Escolha do Leitor

Atenção no sistema de produção

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Alto retorno financeiro comprova por que é necessário planejar todas as etapas do processo

Luciano Penteado da Silva*

“Para toda ação existe uma reação”, segundo o físico Isaac Newton. Você deve estar perguntando: OK, e o que isso tem a ver com pecuária? Na pecuária, é comum que a “ação” seja pontual e específica, e que, na maioria das vezes, não exista uma análise da reação” ou “consequência” dentro do sistema de produção da fazenda.

Em um sistema de produção pecuário, obrigatoriamente, necessitamos pensar no sistema como um todo, em todas suas fases ou etapas, de uma forma integrada, complexa, antes de qualquer “ação” ou tomada de decisão.

Uma ação ou tomada de decisão que casualmente possa favorecer a reprodução e aumentar o resultado pontualmente, por exemplo, pode prejudicar a recria ou a engorda e diminuir a produtividade da fazenda no geral.

É fundamental um estudo e planejamento do melhor sistema de produção a ser adotado na fazenda, 21com a devida importância e critério na análise técnica e econômica.

Gráfico 1 – Antecipação dos nascimentos para o início da estação de monta: melhor período

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Investir em uma tecnologia como a IATF (inseminação artificial em tempo fixo) para obtenção de bezerros com maior potencial genético e maior capacidade de desempenho produtivo, e não realizar um manejo sanitário e nutricional adequado às necessidades desses bezerros oriundos dessa tecnologia, é, sem dúvida, um erro gravíssimo e que, seguramente, essa “ação” terá uma consequência negativa, ou seja, esses bezerros não terão condição de demonstrar todo seu potencial produtivo, ocasionando uma frustação produtiva e financeira, por falta de um planejamento de sistema de produção adequado, contemplando todos os benefícios e as necessidades de cada etapa. Isso é fundamental para um aumento de produtividade e financeiro, já comprovados em diversos projetos pecuários realizados segundo esses princípios.

Gráfico 2 – Efeito da época de nascimento na eficiência de bois terminados em confinamento

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Antecipação dos nascimentos

Um dos exemplos clássicos dessa falta de avaliação do sistema de produção como um todo (integrado), é o pecuarista de cria promover “ações” específicas com o único objetivo de aumentar a taxa de prenhez da estação de monta, sem se preocupar se a maioria das prenhezes ocorrerão no início, no meio ou no final da estação de monta, bem como não se preocupar com o intervalo entre partos de suas matrizes.

Figura 1 – Comparativo da quantidade de prenhezes entre Monta Natural (somente touros) e IATF + Repasse de Touros em diversos períodos de tempo da estação de monta

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Obter exclusivamente uma excelente taxa de prenhez na estação de monta não garante uma alta produtividade. A maior produtividade para a fazenda ocorre quando a maior porcentagem dessas prenhezes acontecem no início da estação de monta, porque garantese uma maior probabilidade de manter essa alta taxa de prenhez no ano seguinte, com um intervalo entre partos menor (12 meses), melhor época no desmame do bezerro, animais mais pesados ao desmame, melhor desempenho deles na recria, maior probabilidade de machos e fêmeas superprecoces, melhores resultados reprodutivos nas novilhas, e machos e fêmeas mais pesados ao abate.

Figura 2 – Sistema "Rotativo" de primíparas superprecoces, de 30 meses de idade, que proporciona a produção de [email protected]

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Uma fazenda que na estação de monta 2012/2013 tinha nascimentos ocorrendo 8% no melhor período (junho, julho, agosto e setembro), 49% no pior período (outubro, novembro e dezembro) e 42% no período indesejável (janeiro, fevereiro, março, abril e maio), com o planejamento do sistema de sistema de produção e o uso de tecnologia (IATF), na estação de monta 2016/2017, ou seja, quatro anos depois, conseguiu elevar seus nascimentos para 50% no melhor período (junho, julho, agosto e setembro), 49% no pior período (outubro, novembro e dezembro) e reduziu para apenas 2% no período indesejável (janeiro, fevereiro, março, abril e maio), como podemos observar no Gráfico 1.

