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Esforço por uma cadeia mais forte

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Eleito novo presidente da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), Edemundo Gressler trabalha por uma maior aproximação com os produtores e por ações que colaborem para o incremento do rebanho nacional

Denise Saueressig
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A Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco) tem um novo presidente desde março. Edemundo Ferreira Gressler foi eleito em assembleia de associados e substitui Paulo Schwab, que ficou no cargo por 22 anos. A chapa liderada por ele e pela sua vice, Elisabeth Amaral Lemos, concorreu com o slogan “Por uma nova Arco”, o que, segundo Gressler, expressa que é possível contribuir com inovações. “Em Denise [email protected] momento essa frase significa que a Arco é antiga ou que precisa ser remodelada, mas sim a importância de trabalharmos por mudanças positivas que resultem em uma instituição mais forte e coesa”, salienta.

O Serviço de Registro Genealógico de Ovinos (SRGO) para as raças existentes no Brasil é um dos principais trabalhos da associação, que é homologada pelo Ministério da Agricultura para essa função. Gressler faz questão de enaltecer o histórico do expresidente, que, segundo ele, foi o responsável pelo avanço tecnológico do registro, cujos processos podem ser realizados online. “O trabalho do Paulo Schwab fez com que o País conhecesse a Arco, e não apenas os criadores. Ele levou as questões da cadeia para o Senado e para a Câmara Federal”, relata.

Um dos objetivos do novo presidente é tornar mais acessível os custos do registro para os criadores. A meta é conseguir uma redução entre 20% e 30% nos valores cobrados, que são variáveis de acordo com a categoria de sócio. O tema, no entanto, será amplamente discutido antes de uma decisão. “Precisamos analisar as finanças e encontrar uma forma que não prejudique as responsabilidades fiscais da instituição”, detalha.

Atualmente, a Arco mantém o registro de 28 raças no Brasil. “O serviço é importante para alavancar o melhoramento genético dos rebanhos e, consequentemente, a qualidade dos plantéis destinados à produção comercial”, ressalta Gressler. Em torno de 45 mil novos registros de nascimentos são recebidos por ano. A população ovina brasileira de animais puros já oficializados junto à associação ultrapassa 1,5 milhão.

Eficiência no campo

Fundada em 1942 por um grupo de criadores gaúchos, a Arco tem sede em Bagé/RS e entre 1,5 mil e 1,6 mil sócios que registram rebanhos em todos os estados brasileiros. Gressler também é inspetor técnico da associação e, durante cinco anos, foi superintendente do SRGO. “Estou muito feliz em poder fazer parte desse trabalho e dessa história. Sou um apaixonado pela ovinocultura e costumo dizer que, no meu DNA, tenho o marcador molecular da ovelha”, declara. O médicoveterinário de 65 anos tem propriedade em São Sepé/RS, onde é criador da raça Ideal e de um pequeno núcleo de Corriedale. “Meu pai trabalhava com rebanho comercial para a produção de lã, e minha opção pela Ideal foi por esse histórico”, conta.

O novo presidente da Arco diz que pretende trabalhar por um aumento do quadro social, inclusive com o resgate de criadores que, por algum motivo, deixaram de fazer parte da associação. “Assim como queremos estimular o surgimento de novos criatórios, podemos recuperar propriedades que possam ter parado momentaneamente, mas que ainda mantêm material genético em suas bases”, assinala. “A associação quer estar cada vez mais próxima dos produtores para ouvir suas sugestões e dificuldades do lado de dentro das porteiras, que é onde precisamos ter maior eficiência”, acrescenta.

Entre os gargalos que precisam ser enfrentados está a escassez de mão de obra capacitada para a atividade. Uma das percepções é de que a ovinocultura enfrenta a forte concorrência da agricultura por trabalhadores. Gressler considera que é preciso manter e intensificar as ações que existem no âmbito da Emater e de iniciativas como o Programa Juntos para Competir, que, no Rio Grande do Sul, envolve a Federação da Agricultura do Estado (Farsul), o Sebrae e o Senar. “Precisamos trabalhar em conjunto para esclarecer que cuidar de ovelha não é nada de outro mundo e que é uma atividade que remunera bem”, sustenta.

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Edemundo Gressler busca um aumento do quadro social, com o estímulo a novos criatórios e com o resgate de produtores que, por algum motivo, deixaram de fazer parte da associação

Potencial para crescer

crescerFortalecer a ação presencial da Arco, por meio de seus 125 inspetores técnicos que atuam nas diferentes regiões do País, é outra meta do dirigente. “São aqueles profissionais que estão nas propriedades, fazendo a revisão, as tatuagens e as inspeções nos animais. Essa atuação é fundamental em um cenário em que buscamos o aumento do rebanho brasileiro. Queremos ser protagonistas nesse processo e atuarmos cada vez mais em conjunto com as entidades estaduais”, observa.

Gressler tem a convicção de que o Brasil tem um grande potencial para ampliar o plantel ovino, que, segundo o IBGE, é de 13,7 milhões de cabeças. O número, apurado em 2017, revela uma queda de 2,8% em relação a 2006, data do Censo Agropecuário anterior. “Além da expertise das pessoas que trabalham no campo, o País reúne diferentes condições ambientais para a adaptação das diversas raças, dentro das potencialidades regionais”, considera.

É importante, segundo o dirigente, manter e estimular ações em parceria com instituições como os sindicatos rurais e órgãos de pesquisa e extensão para atuar em questões específicas, como a diminuição dos índices de mortalidade de cordeiros e aspectos relacionados à fertilidade e à nutrição. Na avaliação do veterinário, é preciso conscientizar os criadores que investimentos conscientes nos diferentes nichos de mercado – ou seja, lã, carne e leite – podem representar aumento de renda nas propriedades. “Enxergamos esse movimento de recuperação mais concentrado nas pequenas e médias propriedades, mas, para que possamos potencializar esse crescimento, precisamos buscar modelos de desenvolvimento e novidades que fazem a ovinocultura rentável”, cita.

A tarefa inclui, por exemplo, demonstrar que o mercado busca uma lã fina de alta qualidade e que, mesmo se o volume produzido for pequeno, o produtor terá uma remuneração saudável. “Da mesma forma, se o criador utilizar modelos adequados de reprodução e melhoramento, terá um animal pronto com quatro ou cinco meses para o mercado de carne, que está ávido por mais oferta”, aponta Gressler, lembrando que a remuneração é positiva nesse momento, com o preço do quilo vivo do cordeiro em torno de R$ 7,00 e R$ 8,00, dependendo da região.