Agribusiness

 

TRIGO

MERCADO NACIONAL NA DEPENDÊNCIA DE LEILÕES

Juliana Winge - [email protected]

Apesar de o momento ser de preços mais elevados e com boa liquidez, há escassez de produto de qualidade – sobretudo trigo-pão e melhorador – nas principais regiões produtoras do país. Na Paraná, por exemplo, mais de 90% da safra passada já foi comercializada, o que impossibilita um maior volume de negócios em um momento em que tanto as cotações internacionais em alta quanto o dólar acima de R$ 2 favorecem o interesse dos moinhos por produto de origem nacional. Dessa maneira, o mercado interno vem gravitando em torno dos leilões de venda da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O destaque de julho ficou por conta do relatório de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que reduziu ainda mais a estimativa de produção e estoques finais para a próxima temporada comercial. A safra mundial de trigo em 2012/13 está estimada em 665,33 milhões de toneladas, abaixo da estimativa de junho, de 672,06 milhões. Os estoques finais mundiais de trigo em 2012/13 estão estimados em 182,44 milhões de toneladas, contra 185,76 milhões do mês anterior. O consumo global está estimado em 680,06 milhões de toneladas. As bolsas internacionais já vêm precificando essa redução e, nas últimas semanas, engataram um forte movimento de alta, com variação positiva mensal superior a 25%. Além da redução da oferta global de trigo em 2012/13, parece que se está se encaminhando para uma quebra na safra de milho dos Estados Unidos, o que tende a elevar a demanda por trigo para fabricação de ração animal e, por conseguinte, pressionar para cima as cotações dos dois cereais nas bolsas norte-americanas.


ARROZ

MERCADO GAÚCHO VOLTA A SUBIR

Rodrigo Ramos - [email protected]

O arroz gaúcho voltou a demonstrar firmeza ao final da primeira quinzena de julho, depois de oscilar no mesmo patamar durante dias. No dia 11 de julho, o preço médio era de R$ 29,12 por saca de 50 quilos no Rio Grande do Sul, 1,9% superior ao valor registrado 30 dias antes, quando estava a R$ 28,57. Porém, se comparado com igual momento do ano anterior, quando valia R$ 21,27, a alta é mais significativa, de 36,9%. Segundo o analista de Safras & Mercado Eduardo Aquiles, alguns fatores endógenos têm influenciado para a valorização do grão no Brasil. “Entre eles está o dólar, que no dia 11 fechou cotado a R$ 2,0350, proporcionando um ganho de 28,6% sobre a cotação de julho de 2011, que era de R$ 1,5820”, destaca. Para Aquiles, a entrada do Governo no mercado poderá dar maior ganho ao cereal. “No entanto, é preciso lembrar que isso aconteceria com maior naturalidade no momento em que o preço pago estivesse abaixo do mínimo estipulado por lei, que é de R$ 25,80 para a saca no Rio Grande do Sul”, frisa.

O décimo levantamento da Conab para a safra brasileira 2011/12 indica produção de 11,559 milhões de toneladas, o que representa um decréscimo de 15,1% sobre as 13,613 milhões de toneladas de 2010/11. A área plantada foi estimada em 2,453 milhões de hectares, ante 2,820 milhões semeados de 2010/11. A produtividade foi estimada em 4,711 mil quilos por hectare, inferior em 2,4% aos 4,827 mil quilos anteriores. O Rio Grande do Sul, principal produtor, deve ter uma safra de 7,739 milhões de toneladas, equivalendo a um recuo de 13,1%.