Essa “antecipação dos nascimentos” proporcionou um aumento extremamente significativo na produtividade da fazenda, haja vista que os bezerros nascidos da estação de monta 2012/2013 produziram um total 447.802 kg de peso vivo ao desmame, ao passo que os bezerros nascidos na estação de monta 2016/2017 (nascimentos antecipados) produziram um total de 539.160 kg de peso vivo ao desmame, ou seja, um incremento de produtividade de +91.358 kg de peso vivo ao desmame (+20,4%).

Época de nascimento

Um de outros aumentos de produtividade avaliados foi o “Efeito da época do nascimento na eficiência de bois terminados em confinamento”, que comprovou que bezerros nascidos no início da estação de monta, comparados com bezerros nascidos no final da estação de monta, apresentaram mais de 10% de peso e R$ 138,00 ao desmame; +13,2% de peso e R$ 243,32 a recria; e +7,7% de peso e R$ 241,67 no confinamento, conforme demonstrado no Gráfico 2 (a seguir).

A IATF é a melhor tecnologia aplicável disponível para que as fazendas consigam obter a maior Leitorquantidade de prenhezes no início da estação de monta, como demonstrado no experimento científico “Eficiência reprodutiva de vacas de corte inseminadas em tempo fixo” (Penteado et al., 2005), realizado em 600 matrizes, em Camapuã, no ano de 2005, quando foi comparada a taxa de prenhez da IATF +

Manejo de repasse

Repasse de Touros vs Monta Natural, sendo que o resultado aos dez dias da estação de monta foi de 52,5% para IATF + Repasse de Touros e 1,8% para Monta Natural. Já a taxa de prenhez aos 35 dias da estação de monta foi de 75,3% para IATF + Repasse de Touros e 30,3% para Monta Natural (somente Touros) e aos 45 dias da estação de monta foi de 75,3% para IATF + Repasse de Touros e 44,3% para Monta Natural. A taxa de prenhez aos 90 dias da estação de monta foi de 92,7% para IATF + Repasse de Touros e 83,2% para Monta Natural.

Na prática, o comparativo demonstra a quantidade adicional de matrizes prenhas no início da estação de monta que a IATF pode proporcionar quando comparada com a monta natural, sendo no décimo dia = +29,2%; no 35o dia = +140%; e no 45o dia = +70% (Figura 1).

Intervalo entre partos

O intervalo entre partos é um índice que não é avaliado na grande maioria das fazendas e que tem um impacto produtivo e econômico muito significativo no sistema de produção da fazenda, porque cada mês adicional no intervalo entre partos ocasiona uma perda de 10% na produtividade na vida útil da matriz. Uma vaca com intervalo entre partos de 15 meses produz 30% a menos na sua vida útil comparada a uma matriz com intervalo entre parto de 12 meses.

Redução da IPPA

A redução da idade ao primeiro parto (IPP) também representa um impacto extremamente positivo para o aumento da produtividade das fazendas de pecuária. As chamadas novilhas superprecoces, que emprenham aos 14 meses, já são uma realidade constante em diversas fazendas que utilizam um sistema de produção tecnológico, aplicável e economicamente viável.

Para raças zebuínas, como a Nelore, que é a base do rebanho nacional, o melhoramento genético, a nutrição e as biotecnologias reprodutivas estão proporcionando um grande incremento na produtividade dos rebanhos das fazendas que estão desenvolvendo os projetos de novilhas superprecoces, garantindo um aumento de produtividade de, no mínimo, 12,5% a mais de bezerros na vida útil de suas matrizes, somente por diminuir a idade ao primeiro parto, bem como também garantindo uma reposição com novilhas de altíssimo potencial genético e performance, podendo agregar ganhos somatórios acima da casa dos 30%.

No caso das novilhas de F1 (cruzamento industrial), passamos a adotar um sistema de produção que envolve várias tecnologias aplicáveis e que tem apresentado excelentes resultados produtivos e econômicos, obtendo produção de [email protected] e receitas acima R$ 4.000,00 por novilha. Esse sistema consiste, basicamente, em emprenhar as novilhas F1 Angus x Nelore aos 14 meses de idade para que o nascimento ocorra aos 23, e o desmame precoce, aos 27 meses. Essas primíparas são enviadas ao confinamento para terminação e são abatidas aos 30 meses de idade, conforme podemos observar no esquema da Figura 2.

*Luciano Penteado é consultor, especialista em IATF e proprietário da Firmasa