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Cuidado com os preços dos insumos

Estamos no início do período das águas. Pastos e animais recuperando suas melhores condições. Isso é cíclico, sempre acontece. Mas o pecuarista gestor, aquele efetivamente focado no seu negócio, passou pelo período anual de vacas magras sem problemas. Ele se preparou, e seus pastos e animais nada sofreram no período. No entanto, a preocupação com os custos de produção permanece, e, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o consumo de adubo pode ser recorde em 2018. Alta demanda, preços em alta... Nesta época de início de chuvas, os pastos bem manejados, principalmente aqueles com altas lotações, devem ser adubados. Um bom planejamento fez com que as fazendas bem geridas tenham comprado seus insumos já há algum tempo. Quem deixou para comprar agora vai sentir o baque da elevação dos custos.

Segundo previsões da FAO (sigla inglesa para Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura), a produção de carne irá aumentar 20% no mundo até o ano de 2030. Esse aumento ocorrerá, principalmente, nos países em desenvolvimento, onde se encontra o Brasil. Essa notícia pode ser boa ou ruim. Caso haja um aumento no consumo de carne na mesma escala, ótimo. Por outro lado, aumento de produção sem consumo significa redução de preço. Precisamos estar preparados para esse novo desafio.

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O quadro Boi Gordo no Mundo apresenta os valores da arroba do boi gordo em dólares norte-americanos referentes aos quatro principais países exportadores de carne bovina no mundo, no período de 17/09 a 15/10/2018.

Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF - 17/09 a 15/10/2018

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A arroba do boi gordo no Brasil passou de US$ 36,01 para US$ 38,19, apontando uma recuperação de 6,05%. Na Argentina, ao contrário, houve uma forte retração de 19,2%. Assim, no período analisado, o boi argentino tornou-se bem mais competitivo no mercado internacional quando comparado ao produto brasileiro. Isso aconteceu devido à forte desvalorização do peso argentino frente ao dólar norte-americano. Segundo informações do site da Bloomberg, o peso argentino é a moeda com o pior desempenho frente ao dólar no ano de 2018. Na Austrália, o valor do boi gordo passou de US$ 49,84 para US$ 52,96, valorização de 6,26%. Os Estados Unidos apresentaram variação negativa de apenas US$ 0,02 por arroba, passando de US$ 57,55 para US$ 57,53. O comportamento dos preços nesse período foi atípico, pois não apresentou uma tendência de alta ou de baixa muito definida. De qualquer forma, para o pecuarista brasileiro, o que mais importa ainda é o mercado interno, pois cerca de 80% da produção é comercializada aqui mesmo.

Média do preço da desmama de 17/09 a 15/10/2018 Macho Nelore - 8 meses - 165 kg

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O gráfico Evolução do preço da arroba do boi gordo por UF (Unidade da Federação) apresenta a variação dos preços a prazo no mercado interno, entre os dias 17/09 e 15/10/2018.

Relação de troca média - 17/09 a 15/10/2018

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A média da valorização da arroba do boi gordo no Brasil para o período analisado (17/09 a 15/10/2018), considerando nove estados, foi de 2,32%, praticamente a mesma do período anterior. Oito dos nove estados apresentaram alta; apenas o Rio Grande do Sul teve o seu valor médio reduzido. A situação continua absolutamente normal, com a escassez de animais prontos para o abate e o quadro de final de seca nas principais regiões produtoras. Este é o período em que os animais terminados dos confinamentos vão para o abate em maior quantidade. É o momento, também, de início de recuperação das pastagens, período que o pecuarista sabe ser crítico e no qual todo o cuidado é pouco para não prejudicar a rebrota das pastagens.

No Rio Grande do Sul, o valor da arroba subiu de R$ 129,00, no início do período, para R$ 139,00 após os 20 dias úteis avaliados no período. Mesmo assim, o valor médio da arroba naquele estado ficou abaixo dos demais, cuja situação apresentou-se desta forma: 3,40% em São Paulo; 2,90% em Minas Gerais; 3,83% em Goiás; 4,80% no Mato Grosso do Sul; 1,90% no Mato Grosso; 3,57% no Pará; 1,45% no Paraná; e 1,19% em Santa Catarina.

No gráfico Média do preço da desmama, representado por animais machos da raça Nelore com oito meses de idade e 165 kg de peso vivo, podemos observar os valores pagos pela reposição da categoria no período de 17/09 a 15/10/2018.

A tendência no momento é de valorização da cria. Assim, seis dos oito estados avaliados apresentaram alta nessa categoria. As exceções ficaram para os estados de Mato Grosso (baixa de 0,85%) e Rio Grande do Sul (baixa de 0,66%), onde os bezerros passaram de R$ 1.119,52 para R$ 1.110,00 e de R$ 989,05 para R$ 982,50, respectivamente. Como curiosidade, o estado gaúcho é o único onde o preço praticado está abaixo dos R$ 1 mil. Já no Mato Grosso, a queda se repetiu pelo segundo período consecutivo.

A média geral do valor dessa categoria nos oito estados avaliados foi de R$ 1.113,75, apontando alta de 1,29% em relação ao período anterior. A valorização nos outros seis estados foi a seguinte: São Paulo, 2,56%; Minas Gerais, 3,03%; Goiás, 2,14%; Mato Grosso do Sul, 0,63%; Pará, 2,26%; e Paraná, 1,12%.

O gráfico Relação de troca média traz a relação de troca entre as categorias de desmama e boi magro com o boi gordo de 16 arrobas, no período entre 17/09 e 15/10/2018.

O cenário desta avaliação é o mesmo apresentado aqui na coluna anterior. Novamente, a valorização da arroba do boi gordo determinou um aumento na relação de troca do boi gordo com a desmama e com o boi magro, apesar da valorização da cria. O Rio Grande do Sul foi o único, novamente, a andar na contramão nesta avaliação, e, mais uma vez, o invernista dos pampas comprou menos animais de recria (desmama e boi magro) com um animal terminado. A relação de troca no estado gaúcho ficou assim: desmama/boi gordo, 2,19; e boi magro/desmama, 1,26. Em Minas Gerais não houve alteração na relação desmama/boi gordo, que se manteve em 2,13.

Nos demais estados, a relação de troca desmama/boi gordo ficou assim definida: 2,03 para São Paulo; 1,93 em Goiás; 1,98 no Mato Grosso do Sul; 1,93 no Mato Grosso; 2,15 no Pará; e 2,12 no Paraná.

O mesmo cenário foi verificado quando se avaliou a relação de troca boi magro/boi gordo. À exceção do Rio Grande do Sul, todos os demais estados analisados apresentaram taxa mais favorável ao invernista, quando comparado ao período anterior: São Paulo (1,26), Minas Gerais (1,31), Goiás (1,20), Mato Grosso do Sul (1,29), Mato Grosso (1,25), Pará (1,35) e Paraná (1,20).

Quando esta coluna for publicada, já saberemos quem irá governar o País nos próximos quatro anos. O cenário atual é de incertezas, mas o setor agropecuário se mantém firme na busca por resultados, com recordes em cima de recordes e produtividade em alta. Particularmente, o setor da carne vermelha no Brasil tem se comportado de forma exemplar, não só na questão dos resultados, mas também na superação de preconceitos e ataques sem fundamentos, mostrando que, quando se produz com responsabilidade e sustentabilidade, dificilmente será derrotado. Cabe ao pecuarista a gestão eficiente, empresarial e assertiva do negócio.

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Antony Sewell
Boviplan Consultoria