Aqui Está a Solução

 

PODA EM OLIVEIRAS

Para que servem a poda de formação e a poda de produção em oliveiras? Desde já, agradeço.

Dulce Bopp - Quaraí/RS

R- A poda de formação é realizada a partir do segundo ano do plantio e tem como objetivo proporcionar uma sólida estrutura para a planta, além de favorecer a iluminação e o arejamento em todas as partes do vegetal. “Quanto mais luz, maior será a produção e a qualidade do azeite obtido. A poda também favorece a execução das práticas culturais, como os tratamentos fitossanitários e a colheita”, explica o técnico da Emater do Rio Grande do Sul Tailor Garcia. A poda de produção, que é realizada quando as plantas atingem o período produtivo, a partir do quarto ano, tem como finalidade a obtenção de um equilíbrio entre a atividade vegetativa e o potencial produtivo para o alcance de uma produção constante, abundante e com qualidade. “Além disso, esta poda tem como objetivo estimular a brotação de ramos produtivos para o ano seguinte”, informa Garcia.


CONSÓRCIO COM ABACAXI

Gostaria de saber quais são as possibilidades de consórcio de plantas em áreas com abacaxizeiro e quais são as principais recomendações e cuidados nesse tipo de manejo. Obrigado pela atenção.

Marcelo Leal Fontana - Salvador/BA

R- Em geral, segundo os pesquisadores da Embrapa, podem ser usadas culturas alimentares (de subsistência) e de ciclo curto, como feijão, amendoim, arroz, quiabo, tomate, pimentão, repolho, couve e outras espécies comuns às regiões produtoras. O abacaxizeiro também pode ser a cultura secundária, plantado em consorciação com abacate, manga, citros, coco, café, guaraná e outras espécies, servindo para diminuir o custo de implantação da cultura principal. Em geral, as culturas consorciadas são plantadas nas entrelinhas e na mesma época da cultura do abacaxi. Não devem ser usadas plantas que sombreiem demasiadamente o abacaxizeiro, nem herbicidas para controlar o mato. Em consórcio com plantas perenes ou de ciclo longo, o abacaxizeiro é plantado nas entrelinhas e na mesma época da cultura principal, colhendose, de preferência, apenas a primeira safra. As filas de abacaxizeiro devem ser plantadas com 1 a 1,5 m de distância das plantas da cultura principal. A consorciação de culturas também deve restringir-se aos primeiros três a cinco meses do ciclo da cultura do abacaxi. As vantagens da consorciação são o melhor aproveitamento dos fatores de produção e da mão de obra; o aumento do uso eficiente da terra; a ajuda no controle da erosão e na manutenção da umidade do solo; a proteção do solo contra a radiação solar; o aumento de matéria orgânica e de atividade biológica no solo; o aumento da renda do agricultor; e a redução dos riscos do empreendimento. As desvantagens são a dificuldade para realizar algumas práticas culturais e para a mecanização da área e da colheita e o aumento da concorrência entre plantas por água, luz e nutrientes.


EFEITO DAS QUEIMADAS

Quais são os maiores problemas provocados pelo uso das queimadas em áreas de cultivo agrícola? Grato pela informação.

Manoel Antônio Andrade - Novo Progresso/PA

R- Utilizada para limpar e preparar o solo para o plantio, a queimada não traz benefícios ao produtor. Pelo contrário. Essa prática primitiva causa danos ao solo e aos demais recursos naturais. É o que explica o coordenador substituto de Manejo Sustentável dos Sistemas Produtivos da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Luiz Novais de Almeida. “Sob o ponto de vista agronômico, o Ministério da Agricultura não recomenda. A queimada elimina nutrientes essenciais às plantas, como nitrogênio, potássio e fósforo. A flora e a fauna são prejudicadas. Além disso, a prática reduz a umidade do solo e acarreta a sua compactação, o que resulta no desencadeamento do processo erosivo e outras formas de degradação da área”, alerta. O coordenador explica que, na medida em que provoca alterações nas características físicas, químicas e biológicas do solo, a queimada contribui, significativamente, para a degradação e redução da capacidade produtiva da terra. “E como o solo é a base de todo o sistema agrícola, gera prejuízos na produtividade das culturas e aumenta os custos de produção. Os impactos são sociais, econômicos e ambientais”, afirma. Além de afetar os solos, o fogo deteriora a qualidade do ar, levando até ao fechamento de aeroportos por falta de visibilidade, reduz a biodiversidade e prejudica a saúde humana. Ao escapar do controle, atinge o patrimônio público e privado (florestas, cercas, linhas de transmissão e de telefonia, construções, etc.). As queimadas alteram a composição química da atmosfera e influem, negativamente, nas mudanças climáticas globais. Do ponto de vista técnico, só seria admissível a utilização de queimada no campo em situação de emergência fitossanitária, como a ocorrência de pragas e doenças na lavoura. “Mas isso seria em casos muito pontuais e extremos, com a aprovação de um especialista”, ressalta Almeida.