Fertilização

 

Possibilidades da SUPLEMENTAÇÃO foliar

Atenção à Lei do Mínimo: a produção é sempre limitada pelo nutriente que está em menor disponibilidade para a planta

Luis Henrique B. Kasuya, engenheiro agrônomo da Kasuya Consultoria Agronômica

Limitações e problemas decorrentes da baixa eficiência de nutrientes aplicados via foliar levam os agricultores a não atingirem as produtividades desejadas. O melhoramento genético das culturas poderia proporcionar maiores avanços se a tecnologia de nutrição evoluísse na mesma velocidade, mas não é o que vinha acontecendo. Há muito não se observa avanços significativos neste segmento. Atualmente, passamos por uma seleção principalmente de produtores mais técnicos ou com equipes mais capacitadas que exigem produtos de qualidade e alta eficiência agronômica. É o que passamos a discutir adiante.

A Lei do Mínimo diz o seguinte: “A produção agrícola não pode ser maior do que o possibilitado pelo nutriente que se encontra em estado de mínimo em relação às exigências do vegetal”. Ou seja, a produção é sempre limitada pelo nutriente que está em menor disponibilidade para a planta. Temos que sempre procurar o “equilíbrio nutricional”. Os íons dos elementos sofrem interações entre si, causando efeitos sinérgicos e inibição. Exemplo comum no Cerrado é o excesso de calcário (cálcio e magnésio), que pode causar sintoma de deficiência de potássio na planta.

Os nutrientes têm sua função muito importante, ligados estes ao metabolismo das plantas da seguinte maneira:

- Nitrogênio - componente da clorofila, aminoácidos e proteínas, e ajuda na absorção de outros nutrientes;
- Fósforo – elemento estrutural, armazena e faz transferência de energia;
- Potássio – ativador enzimático, fotossíntese e transporte de carboidratos, movimento estomático, ajudando na tolerância das plantas a doenças;
- Cálcio – membranas celulares (ponte), parede celular (componente) e germinação, pólen e crescimento do tubo polínico;
- Magnésio – fotossíntese, respiração, síntese de carboidratos, proteínas, lipídios e fixação biológica de nitrogênio;
- Enxofre – estrutural, componente de aminoácidos, proteínas e enzimas;
- Boro – parede e membrana celular;
- Cobre – ativador e componente, enzimas oxi-redução;
- Ferro – grupo prostético de enzimas, fixação biológica de nitrogênio;
- Manganês – cofator de enzimas fosforilativas;
- Molibdênio – fixação biológica de nitrogênio e redutase do nitrato;
- Zinco – componente e ativador de enzimas e síntese proteica;
- Cobalto – fixação biológica de nitrogênio, síntese da Leg - hemoglobina;
- Níquel – componente da uréase;
- Sódio – osmótica (fisiológica);
- Silício – adsorção óxidos de Ferro e Alumínio e disponibilidade de Fósforo;

HISTÓRICO DA NUTRIÇÃO FOLIAR:
- 1a Geração: nitrogenados básicos (ureia);
- 2a Geração: complexos nitrogenados + fósforo e potássio
- 3a Geração: sais mininerais (ureia + óxidos + sulfatos + cloretos, nitratos + P + K + hormônios)
- 4a Geração: quelatos sintéticos (EDTA, HEDTA, DTPA, EEDHA + ácido lático, sulfônico, cítrico, húmico, fúlvico, entre outros)
- 5a Geração: minerais quelatados com aminoácidos naturais

Minerais quelatos — Recentes descobertas mostram que com o boro algumas plantas frutíferas de clima temperado desenvolveram um complexo de açúcares invertidos (isômeros de álcool), que são móveis no floema, o que possibilita levar o elemento aos pontos de exigência da planta, como flores e frutos. Com o avanço da área da nutrição mineral de plantas, surgiram os minerais quelatos, que contêm um centro metálico ligado a um ligante orgânico, por pelo menos dois pontos. Estes quelatos se caracterizam por formar uma estrutura cíclica entre os ligantes metálicos. O objetivo é fornecer produto da mais alta tecnologia com alta eficácia agronômica.

Deve-se ficar atento a nutrientes com concentração muito alta, pois na maioria dos casos necessita de grande quantidade para a planta absorver pouco

A membrana plasmática é semipermeável, formada por dupla camada de fosfolipídeos e com um diâmetro entre os poros de 7 ú (Angstron)

1 ú = 0,1 nano = 0,001 microns

Então, é necessário que todo o produto que for utilizado tenha uma dimensão menor do que 7 Angstrons, senão a absorção pela membrana plasmática será extremamente prejudicada, havendo grande gasto de energia pela planta e baixa absorção e baixa eficiência agronômica.

Algumas dicas importantes:
- O elemento manganês só realmente funciona quando adicionado ao glifosato, tendo fontes 100% quelatizadas com EDTA ou com aminoácidos. Existem algumas fontes com sais e óxidos que, quando colocados reagentes, se misturam, porém não apresentam eficiência agronômica. Quando não trabalhar com uma dessas fontes, é preferível aplicar separado.
- Nutrientes com concentração muito alta, deve-se ficar atento, pois na maioria dos casos necessita de grande quantidade para a planta absorver pouco.
- É importante saber que quando fazemos análise de folha após a aplicação e o nível do nutriente sobe muito, pode ser sinal que a maior parte do elemento está na folha e ainda não foi aproveitado pela planta. O conceito de suplementação mineral é que a planta necessita de uma fonte prontamente absorvida, disponível e fisiologicamente ativa (translocando ao ponto de necessidade da planta), não demandando quebra de cadeias de polipetídeos (proteínas) para metabolizar os minerais, aumentando o potencial de produtividade.