Sala de Ordenha

Queda da produção mantém alta nos preços

No pagamento realizado em abril, que remunera a produ-ção de março, foi verificado o quarto mês de alta para o produtor de leite.

Segundo levantamento da Scot Consultoria, o aumento foi de 0,9%, considerando a média nacional. A variação ficou abaixo das altas regis-tradas nos dois últimos pagamentos, que foram de 4,1% e 2,9%, respectivamente.

Na média dos 18 estados pesqui-sados, o produtor recebeu R$ 1,249 por litro em abril, considerando o leite padrão. Em relação ao mesmo período do ano passado, o preço do leite está 13,8% mais alto em 2019, em valores nominais.

Já o valor médio, considerando as bonificações por qualidade e vo-lume, ficou em R$ 1,612 por litro, sem o frete. Na Figura 1, apresenta-mos os preços médios considerando o leite padrão e os valores médios com bonificações por qualidade e volume.

Figura 1 – Cotação média nacional ponderada do leite ao produtor em R$/litro, valores nominais

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A queda na produção de leite nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste mantém o mercado sustentado, mes-mo sem muitas novidades do lado do consumo interno. Em março, o volume captado pelos laticínios (média nacio-nal) caiu 0,6%, e, em abril, a queda esperada é de 0,7%, segundo o Índice Scot Consultoria de Captação.

Com a produção em queda, di-minuíram os estoques de produtos lácteos nas indústrias. Além disso, os laticínios se mostraram mais firmes nas negociações com o varejo e brrepasses das recentes altas de preços da matéria-prima (leite cru) para o atacado.

Para o pagamento a ser realizado em maio, que remunera a produção entregue em abril, 72% dos laticínios pesquisados pela Scot Consultoria acreditam em manutenção no preço do leite ao produtor, 24% estimam alta, e os 4% restantes falam em que-da, em relação ao pagamento anterior.

Ou seja, no Brasil Central e no Centro-Sul, o viés do mercado é de manutenção a ligeira alta das co-tações. Entre as empresas que es-timam recuos nos preços pagos ao produtor no próximo pagamento, a ser realizado em maio, todas estão na região Nordeste.

Para o pagamento de junho (produção de maio), a pressão de baixa começa a ganhar força no Sul do País, com o aumento da produção nos estados em questão. No mercado spot, ou seja, o lei-te comercializado entre as indús-trias, os preços voltaram a subir em abril e maio, depois das que-das em março. Isso corrobora com o cenário de maior concorrência entre as indústrias.

No mercado atacadista, os preços dos lácteos também subiram nos úl-timos meses, mas as altas têm sido comedidas.

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnistaScot Consultoria