Primeira Mão

Soja sem fim no Paraná

O Paraná nunca viu tamanha área de soja como a da safra 2012/13. Serão 4,56 milhões de hectares – 4% a mais que um ano atrás –, o que representa 80% da área total de grãos do estado neste verão, de 5,67 milhões de hectares. Para dar espaço ao avanço da oleaginosa, o milho perdeu 13% do terreno, o feijão, 12% e o arroz, 4%. As estatísticas são da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento, que prevê uma produção total de grãos 25% superior à da safra anterior.


Agro dá show na bolsa

As ações das empresas ligadas ao agronegócio registram uma bela recuperação neste ano. Das 15 companhias listadas na BMF&Bovespa, os papéis de nove subirem acima do Ibovespa, segundo levantamento do Valor Data entre as empresas com receita anual superior a R$ 100 milhões. A Minerva Foods mais que dobrou em nove meses. Os demais crescimentos foram: Agrenco (73,33%), SLC Agrícola (45,55%), Fertilizantes Heringer (45,05%), São Martinho (44,01%), Cosan (33,40%), Marfrig (29,63%), Vanguarda Agro (15,62%) e Tereos (9,52%). Das 15, apenas a BRF-Brasil Foods perdeu.


30 bilhões

de dólares. Este é o montante que o seguro rural americano vai pagar aos produtores daquele país para indenizá-los em função das perdas causadas pela mais devastadora estiagem desde 1930. “O governo dos EUA mantém um programa de seguro que dá segurança real para o produtor. Os americanos estão vivendo a maior quebra de safra e estão sendo prejudicados na totalidade, mas o seguro garante rentabilidade para o produtor”, resumiu Nelson Picolli, diretor da Aprosoja/MT, integrante de um grupo de produtores brasileiros que visitou o país em setembro.

Aproximadamente 85% dos produtores americanos contratam seguro agrícola. Do custo, o governo banca de 48% a 60% do valor contratado. Sendo assim, resta aos agricultores investir apenas cerca de US$ 30 por acre (R$ 75 por hectare). Em caso de desastres naturais, o governo retorna um percentual calculado com base no referencial de preço do grão praticado no mês de fevereiro e na média de produtividade dos últimos dez anos.


Mais Alimentos recorde

O Programa Mais Alimentos, a linha de crédito do Ministério do Desenvolvimento Agrário que financia a modernização das propriedades familiares, deverá bater em R$ 3,5 bilhões de contratações em 2012/13. O desempenho seria, então, 4,9% superior ao período anterior, de R$ 3,12 bilhões (número preliminar). Praticamente todos os estados tiveram crescimento no número de contratos desde o início do Programa, em 2008/09.


16 milhões

de toneladas de milho. Esta é a previsão de exportações feita pela Conab para o ano agrícola 2011/12, volume jamais atingido, e 6,7 milhões de toneladas a mais que os embarques da temporada anterior. O país vai tirar proveito da safra interna recorde, ao mesmo tempo em que a demanda internacional está aquecida e, para completar, os americanos, disparados os maiores produtores, estão amargando perdas graves pela estiagem.


Boa notícia!

Prepara-se para a conta de energia elétrica: ela vai cair! É o que garante o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas. Segundo ele, a agricultura também será beneficiada pela redução das tarifas recentemente anunciada pela presidente Dilma. “A medida reduz (o custo) para o agricultor que gasta energia na agroindústria, reduz para o que faz irrigação, reduz para a agricultura familiar. Se for (um consumidor) de alta tensão, cai até 28%, se for de baixa tensão, cai 16%. Para todos, há benefício”, disse o ministro.


Algodão em dobro

As exportações de algodão em 2012 cresceram 146% sobre o ano passado, para 483 mil toneladas. A receita também mais que dobrou: de R$ 824 milhões para R$ 1,9 bilhão. Mas o preço médio teve retração de 7%, de R$ 4 mil por tonelada para R$ 3,8 mil. Mato Grosso foi o estado que mais exportou, um total de R$ 895,4 milhões, seguido pela Bahia, com R$ 708,3 milhões. Os dois juntos são responsáveis por 81% da produção nacional.


Silos em PPP

O Governo Federal vai adotar medidas emergenciais para suprir um dos gargalos do agronegócio brasileiro, o armazenamento de grãos. Entre as medidas anunciadas pelo ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, no Fórum Nacional de Agronegócios, estão realocação de estruturas, licitações emergenciais e até adoção de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Ele explicou que as PPPs ocorrerão via credenciamento de armazéns privados para o uso por parte da Conab e também pela abertura de processos de licitações de emergência para unidades de estocagem.


Caos à vista no escoamento

A nova lei dos caminhoneiros, que vai exigir períodos de descanso de 30 minutos a cada quatro horas de rodagem para os motoristas, causará caos no escoamento da soja 2013. O alerta é de Fábio Trigueirinho, secretário-geral da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). A lei entra em vigor daqui a cinco meses, ou seja, coincide com o escoamento da safra da oleaginosa, que deverá ser a maior da história. “Se a lei vigorasse em um período normal, já haveria elevação de cerca de 30% no custo de logística. Com a mudança ocorrendo bem no meio do escoamento da safra recorde, não vai ter frete para escoar tudo isso. Vai ser um caos”, alertou.


Vinho com Denominação de Origem

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) deferiu, em 11 de setembro, o pedido de registro de Denominação de Origem (DO) para o Vale dos Vinhedos, região do Rio Grande do Sul. Desta forma, o Brasil possui sua primeira DO de vinhos e espumantes, modalidade ainda mais valiosa que a Indicação Geográfica (IG), obtida pelo Vale dez anos atrás. O terroir dos vinhos do Vale é reconhecido graças aos parâmetros de qualidade aplicados pelas vinícolas a partir da certificação da Indicação de Procedência, e, agora, a DO representa a evolução deste padrão. A DO havia sido solicitada dois anos atrás pela Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos (Aprovale).


R$ 44 bi para os portos

As empresas do setor portuário têm planos de investir cerca de R$ 44 bilhões nos próximos anos. É o que apurou levantamento feito pela Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), a pedido do Governo Federal. Desse total, cerca de R$ 10 bilhões virão dos terminais de contêineres – hoje um dos nichos mais rentáveis do setor. A entidade ouviu 84 empresas, sendo que algumas não informaram os projetos planejados para os próximos anos.