SOJA

PRIMEIRO SEMESTRE POSITIVO INDICA AUMENTO DE ÁREA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A Safras & Mercado divulgou em julho a análise bianual sobre o desempenho de alguns dos principais indicadores da saúde financeira dos produtores brasileiros de soja nos primeiros seis meses de 2012. Esse é mais um dos tradicionais relatórios que Safras divulga no mês de julho, visando auxiliar na tomada de decisões referentes ao planejamento da safra 2012/13. Segundo o analista Flávio França Júnior, na mesma linha e até com mais ênfase do que ocorreu nessa mesma época do ano passado, o sentimento predominante é amplamente positivo em relação à soja, destacando os resultados parciais em boa parte até melhores que os observados no ano que passou. “Esse sentimento mais otimista para o setor está ligado à combinação de forte melhora nos preços médios praticados, com a obtenção de lucratividades brutas positivas – apesar das perdas de produtividades em alguns estados e do aumento geral dos custos de produção –, e ao acúmulo de variações também positivas nos preços, resultando em impressionantes resultados em termos de rentabilidade”, explica.

Será levando em consideração essas e as demais análises feitas nestas últimas semanas que Safras divulgará na próxima edição o tradicional levantamento de intenção de plantio para os principais produtos da safra de verão, incluindo soja, milho, arroz, algodão e feijão. E, a exemplo do observado nos últimos anos, a tendência segue na direção de novo forte incremento na área de soja. Em termos de remuneração dos produtores pelo comportamento dos preços, o predomínio do sentimento vem sendo absolutamente positivo até o presente, considerando que as bases praticadas no mercado interno ficaram sempre muito acima das médias históricas da soja e do ano anterior, tanto nas cotações em dólares como em reais.

Diferentemente de 2011, os patamares foram ganhando força no decorrer dos últimos meses. Por esse motivo, acredita- se que essa é uma variável totalmente estimulante ao avanço da cultura no país para essa nova temporada. E aqui tem-se uma diferença grande sobre o ano que passou, pois além dos preços da soja estarem melhores e fortemente remuneradores aos produtores, eles ganharam força no comparativo com algumas das principais culturas alternativas para a safra de verão, especialmente no caso do algodão e do milho, avalia o analista França Júnior. Considerando valores parciais de julho, há um acumulado do ano das cotações em dólares com médias superiores às médias de todo o ano passado de 9% a 12%, tomando como base algumas das principais praças negociadoras do país.


ALGODÃO

LENTIDÃO PERSISTE NO MERCADO BRASILEIRO

Rodrigo Ramos - [email protected]

A lentidão persiste no mercado doméstico de algodão, com os agentes voltando o foco para a colheita da safra nova. Em relação aos preços, o mercado brasileiro encerrou a primeira quinzena de julho com preços firmes. Pela paridade de exportação, o algodão de Rondonópolis/MT, a R$ 1,48 por libra-peso, chegaria ao FOB de Paranaguá/PR por volta de R$ 1,59/librapeso. Com o câmbio a R$ 2,0350, corresponderia a US$ 0,78/libra-peso, contra US$ 0,71/libra-peso do contrato de dezembro de 2012 na Ice Futures, no dia 11 de julho. “Ou seja, o produto nacional estaria 10,1% acima do norte-americano”, lembra o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. Pela paridade de importação, o algodão norteamericano chegaria ao Sudeste brasileiro por volta de R$ 2,04/libra-peso. O produto nacional no mesmo mercado é indicado a R$ 1,74/libra-peso, ou 15,1% abaixo do estrangeiro. Números atualizados por Safras & Mercado projetam a produção brasileira de algodão na temporada 2011/12 em 1,865 milhão de toneladas (pluma), recuando 1,3% em relação aos 1,890 milhão da safra 2010/11. Com a área plantada se elevando em 1,6%, a projeção inicial era de uma produção recorde. “Porém, adversidades climáticas em importantes regiões produtoras reduziram a produtividade”, explica o analista. A maior queda no volume produzido deve ser registrada na Bahia, de 610 mil para 530 mil toneladas (-13%). Em Goiás, a redução estimada é de 18%, de 170 mil para 140 mil toneladas. No Mato Grosso, as perdas da primeira safra devem ser compensadas pelo aumento da produtividade na safrinha. “Assim, espera- se uma elevação de 10% na produção, de 860 mil para 950 mil toneladas”, ressalta Bento. O volume a ser colhido no Brasil supera o consumo doméstico em 915 mil toneladas. “Por isso, a paridade de exportação seguirá como a principal referência para a formação de preço”, frisa o analista.


