Sobrevoando

CEIP

Toninho Carancho
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O Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP), documento emitido pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, o famoso Mapa, para os animais que possuem capacidade comprovada para aumentar a produtividade dos rebanhos, está causando uma verdadeira revolução no mercado da raça Nelore. Associado ao uso das DEPs, diferenças esperadas da progênie, o CEIP tem chancelado animais realmente diferenciados no quesito produção.

Estive sobrevoando, esses dias, a fazenda de um amigo e criador de Nelore “ceipado” e também grande produtor de meio-sangue Angus e fiquei realmente impressionado com o que vi por lá.

Encontrei um Nelore totalmente adaptado às condições de campo do MS, com frame mais baixo, perto do chão. Animais com pouca luz, como dizem alguns amigos do Prata (gado com muita costela, muita profundidade, que, se fossem colocados contra a luz, deixariam muita sombra, preenchendo quase todo o espaço), e, além disso, bastante pesados, com excelente condição corporal e muito, muito precoces.

Tive a oportunidade de ver “vacas” completando dois anos bem amojadas, quase parindo, e outras com três anos com bezerro ao pé, prontos para serem desmamados. E pesados, tanto as vacas quanto os bezerros

Índices de natalidade muito altos, beirando os 90%, estação de IATF e monta curtas, descarte de todas as fêmeas que resultem vazias quando feito o toque, controle total e rígido sobre a filiação, manejo sanitário, régua de DEPs, acasalamento, custos, reformas de pastagem (utilizando o plantio de soja), enfim, a verdadeira Pecuária de Precisão.

Também gostei muito do sistema de marcação a fogo de todo o gado (em outro artigo, comentei sobre a marcação a fogo, e talvez minha opinião tenha mudado mudado um pouco), e no Nelore esse sistema funciona muito bem, porque as marcas ficam muito visíveis, diferentemente do gado europeu, que, em sua grande maioria, não aparece bem. As marcações consistem em carimbo do número do mês e do ano na paleta, um em cima do outro, marca da fazenda na coxa, marca de P no cupim das fêmeas inseminadas e entouradas precocemente, marca da sigla do nome do pai da fêmea na picanha em cima do número dela. E, ainda, a marca do programa de seleção e talvez mais alguma que eu tenha esquecido. É um verdadeiro painel de informações instantâneo e muito prático. Isso tudo somado a um brinco de identificação e botton para controle eletrônico. É mole ou quer mais

As pesagens ao nascer, na desmama e no sobreano também são levadas muito a sério e são fundamentais para o processo de seleção dos animais

E o descarte das fêmeas também é muito rigoroso. Só fica realmente o que é bom. Primeiro, são descartadas as Decas 9 e 10 para o abate. Depois, são selecionadas as Decas de 1 a 5 (se não me engano, pois foi muita informação para um Carancho só) para fazer o Nelore de seleção, e as restantes, para fazer os meio-sangue Angus.

Para se ter uma ideia da qualidade do trabalho, esses meios-sangues são desmamados com peso médio superior aos 300 quilos com oito ou nove meses e todos colocados em confinamento para abate aos 12 meses. Isso mesmo, todos morrem com um ano de idade. Fêmeas com 450 kg e machos com 550 kg. Belive it or not.

Se eu mesmo não estivesse lá, acharia que era mentira. Mas não é. É a pura verdade e realidade da Fazenda Maragogipe. Isso tudo somado a uma hospedagem muito agradável na sede, regado a Echart Privado e conversas intermináveis sobre melhoramento de gado. Parabéns, meu amigo WB, e obrigado pelo convite!