Agribusiness

 

TRIGO

MOVIMENTAÇÕES APENAS POR CONTA DOS LEILÕES DA CONAB

Juliana Winge - [email protected]

Mais uma vez os leilões da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foram os responsáveis pelas movimentações no mercado brasileiro de trigo. Com o dólar acima de R$ 2 e os preços internacionais em alta, importar se tornou menos vantajoso para os moinhos. Outra dificuldade é a escassez de trigo de boa qualidade no período de entressafra no mercado brasileiro. O plantio já foi finalizado nos dois estados produtores brasileiros (Rio Grande do Sul e Paraná) e agora as lavouras dependem das condições climáticas para favorecerem seu desenvolvimento. Segundo o último relatório do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, encontramse em boas condições 86% das lavouras; 12%, em condições médias; e 2%, em condições ruins. Do total, 0% das plantações estão em germinação, 40% em desenvolvimento vegetativo, 23% em floração, 28% em frutificação e 9% em floração.

E, de acordo com o mais recente relatório da Emater/RS, a segunda semana de agosto não apresentou novidades para a cultura. Devido às boas condições meteorológicas registradas durante o último período, as lavouras evoluem de maneira satisfatória, sem apresentar maiores dificuldades em seu desenvolvimento e demonstrando boas condições fitossanitárias na maioria dos casos. Na atualidade, cerca de 3% do total da área plantada começa a entrar em fase de floração, contra uma média de 1% em anos anteriores. As que se encontram em desenvolvimento vegetativo seguem em controle de pragas e moléstias, bem como recebendo adubações nitrogenadas em cobertura, sempre que a umidade presente no solo assim o permite.


ARROZ

PREÇO SEGUE COM BOA ALTA NO BRASIL

Rodrigo Ramos - [email protected]

O período de entressafra segue inflando os preços no mercado brasileiro de arroz. No Rio Grande do Sul, o maior produtor e o principal referencial de preço pago ao produtor, a cotação do grão em casca teve elevação expressiva desde o final de julho. Consequentemente, nos demais estados produtores de irrigado – Santa Catarina e Paraná – os preços também aumentaram. Nas praças produtoras de arroz de terras altas, a oferta reduzida elevou os preços locais. Por sua vez, no mercado atacadista o grão beneficiado já sente os reflexos da valorização do casca, como em São Paulo, estado com maior demanda. No RS, a oferta reduzida e a procura constante têm elevado a cotação média do arroz. A média no dia 13 de agosto era de R$ 31,92 por saca de 50 quilos, apontando alta de 3,7% em uma semana, e 23,7% maior que o preço mínimo estipulado por lei, de R$ 25,80 por saca. Em relação ao valor em igual período do mês anterior, que era de R$ 29,27 por saca, há acréscimo de 9,1%. Se levar em consideração o preço médio de igual momento no ano passado, quando estava a R$ 23,77, a valorização é de 34,3%.

Nas regiões produtoras de arroz de terras altas, a demanda constante e a oferta reduzida têm forçado a indústria local a procurar pelo produto dos estados do Sul do país. O resultado deste cenário é a elevação dos preços, como na praça de Sorriso/MT, onde a saca de 60 quilos valia R$ 43 no dia 13 de agosto. Frente ao preço em julho, o acréscimo é de 4,9%, pois na época estava a R$ 41, e ante mesmo período em 2011, quando estava a R$ 25, a valorização é de 72%.


SOJA

DEMANDA SEGUE ACELERADA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O ritmo de evolução da demanda por soja brasileira em 2012 vem ficando acima do esperado e até o presente vai se mantendo bem superior ao volume registrado em igual momento do ano passado, como também sobre o recorde observado em 2010. Essa é a constatação principal quando analisadas as informações divulgadas nessa última semana pela Abiove) para o processamento em junho, somada à estimativa de manutenção de ritmo em julho e à recente divulgação dos embarques desse mês anterior pela Secex. Dos sete meses avaliados nessa pesquisa, houve incremento do consumo em seis deles, levando a um acumulado muito superior aos já aquecidos movimentos registrados em igual momento dos dois anos anteriores. Esse firme movimento na demanda está relacionado com a combinação de alguns fatores principais, como o forte fluxo de antecipação das exportações, refletindo a preocupação do mercado consumidor com as perdas da América do Sul e dos EUA, e a manutenção de firme demanda por farelo e óleo de soja, tanto no mercado interno, como no externo, em função da expansão do consumo global.

E ao serem analisados esses números acumulados até julho, uma pergunta importante pode ser feita: o país pode chegar ao fim da temporada sem produto e ter que recorrer a volumes mais expressivos de importações? Se for considerada apenas a extrapolação do ritmo de consumo observada até o presente para o restante do ano, essa preocupação é pertinente. Isso decorre do fato de que o consumo para a soja brasileira atingiu 7,43 milhões de toneladas em julho, que é o segundo maior da história para o período. E ao comparar aos números acumulados do ano, tanto civil como comercial, chega-se também a avanços de 11% a 14% sobre os dois anos anteriores. No acumulado de janeiro a julho, o consumo total foi de 49,687 milhões de toneladas, contra 43,7 milhões do ano passado e 43,8 milhões em 2010. E no ano comercial de fevereiro a julho como referência, o consumo subiu de 41,94 milhões de toneladas em 2010 e de 41,53 milhões em 2011 para 46,719 milhões de toneladas. Mas considerando que o ano foi marcado pela redução de 11% na produção, ou seja, 8,049 milhões de toneladas, acredita-se que o ritmo do consumo cairá fortemente já a partir de agosto, especialmente pelo lado das exportações. Com isso, apesar de não escaparem de virar o ano com estoques muito ajustados, as importações até devem acontecer, mas em volumes limitados e restritos a compras de produto do próprio Mercosul.


