mundo descentralizado, em que ninguém pode dominar o outro. Um universo em que tudo se mistura: hábitos, cultura e religião. Cada um deverá contar com seu próprio roteiro e manter as antenas receptivas para ver para onde se movem as coisas”, destaca. Para o agronegócio, a dinâmica do câmbio aumenta a volatilidade e o deslocamento da competitividade. O importante, segundo Peña, é ficar atento para detectar oportunidades que podem estar ao lado.


TODOS OS OLHOS

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) ajustou negativamente a produção de soja norte-americana em 14 milhões de toneladas. No entanto, analistas consideram que as perdas podem ser ainda maiores, e o órgão americano vem reduzindo drasticamente as exportações previstas para manter a relação estoque/consumo. O problema é que a China segue comprando com intensidade, e os embarques externos dos Estados Unidos continuam andando rapidamente. “Neste ritmo, ficaremos sem soja em breve”, adverte o analista de mercado da Fundação Libertad, Dante Romano. “É uma equação difícil, porque o estoque de segurança da China diminuiu de 23% para 15%, e o país não pode correr mais riscos. Todo esse cenário gera uma forte expectativa sobre a produção na América do Sul. São esperadas mais de 55 milhões e 85 milhões de toneladas para a Argentina e o Brasil, respectivamente. Desse modo, em fevereiro ou março, teremos um reposicionamento no mercado da soja, e os preços tendem a recuar diante dos altos valores atuais. A previsão de El Niño indica que a produção na Argentina e no Brasil poderá alcançar mesmo grandes volumes”, declara Romano.


TRIGO

O saldo exportável voltou a ser exíguo. A estimativa é de que fique em cerca de 3 milhões de toneladas. A área plantada é uma das menores em termos históricos.


SOJA

Era a aguardada uma verdadeira avalanche de soja. No entando, depois da alta dos preços do milho, a expectativa está um pouco mais contida. A previsão inicial indicou a obtenção de 55 milhões de toneladas para a próxima safra.


LEITE

Os preços pagos ao pro-dutor voltaram a registrar um leve retrocesso, justo quando o segmento necessitava de uma importante alta. Os valores apontam para US$ 0,33 pelo litro, segundo o dólar oficial, e para US$ 0,24, de acordo com o dólar paralelo.


CARNE

Os preços de terneiros e novilhos se mantêm estáveis, mas acabam em desvalorização devido à inflação anual de, pelo menos, 25%. Os confinadores também já alertaram o mercado para a alta nos custos.


MUITO CARO

Os produtores de leite argentinos voltaram a pagar um preço alto por seu escasso nível de coesão. Com um preço bastante deprimido para o leite, e depois de semanas em que foram bloqueados os acessos a várias indústrias, uma reunião com autoridades nacionais e as empresas terminou em um novo fracasso. A questão é que grupos de produtores mais próximos ao governo decidiram aceitar um acordo em que as indústrias se comprometem a manter os preços até o final do ano, o que já deixou de ser cumprido. Questionados sobre esse acordo, os produtores justificaram a decisão com o argumento de que pretendiam evitar males maiores. Conclusão: o preço recebido está abaixo da demanda dos produtores e as perspectivas de melhora parecem definitivamente enterradas.