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Pecuária no bioma Amazônia: produção e sustentabilidade devem andar juntas

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William Koury Filho é zootecnista, mestre e doutor em Produção Animal, jurado de pista de Angus a Zebu e proprietário da Brasil com Z® – Zootecnia Tropical

Olá, amigos do agro! Depois de trabalhar em mais uma Ex-pozebu – desta vez, julgando os campeonatos tipo frigorífico – e acompanhar o lançamento do su-mário da ANCP, caí na estrada no-vamente para finalização de provas de desempenho individual, o que inclui avaliações de EPMURAS pelo SAM (Sistema de Avaliação Morfológica) na safra 2017/2018.

A última viagem antes de es-crever esta coluna no aeroporto de Congonhas foi para colaborar no fechamento da Prova de Perfor-mance de Touros a Campo do Acre, realizada na Nelovale, em parceria com BrasilcomZ e Embrapa, e com apoio da ABCZ e da ACNB. Na sequência, avaliamos toda a safra 2017/2018, trabalho que me trouxe experiências interessantes para es-crever a coluna deste mês.

Na viagem iniciada em Rio Branco/AC, passamos pela pon-tinha de Rondônia, onde paramos rapidamente em uma propriedade do grupo Nelovale para pegarmos vacinas e vermífugos. De lá, partir-mos para trabalhar por três dias no estado do Amazonas, em fazenda de cria e recria de fêmeas. Além de andar pelo pasto e avaliar o gado no curral, as histórias relatadas por meus anfitriões, Fernando e Elisân-gela Teixeira, que moram e produ-zem na região há mais de 15 anos, me propiciaram conhecer um pou-co mais dos sistemas de produção e economia no bioma Amazônia.

Ficou muito clara a importância econômica da produção bovina nas terras por onde andei, mas, devido à polêmica da preservação ambien-tal na região, é necessário entrar no conceito de sustentabilidade a par-tir do papel que a atividade pecuá-ria representa para o País.

De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias Exporta-doras de Carne (Abiec), o Brasil encerrou 2018 com um recorde no volume de carne bovina exportada, com um total de 1,64 milhão de to-neladas embarcadas. Em receita, o valor alcançou US$ 6,57 bilhões. Trata-se do maior volume já alcan-çado entre todos os países exporta-dores, o que consolida ainda mais a liderança do País nesse segmento.

O conceito de sustentabilidade, de acordo com a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvol-vimento, criada pelas Nações Uni-das, destaca a união da prosperida-de com o estado de saúde ambiental e o bem-estar coletivo da socieda-de (Fonte WWF Brasil), portanto, deve ter a capacidade de integrar as questões sociais, econômicas e am-bientais.

Os três estados por onde passei são habitados por 3,22% da popu-lação brasileira, de acordo com o IBGE. Na pecuária, participam em 8,39% do rebanho nacional, o que representa mais de 18 milhões de cabeças – liderados por RO. Efi-cientes na produção agropecuária, ocupam uma área que representa apenas cerca de 5% do total das áreas destinadas à pecuária no Bra-sil. Vale ressaltar que, dos estados abordados na coluna, AM registra a maior população humana, e é o me-nor rebanho entre os três, ou seja, depende da produção de carne do AC e de RO para alimentar a popu-lação e preservar a floresta.

O Brasil, em 2018, atingiu R$ 6,83 trilhões no Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período, o PIB da pecuária somou R$ 597,22 bilhões, o que representa 8,7% de sua participação no PIB total bra-sileiro.

Para distribuir riquezas, é pre-ciso gerar riqueza, então a susten-tabilidade e a qualidade de vida da população do Norte também depen-dem de se produzir. É muito fácil atacar o produtor rural do Norte to-mando um vinho chique e comen-do um bom bife – ou uma salada de grife – em um restaurante gour-met de Brasília, de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Antes, deve-se enxergar que o Brasil possui a mais severa legislação ambiental compa-rada com outras nações, é o país de maior preservação no cenário mun-dial e que os moradores daquela região também querem usufruir de desenvolvimento, bem-estar e qua-lidade de vida.

O meio ambiente tem de andar de mãos dadas com a produção, e esta precisa ser embasada pela tec-nologia certa e sustentável – isso que buscamos com a Zootecnia. Lembramos que sustentabilidade passa pelo tripé ecológico, social e econômico. Se o ser humano não buscasse evolução, bem-estar, de-senvolvimento e qualidade de vida por meio da ciência e da tecnolo-gia, ainda existiriam pessoas mo-rando dentro de uma caverna.

É isso aí, vamos que vamos!