ALGODÃO

MERCADO BRASILEIRO COM PREÇOS FIRMES

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão ingressou na terceira semana de agosto com preços firmes. No Cif de São Paulo, a indicação ficava por volta de R$ 1,58 por libra-peso no dia 13, o que corresponde a uma recuperação de 1,3% em relação ao mesmo período do mês anterior. Comparado ao mesmo período do ano passado, ainda acumula perdas de 14,6%. Segundo o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, depois de um longo período afastado das aquisições, aguardando que a matéria-prima barateasse, as indústrias precisaram voltar ao mercado para recompor estoques. “As compras têm sido pontuais. Porém, como os produtores estão focados na entrega de contratos negociados antecipadamente, a oferta no disponível segue restrita e o preço de venda segue firme e acima da paridade de exportação”, explica.

No quadro atual, o que se percebe é que os contratos registrados anteriormente e que estão sendo cumpridos neste momento garantem fôlego financeiro para que os cotonicultores escalonem as vendas e evitem uma sobreoferta. Os registros de negócios da safra 2011/12 até o dia 10 de agosto eram de 788 mil toneladas, o que corresponde a 43% da produção estimada em 1,85 milhão de toneladas por Safras & Mercado. “Deste montante, para o mercado interno foram registradas 164 mil toneladas, para exportação 394 mil toneladas e para exportação com opção de mercado interno mais 230 mil toneladas”, frisa Bento. “O volume de 1,061 milhão de toneladas a serem negociados da safra 2011/12 terá como balizador a paridade de exportação”, lembra. “Sendo assim, as cotações internacionais e o câmbio seguem como variáveis- chave para a formação de preços internos”, completa.


CAFÉ

COMERCIALIZAÇÃO SEGUE EM RITMO LENTO

Lessandro Carvalho - [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2012/13 (julho/junho) fechou o mês de julho em 28%. O dado faz parte de levantamento de Safras & Mercado, com base em informações compiladas até 31 de julho. Em igual período do ano passado, 35% da safra 2011/ 12 estava comercializada. Com isso, já foram comercializadas 15,16 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2012/13 de café brasileira de 54,9 milhões de sacas. Segundo o analista de Safras & Mercado Gil Barabach, o produtor aproveitou para vender um pouco mais de café quando os preços internacionais tiveram uma subida recentemente, um repique, quando houve a preocupação com o clima chuvoso em plena colheita no Brasil, que afetou a qualidade da safra. Entretanto, passado este momento, o produtor voltou a adotar uma conduta mais reservada em suas vendas, o que mantém o fluxo comercial desta safra 2012/13 atrasado no comparativo com 2011/12.

Essa comercialização tranquila “mantém o fluxo de negócios amarrado”. Barabach comenta que em nenhum momento chegou a haver pressão vendedora, mas o preço acima de R$ 400 a saca para as melhores bebidas do arábica serviu de estímulo aos vendedores, especialmente os mais “curtos”, apertados de caixa. “E isso serviu para dar um empurrão ao ritmo de comercialização”, comenta. Se por um lado não houve “afobação” quando o preço subiu, também não houve desespero com a nova queda nas cotações, que tem sido característica até meados de agosto. “O produtor mostra tranquilidade, dosando vendas e apostando no futuro. Isso facilita descolamentos nos preços em relação ao referencial da Bolsa de Nova York, em particular das melhores bebidas, escassas.”


MILHO

QUEBRA NA SAFRA AMERICANA FAVORECERÁ EXPORTAÇÃO BRASILEIRA

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda metade de agosto com um cenário bastante favorável. A confirmação de uma quebra histórica na produção do cereal nos Estados Unidos, que esperava colher inicialmente 375 milhões de toneladas e que trabalha agora, após dois meses de severa seca no cinturão produtor, com uma safra de 273,8 milhões de toneladas – ou menor ainda –, abre um grande espaço para o Brasil na exportação. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, o país vem assumindo uma posição exportadora mais agressiva, mesmo em um período de plena colheita de uma safrinha recorde, próxima a 38 milhões de toneladas. “Apesar dos entraves para deslocamento de milho aos portos, evidenciando novamente os problemas de infraestrutura do país, principalmente com a paralisação de diversas categorias de servidores federais ao longo de agosto, verificamos que existe uma forte demanda para o cereal, tanto interna como externa”, comenta.

Molinari diz que esse maior interesse pelo milho nacional se traduz em preços mais altos, atingindo a casa de R$ 36 no porto na segunda quinzena de agosto. “Vemos que há demanda efetiva, o que leva a um alongamento dos negócios até março de 2013, já envolvendo a produção da safra nova”, detalha. Ele entende que se houver folgas de logística nas próximas semanas, elas certamente serão demandadas para o escoamento de milho.

No mercado interno, que opera também com patamares de preços elevados, a maior atenção tende a ser direcionada ao movimento de póscolheita da safrinha, a partir de meados de setembro. “Os embarques de milho serão expressivos até janeiro, mas boa parte da safrinha já estará condicionada à venda no mercado interno.

Será a oferta retida pelo produtor, que ainda espera por preços mais altos, que determinará as condições de preços internos no decorrer dos próximos meses”, conclui Molinari.