CAFÉ

EMBARQUES FECHARAM 2011/12 COM QUEDA DE 15%

Lessandro Carvalho - [email protected]

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) divulgou os números finais da temporada 2011/12 (julho/junho), confirmando um declínio nos volumes embarcados de café. As exportações totais brasileiras de café em 2011/12 chegaram a 29.768.744 sacas de 60 quilos, queda de 15% no comparativo com 2010/11, quando os embarques foram de 35.010.497 sacas. Se o volume caiu, em receita, no entanto, eles cresceram 5,6%, atingindo US$ 7,841 bilhões, contra US$ 7,423 bilhões de 2010/11. Tomando somente os embarques de café verde, o total exportado em 2011/12 foi de 26,481 milhões de sacas, diminuição de 16,8% contra 2010/11 (31,811 milhões de sacas). “O desempenho da safra 2011/12 foi dentro do esperado. Apesar do volume exportado ter tido uma redução de aproximadamente 5 milhões de sacas, por conta da bienalidade, a receita superou a da safra anterior em US$ 417,551 milhões”, comentou o diretor geral do Cecafé, Guilherme Braga. Segundo ele, ainda é cedo para se ter uma projeção em relação ao próximo ano-safra, que se iniciou em julho. “Porém estamos cautelosos quanto ao volume e à qualidade do café que serão produzidos, em função das fortes chuvas que vêm ocorrendo em regiões produtoras. Nesse caso, a variedade mais afetada seria a de café arábica, que possui maior valor agregado”. De acordo com o Balanço das Exportações, no ano-safra 2011/12, 83,1% do café exportado foi da variedade arábica; 10,9%, de solúvel; 5,8%, de robusta; e 0,2%, de torrado & moído. Os cafés arábicas diferenciados (especiais) já têm uma participação de 21% na receita cambial total das exportações no referido período. Em meio a isso, a Alemanha segue como principal mercado para o café brasileiro.


MILHO

PERDAS IRREVERSÍVEIS NOS EUA PODEM FAVORECER BRASIL

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho ingressou na segunda metade de julho em um quadro mais otimista para negócios. Se antes a perspectiva era de uma grande sobra de oferta interna e de preços mais baixos, por conta da elevada safra nacional, a tendência passou para um aquecimento nas cotações internas e uma participação bem mais efetiva na exportação. “O fator-chave para esta mudança foi a forte seca registrada nos Estados Unidos. As perdas já são irreversíveis e, com isso, os preços na Bolsa de Chicago cresceram consideravelmente nas últimas semanas, rompendo novamente os US$ 7 por bushel, e caminham para um recorde histórico”, detalha o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já reduziu o potencial de rendimento médio de 166 bushels para 146 bushels por acre no relatório de oferta e demanda de julho. “Contudo, alguns analistas já trabalham com uma produtividade média ainda menor, de até 130 bushels por acre. Com esse rendimento, a safra estadunidense cairia das atuais 329,45 milhões de toneladas para 294 milhões de toneladas, o que exigiria mudanças por parte do USDA em termos de consumo e exportação”, sinaliza.

No lado brasileiro, existe uma tentativa de reduzir o spread de US$ 40 a 50/tonelada existente nos portos em relação aos preços do Golfo do México, próximos a US$ 310/tonelada fob. “Como a safra estadunidense tende a ser reduzida, a demanda mundial caminhará para o milho brasileiro no segundo semestre, o que ajudará a reduzir esse deságio, proporcionando também uma valorização dos preços internos”, afirma. Além disso, se antes não havia demanda para milho brasileiro após setembro, agora as tradings vêm concentrando seu interesse de compra deste mês até novembro. “Se o Brasil trabalhar com exportações médias de 2 milhões de toneladas entre julho e janeiro de 2013, será possível fechar o ano comercial com embarques entre 14 e 15 milhões de toneladas de milho”, estima Molinari.