Milho

 

Gestão da QUALIDADE desde a semeadura

As lavouras de milho apresentam boa produtividade, porém a baixa qualidade da implantação, da condução e também da colheita compromete seus resultados

Parte I

Afonso Peche Filho e Moises Storino, pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), de Campinas/SP, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo

No Brasil, duas características marcantes da competitividade das empresas são a falta de modelo adequado de gestão e o comprometimento da qualidade em função da eficiência operacional. Na agricultura este aspecto é agravado pela influência ambiental e pelo despreparo dos recursos humanos. Por se tratar de uma atividade globalizada e com forte influência de outros países produtores, os sistemas de produção agrícola que envolvem a cultura do milho podem ser considerados complexos e necessitam de competitividade. No agronegócio brasileiro ocorre um comprometimento da rentabilidade em função do aumento da produção devido à incapacidade de se manter os mesmos níveis de eficiência operacional. Apesar de as lavouras brasileiras apresentarem boa produtividade na cultura do milho, a baixa qualidade da implantação, da condução e também da colheita comprometem seus resultados. Esta situação pode ser classificada como um subdesempenho satisfatório, que, apesar dos aparentes ganhos, não é capaz de se sustentar em condições desfavoráveis de clima ou de mercado.

Ao analisar as formas de gestão operacional de diferentes locais do Brasil, podese afirmar que é marcante a falta de técnicas para monitorar e promover a qualidade nas operações agrícolas. O conceito da qualidade operacional fica muito atrelado à qualidade de insumos e deixando de lado a melhoria contínua do desempenho. Além disso, os administradores e gerentes aceitam passivamente o uso inadequado da tecnologia mesmo que isto acarrete aumento do risco de impactos ambientais e do custo operacional.

A gestão da qualidade é um conjunto de conceitos, princípios e práticas que norA GRANJA | 53 teiam uma organização em contínuo aperfeiçoamento e inclui ações administrativas, gerenciais e operacionais para o aprimoramento dos processos. Ela permite que uma organização crie e sustente uma cultura comprometida com o aprimoramento contínuo por meio da criação de ambiente de trabalho dinâmico, positivo e que fomente o trabalho em equipe. Os sistemas compreendem um conjunto de fatores, componentes ou elementos que se integram de maneira que a alteração de um afeta os demais. Desta forma, o sistema de produção de milho pode ser definido como um conjunto de elementos integrados para produzir ambientes agrícolas produtivos e lavouras competitivas.

O monitoramento operacional referese ao acompanhamento do ambiente produtivo antes, durante e depois de uma operação com o objetivo de caracterizar o comportamento dos elementos que influenciam nos resultados. Por sua vez, o controle operacional é um instrumento de averiguação da efetividade das atividades e pode ser entendido como coleta e avaliação de informações em tempo real com a finalidade de corrigi-los caso necessário. O controle de qualidade operacional tem a finalidade de manter as ações dentro de padrões, regras ou diretrizes preestabelecidas. A qualidade operacional pode ser definida como o resultado que atende as expectativas criadas em função das recomendações técnicas e da tecnologia utilizada.

Planejamento — Nas operações de semeadura e colheita é fundamental entender a gestão na qualidade como a percepção da integração de ações administrativas, gerenciais e executivas influenciando no resultado final da operação. Para fins de entendimento sobre a gestão da qualidade, definimos que todas as atividades que envolvem burocracia fazem parte do administrativo. Planejamento, custos, compras, vendas, treinamento são exemplos de ações administrativas que exercem influência sobre a qualidade operacional.

O bom planejamento operacional prevê tempo e recursos para avaliar o estado das máquinas e as condições dos ambientais necessárias para seu pleno funcionamento. Ao estabelecer um plano para recondicionar as máquinas para uma nova jornada de trabalho, o administrador dá condições para que a operação ocorra livre dos efeitos de desgastes e fadigas das peças. As substituições que por ventura são realizadas necessitam de tempo para serem ajustadas e testadas no contexto funcional da máquina. Este ajuste funcional é fundamental para que não ocorram surpresas no momento da operação.

A decisão sobre a qualidade do insumo a ser utilizado na máquina influencia diretamente no desempenho operacional, para este caso vale a premissa básica: “Não existe qualidade operacional sem garantia da qualidade de peças e insumos”. O treinamento operacional é importante para entender que cada safra é um novo desafio, que em operações agrícolas o que já foi realizado é um passado que não volta mais, restando os seus resultados positivos e negativos para serem absorvidos pelo processo produtivo. Por isso, os resultados da safra anterior e as estratégias operacionais para a safra futura devem ser contemplados.

(continua na próxima edição)