Caprinovicultura

Qualidade garantida do campo à mesa

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Projeto de certificação de cortes da raça Poll Dorset pretende incentivar a padronização da carne e o aumento da produção

Denise Saueressig
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Para levar ao consumidor com regularidade uma carne de alto padrão, o Núcleo Poll Dorset Sul idealizou um projeto de certificação de cortes ovinos. A garantia de que o produto chegará ao mercado com os atributos desejáveis será via regulamento estipulado junto aos ovinocultores.

Até o mês passado, quatro criadores dos municípios gaúchos de Jaguarão, Camaquã e Santana do Livramento estavam credenciados no programa, mas, como há mais interessados em aderir à iniciativa, a expectativa é de que o número de participantes tenha um rápido incremento. O presidente do Núcleo Poll Dorset Sul e diretor administrativo da empresa Cordeiro da Estância, Claudio de Sottomaior Filho, revela que gostaria de atingir o volume de 5 mil animais certificados nos próximos dois anos. “Esse é um dos nossos objetivos, mas sabemos que é um trabalho lento e que precisa ser realizado com organização e planejamento”, observa.

Os ovinos integrados ao projeto serão abatidos no frigorífico Coxilha Vermelha, em Alegrete/RS. Os cortes que incluem lombo, carré francês, paleta e picanha serão comercializados com a marca Cordeiro da Estância Poll Dorset Prime. Inicialmente, a produção terá como destino restaurantes e varejo voltados à alta gastronomia em São Paulo. Num segundo momento, deverão ser atendidos também o mercado deste mesmo nicho em Porto Alegre/RS. “É uma carne tenra e suculenta de alto valor agregado, com preço em torno de 30% acima do cordeiro tradicional e bastante requisitada por chefs de cozinha”, explica Sottomaior. A expectativa, segundo o executivo, é de que o primeiro lote certificado seja entregue no mês de dezembro. Um técnico de campo que realiza visitas às propriedades participantes e a inspeção de um médico-veterinário junto à unidade de abate fazem parte das estratégias do projeto para assegurar a qualidade em todas as etapas.

Para manter a padronização dos cortes, será certificada a carne oriunda de cordeiros de até quatro dentes, com idade máxima de, aproximadamente, 24 meses nascidos de cruzamentos com carneiros Poll Dorset, sem exigência quanto à raça das matrizes. Os produtores receberão um bônus de 7% acima do valor pago pelo mercado, mais 2% de diferença pela gordura mediana. Para animais puros, nascidos de cruzamento entre pai e mãe Poll Dorset, o bônus será de 8% acima do valor de mercado mais 2% para gordura mediana.

Para animais com seis dentes em diante, o bônus será de 4% mais 1% para a gordura mediana. Nesse caso, a produção dará origem ao charque. “Sabemos que é uma dificuldade a comercialização de ovinos mais velhos e, por isso, estipulamos também essa categoria”, relata Sottomaior.

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Claudio de Sottomaior Filho, presidente do Núcleo Poll Dorset Sul: além de entregar ao mercado uma carne diferenciada, iniciativa pretende ampliar rebanho da raça

Rastreabilidade

Um dos objetivos para os próximos meses é agregar ao selo informações sobre a propriedade de origem dos cordeiros, inclusive com o contato dos produtores. A ideia é rastrear todo o processo, valorizando também etapas como o transporte o bem--estar dos animais nas propriedades.

Para apresentar o projeto e atrair mais produtores, o Núcleo Poll Dorset Sul realizará atividades de divulgação em eventos como as feiras de ovinos realizadas no verão em diferentes municípios do Rio Grande do Sul. “Queremos convencer os produtores a experimentarem o cruzamento com carneiros da raça para que possam perceber as vantagens no plantel”, relata Sottomaior, que acrescenta que os criadores não precisam ser associados do núcleo e não terão custos para participação no programa.

Além de entregar uma carne rastreada e certificada ao mercado consumidor, a iniciativa tem como objetivo o incremento do rebanho de ovinos Poll Dorset. A estimativa atual é de que existam em torno de 150 criadores e aproximadamente 5 mil animais no Rio Grande do Sul. Outros estados, como São Paulo e Paraná, também registram a presença da raça. “Entendemos que existe potencial para crescimento, especialmente na Região Sul. Esses animais têm dupla aptidão e produzem uma lã fina e valorizada pelo mercado”, justifica o dirigente.

Sottomaior também é criador de Poll Dorset em Piratini/RS. Entusiasta da raça, ele destaca características que considera importantes para a rentabilidade da ovinocultura. Uma delas é a não sazonalidade na produção de cordeiros, já que as fêmeas ciclam o ano todo. “Esse diferencial permite a programação de venda inclusive na entressafra, período em que os valores pagos pela carne aumentam significativamente”, argumenta o produtor. Outros atributos são a acentuada habilidade materna, o alto índice de partos múltiplos, a abundante produção de leite, a rusticidade, a docilidade, a adaptabilidade a diferentes condições de clima, a boa conformação muscular e a carcaça com grande comprimento de lombo e rendimento entre 54% e 60%.