Soja

 

Os PERCEVEJOS sob domínio

São as pragas mais importantes da soja e se alimentam diretamente dos grãos, o que causa consideráveis prejuízos

Engenheiro agrônomo Mauro Tadeu Braga da Silva, pesquisador da MTB Consultoria/Instituto Phytus

Os percevejos são considerados uma das pragas de maior importância para a cultura da soja. Por se alimentarem diretamente dos grãos, causam problemas sérios à soja, afetando a quantidade e a qualidade das sementes. As espécies de percevejos mais abundantes em soja são o percevejo-verde (Nezara viridula), o percevejo-marrom (Euschistus heros) e o verde-pequeno (Piezodorus guildinii), embora vários outros da família Pentatomidae também possam estar presentes em menor frequência.

A colonização das plantas de soja pelos percevejos se inicia em meados ou final do período vegetativo da cultura ou durante a floração (R1 a R2). Nesta época, os percevejos estão saindo da diapausa ou de hospedeiros alternativos e migram para a soja. A partir do aparecimento das vagens (R3), que é o período de alerta, as populações desses insetos, principalmente as ninfas, aumentam, podendo atingir níveis elevados entre o final do desenvolvimento das vagens e o início do enchimento dos grãos (R4 a R5), quando a soja é suscetível ao ataque e, por isto, é chamado de período crítico. A população cresce até o final do enchimento de grãos (R6), quando atinge o pico populacional máximo, normalmente com a soja em maturação fisiológica (R7). A partir daí a população tende a decrescer e, na colheita (R8), os percevejos remanescentes se dispersam para as plantas hospedeiras alternativas e, mais tarde, para os nichos de diapausa (palhada), no caso do percevejo-marrom. O percevejo-verde e o verde-pequeno se abrigam em plantas hospedeiras (mamona, mostarda, guandu e anileira no Paraná; ervilhaca, nabo forrageiro, tremoço e trigo no Rio Grande do Sul), onde permanecem até iniciar o próximo ciclo, na safra seguinte. No Paraná, o percevejo barriga-verde, da soja passa para o milho safrinha e depois para o trigo, onde pode causar sérios prejuízos durante o período de outono-inverno.

Monitoramento — A vistoria na lavoura deve ser executada, no mínimo, uma vez por semana, a partir do início da floração (R1) até a maturação fisiológica. O monitoramento deve ser intensificado quando ocorrer invasão de adultos provenientes de cultivares de ciclo mais curto e/ou semeadas mais cedo já em fase de maturação e/ou colheita. No período da colonização, quando as populações de percevejos estão nas bordas da lavoura, uma estratégia que pode ser usada para diminuir o impacto causado pelos inseticidas é efetuar o controle somente nessas áreas marginais, evitando a dispersão dos insetos para toda a lavoura e a mortalidade de inimigos naturais de forma generalizada.

Em geral, as cultivares semeadas mais cedo ou as cultivares precoces escapam dos danos dos percevejos. Estas cultivares, no entanto, são fontes de abrigo, de alimentação e, principalmente, de reprodução dos percevejos. Por isto, deve-se concentrar o monitoramento e o controle nestas cultivares, para diminuir a multiplicação e, assim, a dispersão para as cultivares tardias ou semeadas mais tarde. Caso isso não aconteça, os percevejos podem causar os maiores prejuízos, pelas maiores concentrações desses insetos nos plantios tardios (meados de dezembro).

Finalmente, a pulverização adequada de inseticidas, envolvendo o momento da aplicação, a dose e a reação diferenciada dos percevejos da soja em relação aos inseticidas ou a um mesmo inseticida, é muito importante para o manejo, inclusive, para evitar a resistência desses insetos a inseticidas. Hoje, em alguns locais, é comum a ocorrência de populações de percevejos resistentes aos inseticidas. Para que esses problemas não sejam intensificados, é indicado que o mesmo inseticida não seja utilizado na mesma área, repetidas vezes; que sejam usados inseticidas eficientes; e que não sejam empregados inseticidas em doses menores ou maiores que aquelas registradas e/ou pesquisadas ou indicadas pelas Comissões de Entomologia.

Monitoramento: a vistoria na lavoura deve ser executada, no mínimo, uma vez por semana, a partir do início da floração (R1) até a maturação fisiológica, explica Mauro Tadeu Braga da Silva