Na Hora H

 

AS CHUVAS ESTÃO CHEGANDO E COM ELAS A SEMENTE DA ESPERANÇA

ALYSSON PAOLINELLI - Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura

O ano agrícola de 2011/12 está sendo concluído com a confirmação da maior safra que o Brasil já produziu. Embora tenha sido uma bela safra, ela não deixou só benesses. Muitos realmente tiveram um ano excepcional, com ótimas produtividades e bons preços. Quase uma euforia. E o melhor, muitos já venderam quase a metade da próxima colheita com preços muito bons. Outros, no entanto, estão com o amargor de uma seca que tanto os prejudicou, fazendo com que perdessem quase a metade de sua safra e, em muitos casos, as perdas foram totais. Estes estão correndo atrás do Governo, pedindo clemência para que possam voltar a produzir o que sabem e podem.

O Governo, sem muitas condições, lhes oferece a prorrogação dos seus débitos por dez anos. Mais uma vez o fato se repete em ocasiões como esta e o montante, ou melhor, a “montanha” da dívida dos produtores rurais já está no tamanho do intransponível. E eles se comprometem ainda a pagar 10% a mais de juros por ano. Estão presos num vale de amarguras por detrás desta “montanha” de dívidas intermináveis. Resta-nos agora rezar para que o ano agrícola que se inicia seja melhor para todos.

É impressionante o contraste que se estabelece entre os produtores brasileiros e os seus pares da América do Norte, onde a seca foi muito mais inclemente do que a daqui e as perdas foram muito maiores do que as nossas. E, ao que vemos, o agricultor de lá está apenas aborrecido por não ter colhido a safra que esperava, mas numa quase feliz tranquilidade, pois os preços subiram muito e as suas perdas estão todas seguradas nos seus programas de Seguro Rural, que, além de lhes dar toda a tranquilidade em repor os seus gastos perdidos, ainda, em muitos casos, garante inclusive as rendas que foram asseguradas. Estarão no próximo ano, sem fantasma de dívidas, plantando a sua nova safra, que, estimulada pelos preços altos, deverá ser ainda maior. Simples, não?

Sabemos do esforço do nosso ministro da Agricultura para implantar e ampliar o seguro rural, mas ele reclama e com razão que uma só andorinha não faz verão. A presidenta Dilma já assegurou bem mais recursos para o pagamento dos prêmios de seguro para o próximo ano, só que ainda são insuficientes. Não é chegada a hora de todos, produtores, fornecedores de insumos, máquinas, serviços, etc., somar e participar desta tarefa que dará ao Brasil um passo gigante para se firmar definitivamente como um celeiro mundial?

Aqui ainda temos o caso dos consumidores de ração para aves, suínos e bovinos que, lutando para manter a concorrência com os seus competidores lá de fora, ainda têm de enfrentar o preço alto das commodities, lá encarecidas pela seca e pela quebra de safra e aqui, incrível, encarecidas pelos custos de logística, pois a nossa produção foi recorde, só que produzimos muito onde temos pouco consumo e produzimos pouco onde temos muito consumo. Até quando vamos viver este paradoxo? É bom lembrarmos, a nova safra vai ser ainda maior e precisamos de muito melhor logística para atendê-la. Parabéns à nossa presidenta que em boa e oportuna hora abriu a nossa logística a programas de parceria, numa verdadeira convocação à iniciativa privada para que invista de forma rentável onde o Brasil precisa.

Sou testemunho de um verdadeiro ato cívico no Mato Grosso, no que chamam campanha “Estradeira”, onde o Governo do Estado e os produtores da região se somam para resolver os seus problemas. Parabéns aos governadores Blairo Magi, quem iniciou, e Sinval Barbosa, que continuou, e parabéns, especialmente, às lideranças empresariais que, sendo sensíveis, sabem o que estão certamente fazendo. Obrigado, presidente Rui Prado, da Famato, por me ter permitido assistir e participar ao ato cívico do qual nunca mais me esquecerei. Parabéns às entidades que acabam de contratar, por sua conta, um dos mais sérios e objetivos estudos de logística para subsidiar governos municipais, estaduais e Federal e, principalmente, agora, a iniciativa privada, que se vê convocada a dar a sua participação no esforço nacional. É hora de acordarmos. A tarefa de produzir e fazer o Brasil crescer é de todos nós.