O Confinador

ALIMENTOS EXTRUSADOS COM ADIÇÃO DE FIBRAS

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Esta ferramenta é capaz de gerar melhorias no desempenho animal e rentabilidade das fazendas

Rodrigo Anselmo*

O mercado de produção animal brasileiro tem avançado muito nos últimos anos, mas ainda é um setor pulverizado, pouco profissionalizado e de baixa tecnologia. Apesar disso, o Brasil é responsável pela produção de 9,5 milhões de toneladas de carne bovina, o que corresponde a 15,4% do total produzido no mundo, colocando o País na segunda posição desse ranking, ficando atrás apenas dos EUA, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).

Atualmente, é irrisória a quantidade de arrobas produzidas no Brasil provenientes de sistemas de confinamento, isso significa que o País possui elevado potencial para crescimento de sua produção, entretanto, esse desenvolvimento dependerá do uso de mais tecnologia e adoção de melhores práticas.

Muitas vezes, produzir animais em sistemas de semiconfinamento e confinamento propiciará consideráveis aportes financeiros, mas também traz consigo a engorda mais rápida do gado e o aumento da rentabilidade do produtor.

Nesse sentido, a nutrição, como componente determinante para o sucesso ou o fracasso do negócio, pode ser vista como custo ou investimento por parte do pecuarista, tudo depende do entendimento.

Hoje, há uma série de soluções inovadoras para rentabilizar economicamente as propriedades rurais e, consequentemente, seus índices zootécnicos, entre elas, citamos tecnologia em nutrição animal, item que corresponde com 70% da produção de carne e leite.

O uso da ração extrusada com adição de fibra nos mais variados modelos produtivos, incluindo os regimes de semi e confinamento, ganha expressão entre pecuaristas e atenção de universidades e centros de pesquisas do País.

Vantagens dos alimentos extrusados

– Aumento da digestibilidade

– Mais peso em menor tempo

– Maior absorção dos nutrientes

– Aumento da produção de carne e leite

– Facilidade no trato

– Estocagem

– Aumento da Taxa de Lotação sem influência da sazonalidade dos períodos de chuvas e secas que comprometem o pasto e a produção

Um processo tecnológico que funde por meio de um processo termofísico (extrusão), energia, proteína, minerais, vitaminas, aditivos nutricionais e fibra de forragem de gramíneas, elementos que, quando reunidos em um único grano, não desassociam, permitindo, com isso, um melhor aproveitamento de todos os nutrientes dentro do rúmen e em sistemas intensivos, levando o animal para mais perto da sua fisiologia natural. Alimento com fibras aumentam a digestibilidade da dieta e podem funcionar como um volumoso capaz de substituir total ou parcialmente o uso de silagem ou capim, e até mesmo como uma dieta completa.

Resultados em sistema de semiconfinamento da Fazenda Planalto (Jataí/GO

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Digestibilidade

A tecnologia embarcada por esse processo termofísico propicia a melhoria do sincronismo dos ingredientes contidos em sua formulação – proteína, energia, minerais e fibras – por meio do aumento da eficiência da fermentação.

Outro ponto alto para essa tecnologia está relacionado à saúde ruminal. Quando o alimento é extrusado com inclusão de fontes de fibra em sua formulação há manutenção do funcionamento ruminal, com um correto equilíbrio dos ingredientes, criando um pH ótimo para o rúmen. Aliado a isso, esse processo melhora a qualidade de todos os ingredientes que compõem a ração, tornando alimentos considerados de valor médio em alimentos superiores. Desse modo, há um melhor aproveitamento em nível de trato gastrointestinal (TGI).

Adicionalmente, estudos comprovam que alimentos extrusados são capazes de melhorar a absorção dos nutrientes pós-rúmen em até 11,5% (Shabi. Z et al.), demonstrando sua melhor absorção e sua relação direta na eficiência alimentar. Trocando em miúdos, bovinos tratados com alimentos extrusados consomem a mesma quantidade e tem um melhor aproveitamento.

Resultado do uso de alimentos extrusados com adição de fibras na Fazenda Veneza (Ituiutaba/MG)

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No que tange à eficiência a campo, é sabido que o ganho de peso para animais confinados, normalmente, é superior a um quilo/animal/ dia, ao passo que, nos sistemas de semiconfinamento, os ganhos são mais modestos, próximos de 0,700 kg/animal/dia. Esse ganho de peso pode ser ainda mais eficiente ao ser adotada uma alimentação mais adequada. Animais confinados submetidos a uma dieta com alimentos extrusados que contêm fibras em sua formulação podem alcançar ganhos superiores diários de 1,5 kg/animal/ dia, como mostraram os resultados da Prova Nacional de Avaliação de Touros (PNAT), edição 2018, realizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ, Uberaba/ MG).

Dados obtidos a campo demonstraram que a inclusão de alimentos extrusados com adição de fibra em sistema de semiconfinamento tiveram excelentes resultados, conforme ação realizada na Fazenda Planalto (Jataí/GO) iniciada em 5 de julho deste ano (quadro da página 35).

oito hectares, a proposta foi elevar o GMD (Ganho Médio Diário) e reduzir o tempo de permanência de 20 animais na propriedade. Com uma excelente condição de pastagens, boa área de cocho, água e dois piquetes, a ideia inicial preconizou GMD de um quilo/dia. Contudo, pela eficiência da tecnologia contida na ração, foi possível superar os 1,7 kg/dia, diminuindo os 60 dias de trato para 35, o que proporcionou à propriedade aumento de 83,3% da receita proposta inicialmente – o resultado financeiro de R$ 103,36 saltou para R$ 189,58. Os animais iniciaram com 330 kg e encerraram a ação com 390 kg, um retorno no capital investido de 13% (quadro da página 35).

Já no caso da utilização de ali- Resultado do uso de alimentos extrusados com adição de fibras na Fazenda Veneza (Ituiutaba/MG) mento concentrado extrusado com adição de fibra, foi observado outro impacto positivo. A Fazenda Veneza (Ituiutaba/MG), com uma área de 200 ha e dois piquetes para 500 animais, produzia 328 g/dia. Com o uso da tecnologia, a proposta inicial foi de 1,5 kg/dia, entretanto, o resultado foi superado com folga, saltando para 1,787 kg/dia e com um rendimento de 52% para 54% (confira no quadro acima).

É importante mencionar que alimentos extrusados não são uma novidade dentro da indústria de alimentação animal, estão presentes no segmento pet há muitos anos. Todavia, alimentos extrusados com adição de fibras para animais de produção, como é o caso dos bovinos de corte, é algo novo. É um processo tecnológico em uso em diversos plantéis nacionais há quatro anos e com resultados expressivos nos mais variados desafios de campo e com produtos específicos para todas as fases animais.

* Rodrigo Anselmo é zootecnista e diretor técnico da Unidade de P&D da Nutratta Nutrição Animal [email protected]