Agricultura Familiar

 

Com toda a SEGURANÇA que se sonha

Leandro Mariani Mittmann - [email protected]

Antonio Pereira, da Copacaju, do Ceará: a parceria com a rede Walmart possibilita garantias e ainda um preço recebido pelo agricultor 30% superior

Independente da região do país, do segmento explorado ou de qualquer outra circunstância, ao ser questionado sobre os três maiores e mais danosos problemas na atividade, o agricultor familiar vai, certamente, cravar um deles como o seguinte: comercialização. Não é raro ele não ter a quem vender a suada produção, não ser recompensado com um preço justo e até encontrar dificuldades para receber o pagamento pelo produto entregue. Por isso, toda a iniciativa que facilite este último ato no processo de produção do pequeno é bem-vinda. Estão aí políticas como a de Compra Direta da Agricultura Familiar, do Ministério de Desenvolvimento Agrário, para comprovar. Ou pode-se mencionar outra, esta da iniciativa privada, empreendida pela rede de supermercados Walmart, chamada Clube do Produtor.

O programa, que completa uma década, viabiliza a comercialização em 500 supermercados da rede para 9.500 famílias em 12 estados, o que representou R$ 93 milhões em aquisições no primeiro semestre. Um salto e tanto em relação ao início, em 2002, então com 14 famílias gaúchas. E a expectativa da rede é ultrapassar 10 mil famílias até dezembro, em mais de 400 municípios de 15 estados. “Até 2017 chegaremos a 15 mil famílias”, projeta o engenheiro agrônomo Ari Biondo, gerente de agronegócios da Walmart na Região Sul, que implantou o Clube do Produtor. Pelo programa, a Walmart oferece aos agricultores prazos de pagamentos diferenciados, prioridade na antecipação de crédito e garantia contratual de compra. Por isso, os produtos do Clube dos Produtores já representam 17% das vendas no setor de hortifrutigranjeiros da rede.

Além de todas as garantias que a rede oferece, por vezes a um preço melhor que o do mercado, o Clube incentiva os agricultores para que cresçam e se profissionalizem. “Eliminando o intermediário, com certeza o agricultor vai vender mais caro”, acrescenta Biondo. Os agricultores recebem um caderno de encargos, além de serem vistoriados regularmente. Aspectos sociais, de sustentabilidade, legais e de higiene são considerados. Inclusive, são promovidos seminários de esclarecimentos. E a rede conta com os apoios oficiais de assistência técnica. Biondo se mostra satisfeito ao observar o crescimento de muitos agricultores. Cita um deles que em oito anos passou da entrega de 3 mil unidades de hortaliças hidropônicas por mês para 330 mil. “É gratificante porque se vê o crescimento destes agricultores. O que estes caras melhoraram em dez anos...”, suspira. E a rede não exige exclusividade.

O Clube dos Produtores recebe uma Antonio Pereira, da Copacaju, do Ceará: a parceria com a rede Walmart possibilita garantias e ainda um preço recebido pelo agricultor 30% superior Com toda a SEGURANÇA que se sonha A GRANJA | 73 ampla gama de produtos, sobretudo hortifrutigranjeiros. No Ceará, por exemplo, os 350 associados da central cooperativa Copacaju, estabelecida em municípios como Tururu, Chorozinho e Granja, entre outros, recebem de 30% a mais no preço da venda da castanha do caju para a rede Walmart. “Agrega mais valor. Tem como retornar mais renda para o produtor”, justifica Antonio Pereira da Silva, presidente da cooperativa, a principal vantagem de ser fornecedor para a rede. “Estamos muito satisfeitos”, descreve como está a parceria iniciada em 2010. Além da cotação mais valorizada, ele aponta a segurança do negócio como outra vantagem para eles. A cooperativa, que entrega a castanha já em saquinhos de 90 gramas para supermercados da região Sudeste, repassa à Walmart de 25% a 30% da sua produção, mas a ideia é chegar a 60%, 70%, segundo ele.

“Tudo funciona” — Bem longe do Ceará, no município de Guaíba, na Grande Porto Alegre, Adriana e o marido, Itamar Barbosa de Campos, mais o filho Ítalo, 18 anos, técnico agrícola, entregam, de segunda a sábado, de 18 a 20 espécies hortícolas para a rede, geradas numa área de 1,5 hectare. Eles integram o Clube do Produtor desde o início de 2009 e viram neste período a vida empresarial e pessoal melhorar muito. Antes, o marido saía para comercializar a pequena produção em pequenos mercados, em negócios incertos. E não era incomum perder a produção por não ter a quem vender. “Tudo o que plantar, é certeza que vai vender”, descreve agora um dos privilégios de integrar o Clube. Além disso, há garantia de preço, o que não ocorria quando eles vendiam na Ceasa, cujo valor oscilava no mesmo dia. “É um preço mais justo”, acrescenta. “É uma parceria onde tudo funciona bem. Tudo funciona direitinho”, descreve Adriana, que viu a renda da família dobrar.

Adriana, o marido, Itamar, e o filho Ítalo, em Guaíba/RS: tudo o que é produzido é comercializado e a renda da família dobrou