Sabrevoando

BoD

Toninho Carancho
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Não, o pessoal da revisão não bobeou desta vez. É BoD, mesmo. Não é bode ou outra coisa qualquer.

BoD é a sigla, que não sei se existe, para Beef on Dairy, que quer dizer usar sêmen de raças de corte em vacas de raças de leite. Como os títulos desta coluna são sempre de apenas uma palavra, porque gosto que seja assim, às vezes acontece esse tipo de coisas estranha, mas vamos lá.

No dia do jogo do Internacional contra o Athletico Paranaense, no mês passado, na final da Copa do Brasil, estive reunido com um grande amigo e, por sorte, não vi. E a sorte foi dupla, porque meu time perdeu e evitei o sofrimento e a angústia, e porque a conversa foi pra lá de boa.

Falamos bastante sobre inseminação artificial e, principalmente, sobre o uso de raças de corte em cima de vacas leiteiras, procedimento que acontece no mundo inteiro cada vez mais e que, agora, parece estar chegando com força no Brasil. Usando essa estratégia, o produtor de leite insemina as melhores vacas com a sua raça, digamos as 20% melhores, e as outras 80% insemina com uma raça de corte para obter bezerros e bezerras de boa qualidade para o corte, valorizando essas crias e gerando mais caixa para o produtor. E, fazendo isso, ele consegue ainda se capitalizar a ponto de inseminar as 20% top com sêmen sexado de fêmea, gerando, aproximadamente, 90% de fêmeas de altíssima qualidade para o seu rebanho leiteiro.

E o interessante também são as raças escolhidas para fazer essa cruza. Faz um bom tempo, e acho que contei esta história aqui nesta coluna, conversando com um representante britânico de empresas de inseminação artificial, ele me disse que a raça de corte que mais vendia sêmen na Inglaterra (naquela época, anos 1990, 2000) era o Belgian Blue. Não era Angus, Hereford, Charolês, Simental, Devon ou nada desse tipo. Belgian Blue mesmo. Para quem não conhece a raça, trata-se de um animal com altíssima musculatura, tipo halterofilista, totalmente exagerado em suas massas musculares. Pois bem, esse gado, cruzado com Holandês, por exemplo, dá uma cria com alto rendimento de carcaça e muito boa para o corte, sendo bem valorizada no mercado. E é isso que alguns criadores de leite estão fazendo no Brasil, e mais, usando “raças” que nem sabem direito quais são. É isso mesmo, tá parecido com criação de porcos (desculpem, suínos) moderna. As raças tradicionais não existem mais. Nada de Duroc, Large White, Landrace. Agora, são siglas, cruzamentos com números, provenientes de animais cruzados. E são essas “raças” que estão usando no gado leiteiro, garantindo que o produto deste cruzamento seja muito viável tanto para o produtor quanto para o consumidor final. É o maravilhoso mundo novo.

Algumas empresas de inseminação artificial estão fornecendo esses cruzamentos diferenciados e fazendo uma revolução no setor leiteiro, que está cada vez mais profissionalizado.

Achei muito interessante o tema, apesar de o leite não ser o meu forte, e, pelo menos, serviu para eu não ver o meu time perder.