Notícias da Argentina

 

CAMPOS ARRENDADOS: UM NOVO PARADIGMA

O negócio que envolve o cultivo em campos de terceiros foi responsável pela expansão da agricultura em áreas impensadas há pouco tempo, mas agora está em crise e fora dos padrões conhecidos pelos produtores argentinos. De alguma maneira, o modelo vai se reinventar, e quem descobrir como aproveitar esse negócio terá vantagem. O que complica é vender a produção com um câmbio atrasado e tolerar o reflexo da elevada inflação (em dólares) em muitos dos custos do campo e da vida diária. Os problemas aumentam com a safra que terminou há pouco e que resultou em prejuízos devido à seca. Muitos produtores ainda estavam se recuperando da temporada 2008/2009, que também apresentou problemas devido à estiagem. “É verdade, a situação geral do país não é boa, mas o efeito negativo se potencializa pelo impacto do clima e da perda da produção. Nesse momento, temos ganhadores e perdedores e estamos numa roda viva que não nos permite assegurar até onde irá o negócio. O que sabemos é que o modelo daqueles que cultivam na propriedade de outros e que são responsáveis por 65% da agricultura argentina não vai se sustentar como foi até agora, pelo menos no curto prazo. A tendência é que as zonas menos produtivas paguem um preço mais alto por essa realidade. Mesmo assim, o coração agrícola da Argentina não deixará de produzir. Será usada menos tecnologia, os insumos serão ajustados, a escala será apertada e se pedirá dinheiro emprestado. A roda seguirá funcionando até quando for possível seguir adiante com essa conjuntura”, constata o consultor Teo Zorraquín.


MUITO MENOS

A superfície que será plantada com trigo nas tradicionais fazendas argentinas deverá diminuir, em média, 47% em relação ao ano anterior, de acordo com levantamento feito pelo Movimento CREA, que envolve produtores que cultivam em torno de 500 mil hectares. Os grupos ligados ao CREA reúnem cerca de 2 mil estabelecimentos agropecuários distribuídos em 16 províncias do país. As quedas mais significativas estão em Córdoba, La Pampa, San Luis, centro e norte de Santa Fé, centro de Buenos Aires, Tucumán e Salta.


TRIGO

A Bolsa de Cereais de Buenos Aires ajustou a área a ser semeada na campanha 2012/2013 para 3,8 milhões de hectares. A estimativa é de que metade desse total já esteja implantada.


SOJA

Ao término da colheita, a produtividade média nacional está próxima de 2.190 quilos por hectare. A estimativa da colheita foi revisada para baixo e está em 39 milhões de toneladas, volume distante das 54 milhões de toneladas esperadas inicialmente.


LEITE

As indústrias leiteiras comunicaram aos produtores que deve ocorrer um ajuste negativo para o preço ao produtor. A justificativa é a situação desfavorável no mercado internacional.


CARNE

O preço do novilho nas principais regiões produtoras do país se mantém semelhante em comparação com o mês anterior, em torno de US$ 2,3 o quilo vivo.


PROJEÇÕES CLIMÁTICAS

O climatologista Eduardo Sierra confirmou que todos os modelos apontam para o El Niño – chuvas acima do normal – para a próxima safra de soja e milho. Até aqui, os produtores podem comemorar. O ponto é que se espera um outono, em 2013, menos chuvoso que o habitual, como presságio da segunda parte deste cenário: uma nova ocorrência de La Niña no próximo ano. Esta última análise ainda não pode ser confirmada, porque os modelos meteorológicos não devem superar os seis meses. De qualquer forma, os especialistas apontam para um novo La Niña em 2013/2014 e para um La Niña moderado em 2014/2015.