Florestas

 

Realidade e perspectivas do segmento florestal no MATO GROSSO

Engenheiro Florestal Fausto Takizawa, presidente da Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) e diretor florestal da Floresteca S/A

O estado do Mato Grosso já é destaque em florestas plantadas da espécie Tectona grandis, conhecida como teca. Mas, além desta espécie, destacam-se a seringueira e o eucalipto. A Floresteca seringueira foi, até meados dos anos de 1980, com os incentivos do Programa de Incentivo à Produção de Borracha Natural (Probor), a principal mola que alavancou a sua expansão. O Mato Grosso atingiu cerca de 45 mil hectares com esta espécie e chegou a ser o segundo maior estado em área plantada. Mesmo com o aumento do preço, grande parte dos plantios está com a produção de látex estagnada, necessitando reforma, com potencial de produção de madeira para biomassa e em alguns casos madeira sólida. O látex produzido no estado é vendido em sua forma bruta. As reformas de seringais, quando ocorrem, são de médios a grandes empreendimentos.

No início dos anos 2000, o Mato Grosso passou a plantar de forma mais significativa o eucalipto e a teca. O eucalipto foi alavancado principalmente pela demanda por biomassa ambientalmente responsável para energia, atendendo à demanda da pujante agroindústria do Mato Grosso. Envolvia a secagem e o processamento de grãos e fibras, bem como pecuária de corte, avicultura e suinocultura. Em 2006, eram 38 mil hectares de eucalipto e, atualmente, há cerca de 100 mil hectares. O incremento médio anual (IMA) dos plantios do estado é de 25 metros cúbicos/hectare/ano. Já os plantios mais recentes, com adequada escolha de sítio, técnicas silviculturais e melhoramento genético, apresentam IMA de 50 a 60 metros cúbicos/hectare/ano.

O documento Propostas do Setor de Base Florestal Para Composição do Plano de Governo de Mato Grosso, elaborado em 2010 por várias entidades representativas ligadas ao setor florestal, apontava naquele ano uma demanda anual por biomassa na ordem da dezena de milhões de metros cúbicos. Entretanto, a oferta oficial de biomassa ambientalmente responsável atingia no máximo 20% desta demanda. Mesmo assim, os plantios de eucalipto têm enfrentado dificuldades em viabilizar o seu projeto para atender a este mercado, situação um tanto incoerente. Entretanto, a razão é simples de entender: grande parte da biomassa de origem florestal vem sendo atendida por fonte sem a sua devida comprovação de sustentabilidade.

O potencial da teca — A teca tem como atrativos o alto valor comercial de sua madeira, atendendo a um mercado internacional consolidado e consistente, e a existência de condições de solo e clima ótimos. Apresentou taxas crescentes em área plantada, principalmente por meio de grupos internacionais de investimentos e por intermédio de recursos próprios de empresas locais.

O Mato Grosso já é destaque internacional em plantações de teca, tanto que, em novembro próximo, em Cuiabá, ocorre o 2° Congresso Internacional da Organização Latino Americana de Teca – www.congressoolat.com.br. Estima-se que a área plantada no estado, que em 2006 era de 48.500 hectares, hoje esteja em torno de 68 mil hectares, IMA médio de 15,6 metros cúbicos/hectare/ano, sendo que em algumas regiões o IMA foi de 28 metros cúbicos/hectare/ano. E com iniciativas como melhorias das práticas silviculturais, escolha adequadas de sítio e melhoramento genético, o potencial é para de 25 a 35 metros cúbicos/hectare/ ano.

Grande variação na extensão das plantações, distribuição geográfica dispersa, falta de ordenamento do plantio ao longo dos anos, dificuldades fundiárias, ausência de regras ambientais claras e seguras, falta de infraestrutura logística e ações adversas do estado, que, muitas vezes, diminuem a competitividade do setor, evidenciam a necessidade de uma política de desenvolvimento florestal no estado. Mesmo com as adversidades, algumas evidências têm levado cada vez mais a acreditar que as florestas plantadas no Mato Grosso venham a se transformar, a exemplo do agronegócio, também em outro negócio. Dentre estas evidências, estão as seguintes:

- O Mato Grosso já é referência internacional na silvicultura e na produção de madeira de teca, sendo que é crescente a participação de madeira de teca de plantações no mercado internacional e grande o seu potencial para atender a demanda doméstica de madeira tropical nobre sustentável;
- Todos os obstáculos para alavancar a plantação de florestas e as ações necessárias para quebrá-los já são conhecidos pelo estado, levantados pela implementação e inclusão do Processo de Melhoria do Clima de Negócios para Investimentos no Setor Florestal (Promecif) no Plano Plurianual do estado, uma metodologia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o que culminará na elaboração e na posterior execução de um Plano de Desenvolvimento Florestal;
- Projeção de crescimento até 2020 em 60% na produção agrícola e 100% na produção de carnes, se consumida somente biomassa de plantações, representa um potencial para 300 mil hectares de plantações, que também pode alavancar o aproveitamento para multiprodutos da floresta plantada;
- É uma questão de tempo para que os grandes consumidores de biomassa florestal sejam regulados e fiscalizados pelo órgão ambiental do estado. Cada vez é maior a pressão para que as empresas e o estado demonstrem transparência no atendimento à legislação ambiental;
- Algumas empresas tradicionais de madeira nativa já investem na plantação de florestas para complemento e continuidade do seu negócio. O Mato Grosso já desperta interesses de grandes players do setor florestal, demonstrando claramente a intenção em alavancar negócios no setor florestal no estado, o exemplo disto são as frequentes visitas da empresa Weyerhaeuser ao estado. As ações para tornar o investimento florestal mais atrativo no Mato Grosso têm acontecido ainda de forma desorientada, isolada e lenta, entretanto já há consenso de todas as entidades representativas ligadas ao setor florestal e de algumas secretarias do governo sobre a necessidade de um Plano de Desenvolvimento Florestal para o estado como ferramenta para orientar as decisões e ações em nível de governo, iniciativa privada e instituições de pesquisa e ensino. E como resultado colocar o Mato Grosso também como nova fronteira para a expansão de empreendimentos em florestas plantadas.