Florestas

 

MODERNIZAÇÃO da silvicultura e a precisão de suas operações

Ademar da Silva Júnior, presidente da Comissão de Silvicultura e Agrossilvicultura da CNA

A silvicultura de precisão pode ser entendida como um conjunto de procedimentos e tecnologias que permitem o tratamento geograficamente localizado de uma cultura, permitindo também a análise da produtividade e das características do solo (por meio da colheita e amostras ou imagens de satélite), controle preciso da aplicação de insumos e correção da terra e plantio. Assim, o GPS se torna um componente essencial para a maioria das aplicações de silvicultura de precisão baseadas em mapeamento do solo. No Brasil, as empresas produtoras de eucalipto são as principais representantes deste sistema de controle de plantio.

Já é de perfeita compreensão que as características edafoclimáticas do Brasil proporcionam vantagens competitivas em relação a outros países produtores de florestas. Para acompanhar a expansão acentuada do setor florestal brasileiro, marcada por significativas ampliações das empresas produtoras principalmente de papel, celulose e carvão, a silvicultura de precisão se torna a grande aliada para um aumento de produtividade por área e controle de qualidade da madeira. As novas tecnologias desenvolvidas por centros de pesquisa e adotadas por empresas devem ser aproveitadas e incentivadas como uma excelente ferramenta na quebra de paradigmas sociais, ambientais e econômicos, muitas vezes associados equivocadamente aos projetos florestais.

“A silvicultura de precisão poderá promover grandes evoluções na silvicultura brasileira”, atesta Ademar da Silva Júnior

Por meio de amostragem de parcelas representativas das áreas ou talhões cultivados, a silvicultura de precisão auxilia no controle de qualidade da empresa. Tecnologias como o sensoriamento remoto, sistemas embarcados e sistemas avançados de processamento de informações são ferramentas cada vez mais disponíveis e aplicáveis a diversas etapas na implantação de um projeto florestal, desde o planejamento de atividades, ao preparo do solo e controle e prevenção de incêndios florestais. Além disso, contribuem na redução de custos ao possibilitar, por exemplo, um maior controle do fluxo de insumos e fertilizantes por um pulverizador e a uniformidade das dosagens aplicadas, além de auxiliar a sinalização aos operadores, evitando a passagem por áreas sem aplicação. A silvicultura de precisão poderá promover grandes evoluções na silvicultura brasileira por possibilitar ao produtor rural a modernização da gestão de suas atividades e auxiliar na correta tomada de decisão, reduzindo o prazo de retorno do seu investimento.

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já tem desenvolvido o Programa Agricultura de Precisão desde 2011, através da capacitação de instrutores em cursos de 80 horas. Em 2012, a entidade iniciou um ciclo de seminários com o objetivo de levar o conhecimento também aos produtores e aos demais trabalhadores rurais, como os prestadores de serviços e o setor de máquinas agrícolas.

A Comissão Nacional de Silvicultura e Agrossilvicultura da CNA atua como parceira das empresas nacionais e internacionais na proposição e divulgação de técnicas de silvicultura de precisão viáveis para os grandes, médios e, também, pequenos produtores rurais.


SILVICULTURA DE PRECISÃO É A TENDÊNCIA

A mecanização da silvicultura, mais do que um avanço tecnológico para o setor madeireiro, é uma tendência para os próximos anos. A maioria das empresas do ramo no Paraná e em Santa Catarina ainda não utiliza máquinas na silvicultura por conta de entraves como a pouca difusão da tecnologia, a falta de fornecedores e a limitação de recursos para investimentos. Mesmo assim, existe um fator que promete obrigá-las a utilizarem essa opção. “A crescente escassez de mão de obra deve ser um fator decisivo para o início dessa mudança. Essa realidade deve ser um incentivo para as empresas buscarem alternativas, como aconteceu com a colheita na década de 90”, afirmou Ricardo Malinovski, doutor em Engenharia Florestal pela UFPR e um dos palestrantes da câmara técnica de silvicultura durante o 4º Congresso Florestal Paranaense, em Curitiba, no mês passado.

Malinovski divulgou alguns números levantados em uma pesquisa realizada com 28 empresas do Paraná e de Santa Catarina que mostram que elas estão conscientes dos benefícios da mecanização e desejam a mudança. “Um dos agravantes para a implantação desse sistema é o fato de cerca de 50% dos terrenos onde essas companhias estão instaladas é de relevo ondulado e fortemente ondulado”, explicou o professor. O uso da silvicultura de precisão, que é um processo novo que começou a ser difundido há cerca de seis anos, é ainda mais raro, mas também é uma tendência.