Na Hora H

 

O RIO GRANDE DO SUL E A SUA SAFRA DE GRÃOS DE 2011/2012

ALYSSON PAOLINELLI

No dia 22 de agosto, na sede da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, a Farsul, tivemos a oportunidade de fazer a nossa reunião da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) com a Embrapa e a Fundação Dom Cabral para termos a oportunidade de ouvir os nossos produtores, consumidores, fornecedores de insumos e os líderes das diversas associações de entidades que participam da cadeia produtiva do milho no estado. Para nós foi uma excelente oportunidade de ouvir as observações, afirmações, críticas e reclamações dos nossos companheiros que se consideram frustrados por mais uma seca de verão, para eles muito incômoda, pois lhes tirou quase 50% na produção de milho, na média, e, em alguns casos, até a totalidade de sua safra. E a quantia quase do mesmo valor na safra de soja.

Creio que alguns se lembraram do meu artigo contando a história do urubu na chuva que jurou que, após a chuva, construiria a sua casa para não passar o frio e a tristeza de ser molhado na cumeeira do telhado das casas, que era o seu único abrigo. A chuva passou, veio o sol reluzente, enxugou as suas penas, o aqueceu e o urubu se esqueceu da construção de sua casa. Voou e disse: “Construir a minha casa? Que nada! Se temos o sol, para que casa?”.

Refiro-me ao seguro rural. O que mais nos apavorou foi que muitos dos produtores que ali estavam afirmavam que as secas em suas regiões têm se repetido de três em três anos. Isto é, a cada três anos se perde uma safra. É espantoso. A fábula do urubu se encaixou como uma luva. Saímos de lá certos de que a grande solução do Rio Grande do Sul para, tranquilamente, poder produzir grãos é a irrigação e o seguro rural. Sabemos da competência dos gaúchos na irrigação do arroz. Não fossem eles e o Brasil ainda provavelmente estaria importando arroz, como nas décadas de 60 e 70. Água o Rio Grande do Sul tem. Onde ela não for suficiente, pode-se usar o seguro rural e garantir a continuidade de sua tarefa. E, o mais importante, produzir o milho e a soja que o Rio Grande necessita para gerar o frango, o porco, o leite, a carne de boi e tantos outros produtos que eles sabem fazer.

Sabemos que agora, no final de agosto, lá estão em festa com a sua grandiosa Expointer. Um exemplo para o país. É bom que os produtores não se esqueçam, como o nosso urubu, da desgraça que sofreram. Os gaúchos têm no nosso ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, um conterrâneo leal, trabalhador e que deseja ajudá-los em tudo que for possível. Tem na presidenta Dilma uma mineira muito mais gaúcha do que tudo e que também não se furtará a ajudar a resolver este incrível problema que há tantos anos vem prejudicando.

Meu conselho: não fiquem só em discursos, reclamações e pedidos. O Governo, muitas vezes, não pode fazer tudo que deseja. Tem limitações e procura atender onde o “calo” mais aperta.

Participem, mobilizem- se, mostrem o quanto isto significa para vocês e, afinal, para o Brasil inteiro. Mostrem o quanto o Governo está gastando na famigerada rolagem das dívidas acumuladas ao longo destes últimos 20 anos e procurem comparar com o preço do seguro rural e da irrigação, que resolveriam definitivamente a sua angústia e o seu problema. Este é hoje um problema gaúcho, mas que pode ser resolvido de lá para o Brasil inteiro. Não se esqueçam que a força do nosso ministro está diretamente proporcional ao apoio que ele recebe de quem efetivamente vem construindo este país. Gaúcho, a palavra é sua.

Engenheiro agrônomo, produtor e ex-ministro da Agricultura