Notícias da Argentina

 

GRÃOS: UMA PREOCUPAÇÃO A MAIS

É bastante conhecido o forte viés intervencionista do Governo nacional, especialmente com relação aos mercados vinculados ao setor agropecuário. Também é destacado o atraso cambial do país, justificado pelo argumento de que é possível manter as amarras à moeda nacional desprezando a evolução da sua relação com outras moedas do mundo. Agora surge a possibilidade da “pesificação” dos mercados futuros, habituados a operações com o dólar norte-americano. “A ‘desdolarização’ das operações realizadas nos mercados futuros de grãos, tal como foi anunciado pela presidente do Banco Central, Mercedes Marco del Pont, constituirá no virtual desaparecimento desses mercados, ainda mais com uma alta taxa de inflação”, advertiu a CRA (Confederações Rurais Argentinas). Para a entidade ruralista, “nesses mercados – que atuam para o produtor como uma ferramenta de cobertura para atenuar os riscos da atividade – o ato de fixar o preço futuro da sua produção será invalidado ao não ser permitido manter o real valor da sua mercadoria, frente a uma moeda que sofre uma importante depreciação mês após mês”.


CENÁRIOS DA CARNE BOVINA

Um congresso internacional realizado em Buenos Aires deixou algumas reflexões para o futuro do mercado da carne bovina. A demanda mundial pode seguir aumentando pela força dos países emergentes ou ficar estável pela desaceleração do crescimento dos mesmos. De qualquer forma, a oferta seguirá escassa e insuficiente durante os próximos cinco ou dez anos. Nenhum dos países que lideram as exportações de carne bovina vai aumentar a oferta no curto prazo, com exceção da Índia, que atende um mercado particular. Quanto à Argentina, com a inflação, é impossível atrair investimentos estruturais para promover o crescimento da cadeia de produção.


DEFASAGEM NO LEITE

O mercado estima que poderá haver um incremento na oferta de leite, já que os preços internacionais vêm apresentando redução. O atraso cambiário também torna mais atrativo comercializar a produção internamente. Nos primeiros cinco meses deste ano foram ofertados, no mercado interno, 560 milhões de litros de leite, o que ocasionou uma diminuição dos preços aos produtores e uma perda de ingressos de divisas ao país de quase US$ 300 milhões. Os valores internacionais não seguem a forte alta dos custos na atividade e, internamente, os produtores também sofrem com preços defasados.


TRIGO

Foi semeada mais de 90% da área estimada para o plantio, de 3,6 milhões de hectares. A condição hídrica das terras para o cereal não é a ideal, mas ainda não se pode falar em danos concretos.


SOJA

Mesmo que o mercado esteja confuso pela demora em formalizar os esquemas de arrendamento, responsáveis por 65% da produção argentina, a estimativa é que a soja seja plantada “até debaixo da cama”, dizem os argentinos.


LEITE

Produtores e representantes do governo negociam uma forma de entendimento por melhores condições para a cadeia. A falta de uma resposta concreta à demanda dos produtores pode fazer com que ocorram protestos e paralisação na entrega do leite às indústrias.


CARNE

Analisar os preços do gado requer um exercício. Em pesos, os valores se mantêm estáveis diante de uma inflação de 25% ao ano. Em dólares, o valor oficial segue em torno de US$ 2 por quilo vivo, mas considerando o mercado paralelo, o preço cai para US$ 1,40 por quilo vivo.


DIRETO AO PONTO

O presidente da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati, foi enfático na abertura oficial da 126ª Exposição de Agricultura, Pecuária e Indústria Internacional, realizada no final de julho, em Palermo. “Hoje, sem dúvidas, assistimos ao fracasso da política relacionada ao campo”, disparou. Para respaldar suas palavras, o ruralista recordou que o setor perdeu 12 milhões de cabeças de gado, que as lavouras de trigo e milho retrocedem ano após ano, que milhares de fazendas de leite vêm desaparecendo, que há mais de cem frigoríficos fechados, e que milhares de trabalhadores da cadeia da carne foram licenciados, suspensos ou estão sem trabalho, vivendo de subsídios.