Expointer

 

RECORDE para superar a seca

Tradicional feira agropecuária, realizada em Esteio/RS entre 25 de agosto e 2 de setembro, registrou comercialização superior a R$ 2 bilhões

Denise Saueressig - [email protected]

A 35ª Expointer mostrou que os produtores gaúchos querem deixar no passado o abatimento provocado pela severa estiagem que gerou quebra de mais de 40% nas lavouras de soja e milho na safra 2011/2012. Realizada no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio/RS, entre 25 de agosto e 2 de setembro, a feira encerrou com comercialização recorde de R$ 2,036 bilhões, crescimento de 86,96% em comparação com a edição de 2011, que somou R$ 1,089 bilhão.

Os principais destaques foram as vendas de animais, que somaram R$ 13,735 milhões, e os negócios envolvendo máquinas e implementos agrícolas, que contabilizaram R$ 2,02 bilhões, um incremento de 142% sobre o volume registrado na exposição do ano passado. O público visitante superou as 478 mil pessoas nos nove dias de feira. Ao fazer a avaliação dos resultados, o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, saudou os números que ele considera como “fantásticos”. “Todos estão sorrindo. É a maior Expointer já realizada”, comemorou.

Na opinião do presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, o desempenho da feira demonstra a ansiedade do produtor rural em realizar investimentos para superar os prejuízos da seca, aproveitando o preço favorável das commodities e a queda nos juros. Uma das novidades desta edição da Expointer foi a Quadra da Irrigação, espaço junto às empresas de máquinas voltado especialmente para fabricantes de equipamentos destinados à lavoura irrigada. Segundo levantamento da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Rio Grande do Sul, os resultados da iniciativa superaram as expectativas: a movimentação financeira foi de R$ 56,7 milhões.

Produtor Leandro Machado: visita à Expointer marcou o início do projeto de irrigação na lavoura de soja

O produtor Leandro Schneider Machado aproveitou a Expointer para dar início ao projeto de irrigação na propriedade de 230 hectares em Cachoeira do Sul/RS. Orizicultor, há dois anos ele também passou a plantar soja. Mas o desempenho 30% abaixo do esperado, na safra passada, fez com que ele pensasse mais seriamente na importância do investimento em irrigação. “A minha intenção é conseguir estabilizar a produção da soja e avaliar a utilização do sistema também em culturas de inverno”, destaca o produtor.

Na feira de Esteio, Machado negociava a compra de dois pivôs para uma área de 62 hectares. Depois do projeto feito pela empresa fabricante do equipamento, ele ainda precisa encaminhar o pedido de licenciamento à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). “Minha expectativa é de que os equipamentos estejam instalados em abril de 2013”, afirma. O produtor calcula um investimento em torno de R$ 6 mil por hectare para dar início ao uso da técnica. A compra dos pivôs foi financiada pelo Programa de Sustentação do Investimento (PSI), com juros de 2,5% ao ano e prazo de dez anos para o pagamento.

Estímulos para ir às compras — Junto com as facilidades dos programas oficiais de crédito, que oferecem baixas taxas de juros, os preços altos da soja certamente tiveram influência sobre as decisões dos produtores que foram à Expointer dispostos a encaminhar ou fechar negócios. Pela primeira vez na feira, o agricultor Claudemir Souza Roman planejava a aquisição de um trator de 165cv para a propriedade de 370 hectares em Mato Castelhano/RS. “Além do incremento de tecnologia, estou buscando mais conforto. Será meu primeiro trator com cabine e ar-condicionado”, conta o produtor que cultiva soja, milho e trigo.

Claudemir Roman e Marcelo Favero: negócios encaminhados e perspectivas positivas para a próxima safra

A expectativa para a próxima safra é positiva, e Roman espera deixar para trás as perdas que teve com a estiagem em 2011/2012. A lavoura de soja, que normalmente tem produtividade média de 62 sacas por hectare, no último ciclo rendeu 45 sacas. Na área de milho, a queda foi das habituais 150 sacas por hectare para 106 sacas.

A boa perspectiva de mercado para a safra 2012/2013 fez com que o produtor Marcelo Favero, de Passo Fundo/ RS, optasse por cultivar apenas soja na lavoura de verão. No ciclo passado, 10% da área de 275 hectares foi ocupada pelo milho. “Negociamos antecipadamente entre 5% e 10% da safra de soja, com média de preços de R$ 54 a saca. Apesar do custo 25% maior, conseguimos pagar nossas contas”, relata o agricultor, que vai escalonar a venda do restante da colheita. Na avaliação dele, se os preços continuarem bons, será possível recuperar os prejuízos da última seca, que provocou perdas de 25% na lavoura de soja e de 60% na plantação de milho. Na Expointer, Favero analisava a compra de uma colheitadeira. “Estou precisando de uma máquina nova, já que as que estão em uso foram adquiridas em 1986 e em 1990. Está na hora de trocar”, conclui.

Trabalho com mais eficiência — Para produzir mais em menos tempo, o produtor Ronaldo Moresco foi à Expointer disposto a investir numa nova colheitadeira para a propriedade em Nova Araçá/RS. “Precisamos pensar na eficiência. Há 10 anos, a colheita demorava quatro meses para ser concluída, mas hoje, com a tecnologia disponível, é possível realizar o trabalho em dois meses”, observa. O agricultor aproveitou as condições do Programa Mais Alimentos para adquirir a máquina de R$ 291 mil. “É o momento de aproveitar os juros baixos e a condição de pagamento em dez anos”, constata.

Produtor Ronaldo Moresco: colheitadeira nova para trabalhar com mais eficiência e tecnologia na lavoura

Moresco cultiva milho, soja, trigo e feijão na propriedade de 90 hectares que mantém com o pai e os irmãos. A família somou uma perda de 60% na última safra, devido à estiagem. A produtividade da soja caiu de 70 para 38 sacas por hectare. No milho, a queda foi de 190 para 80 sacas por hectare. “Com adubação reforçada, clima favorável e preços bons, esperamos recuperar esse prejuízo em dois anos”, salienta o produtor.

Quando fechou a compra de um trator de 78cv na feira de Esteio, o agricultor Tassiano Kologeski de Souza buscou principalmente robustez e economia de combustível na máquina nova. “É um equipamento ideal para pequenas áreas. Além disso, procurava um trator com mais modernidades, porque o último foi comprado há nove anos”, menciona. Com propriedade em Sentinela do Sul/RS, ele e a esposa, Ane Daiane Herzog, visitaram a Expointer para conhecer tecnologias que podem ser aplicadas nas lavouras de arroz, fumo e milho. Souza diz que tem perspectivas positivas para as três culturas no próximo ciclo de produção. “Um dos exemplos é o arroz, que estava com preços em torno de R$ 25 na última colheita e, agora, vale R$ 34”, descreve.

Tassiano de Souza: robustez e economia de combustível são diferenciais do trator adquirido na feira


UM NOVO PARQUE

O projeto para revitalização do Parque Assis Brasil foi apresentado durante a Expointer 2012. O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, assinou a criação do Projeto de Lei que autoriza a transformação do parque em uma empresa pública sob a forma de sociedade anônima. Orçada em cerca de R$ 400 milhões, a proposta inclui a construção de hotéis, concha acústica para shows, restaurantes operando o ano inteiro, realização de cursos durante o ano, museu agropecuário e a expansão da área destinada aos animais. A conclusão está prevista para um período de oito anos. Entre os outros trabalhos em elaboração estão o novo pavilhão da Agricultura Familiar e a drenagem das pistas de provas e julgamentos. Esta última obra teve início no final de setembro e tem prazo para entrega de 60 dias.