Milho

 

Gestão da QUALIDADE desde a semeadura

Do plantio até a colheita do cereal, é preciso planejamento, execução baseada na qualidade, avaliação estatística dos resultados e capacidade de mudança, quando necessária

Parte II

Afonso Peche Filho e Moises Storino, pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas/SP, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo

Todas as atividades que envolvem liderança, condução, orientação e controle fazem parte da gerência. Cabe ao gerente traçar o perfil, formar boas equipes, saber estimular e tirar o máximo dos seus profissionais. Com o nível de tecnologia que os gerentes têm à disposição, é inaceitável entregar as operações de semeadura e de colheita a colaboradores não habilitados para tal. O gerente deve conduzir estas operações do começo ao fim, dentro de um padrão de qualidade que permita que a cultivar escolhida expresse seu potencial genético, pois não basta germinar, é preciso que a planta chegue à colheita com resultado superior ao seu custo de produção.

O ritmo operacional é outro fator importante na semeadura, pois está relacionado com o clima e com as necessidades da cultivar. Normalmente, a falta de semeadoras disponíveis em relação a área a ser plantada impõe muitas restrições ao pleno desempenho da máquina. Uma diretriz gerencial que estimule os operadores a auA GRANJA | 45 mentar o ritmo da operação pelo aumento da velocidade irá comprometer a qualidade da lavoura, por isso, é necessário encontrar soluções para operar com qualidade e estimular as equipes a acertar mesmo em condições adversas de plantio.

O mesmo se aplica ao processo de colheita que se concentra em um curto intervalo de tempo e também sofre pela falta de equipamentos, assim como por problemas como a média de idade da frota de colhedoras. O universo operacional contempla atividades relacionadas com execução, função, objetivo, procedimentos, padrões e desempenho. Regulagem, operação de máquinas, logística, abastecimento, lubrificação, manutenção, apontamentos e controle são exemplos de ações operacionais.

Um ponto fundamental para a gestão da qualidade operacional é a adoção de padrões de desempenho que atendam às exigências que a tecnologia adotada impõe. Os padrões operacionais na execução da semeadura precisam compreender a importância dos componentes das semeadoras e as suas relações com o solo, com a planta e com a jornada de trabalho. Por sua vez, na operação de colheita mecanizada, a relação máquina-planta deve ser colocada em evidência sem, no entanto, descuidar-se da distribuição dos restos culturais.

Eficácia — Normalmente, os procedimentos agrícolas brasileiros não são norteados pelos conceitos de eficácia e eficiência operacional e isso conduz a uma orientação deficiente para as equipes. Operar com eficácia é executar corretamente para produzir resultados dentro dos padrões de qualidade agronômica, por sua vez, operar com eficiência é repetir os padrões de qualidade nas diferentes condições do terreno e sempre buscar o menor custo operacional sem paradas, sem perdas e sem desperdícios. A eficiência pode ser entendida como a comparação dos resultados obtidos com os resultados que poderiam ser alcançados pela utilização otimizada dos mesmos recursos. Porém, é necessário que sejam distinguidos dois tipos de eficiência:

1. A eficiência mecânica, que reflete a habilidade operacional de obter o máximo de desempenho dentro de parâmetros mecânicos considerados clássicos para cada conjunto de equipamentos. Estão relacionadas com o desempenho funcional das máquinas e de seus componentes durante a jornada operacional.

2. A eficiência agronômica, que reflete a habilidade de produzir resultados agronômicos dentro de níveis aceitáveis pela análise de variabilidade. Estão relacionadas com resultados da interação máquinas, insumos e ambiente.

A amostragem é a base do estudo da eficiência e este procedimento necessita de um número elevado de dados. Sugere-se o uso de no mínimo 75 pontos de amostragem para que possam ser feitas as análises de variabilidade, além de permitir o uso de sistemas de informação geográfica e de técnicas estatísticas do controle de qualidade. Para o cálculo da eficiência de uma operação agrícola, devem ser selecionadas variáveis que caracterizem seu desempenho e sejam representativas do processo avaliado. Parâmetros subjetivos devem ser avaliados com notas de 1 a 5 para representar em números a amplitude destas variáveis. A equação abaixo permite o cálculo da eficiência em porcentagem:

Ef %= (V2/V1).100
Ef % = eficiência
V1 = valor máximo que pode ser alcançado
V2 = valor observado

A adoção de técnicas de controle, de análise e de treinamento a partir dos resultados obtidos permite o avanço contínuo dos padrões de qualidade da empresa. Porém, pode-se adiantar algumas posições que certamente auxiliarão na obtenção das metas pretendidas:

- Elimine todas as possibilidades de a máquina já iniciar com problemas;
- Avalie o funcionamento dos componentes logo nas primeiras horas de operação;
- Seja proativo e alerte sobre eventuais problemas antes que a máquina quebre;
- Facilite o trabalho da máquina com velocidade correta e sem esforços extremos;
- Trabalhe com a máquina lubrificada;
- Compartilhe do trabalho em equipe, tenha paciência e respeito e diálogo com os colegas; - Ouça e, sempre com bom senso, aja conforme as orientações;
- Seja rápido e assertivo, mas, somente com resultados acima da média;
- Procure entender como as condições ambientais e o estado das máquinas afetam sua eficiência;
- Saiba que as falhas operacionais têm relações com os níveis administrativo, gerencial e operacional;
- Para aumentar a competitividade das lavouras desenvolva modelos de gestão mais eficientes.

A gestão operacional moderna passa pela adoção do planejamento para a qualidade, pela execução com base na filosofia da qualidade, na avaliação estatística dos resultados e na capacidade de mudança frente às necessidade apontadas pelos processos de monitoramento e controle.